Saber ouvir para comunicar melhor
A edição 12 da Organicom - Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas aborda a comunicação e a ouvidoria. Afinal, o que é um ouvidor? Qual a relação dele com o trabalho realizado na Comunicação, no Marketing e na Administração?
Que a comunicação
não é uma via de mão única, já estamos todos carecas de saber. Trata-se de uma
disciplina que contempla a habilidade de ouvir, de dar feedback, de compartilhar
e de trocar para a construção de sentido no ambiente organizacional. Em
contrapartida, problemas de comunicação podem gerar crises de gestão. Assim a
revista Melhor dá algumas dicas de quais são os principais obstáculos na
comunicação e como superá-los:
Resistência
em ouvir o que os outros têm a dizer
Saber ouvir é o fator mais importante para o sucesso na comunicação e, ao mesmo
tempo, um dos aspectos mais negligenciados no seu processo. Saber ouvir
transcende o ato de escutar quem fala; é compreender a pessoa que se expressa;
entender a mensagem transmitida; assimilar o que é dito por palavras, atitudes,
gestos ou silêncio; perceber a grandeza da essência da comunicação e do
diálogo; e alcançar a plenitude do relacionamento humano. Ou seja, é dar e
receber informações e emoções. Isso exige quase sempre esforço reeducativo,
pois somos mais condicionados a falar e só ouvir o que julgamos ser do nosso
interesse.
No entanto, tão
importante quanto "saber falar" é "saber ouvir". Saber
ouvir é desenvolver a escuta ativa e dar toda a atenção e ajuda para a outra
pessoa se comunicar. Trata-se de uma atitude de consideração e respeito ao
interlocutor. A escuta ativa é a expressão de uma atitude de abertura ao
diálogo. Devemos sempre estar preparados para um processo de comunicação de mão
dupla, privilegiando mais o ouvir do que o falar. Ao falarmos em profusão,
prejudicamos nosso potencial de eficácia e interação, exaurindo a capacidade de
atenção e reflexão do interlocutor.
Inabilidade
em dar e receber feedback
Uma das
principais causas de insucesso nas organizações é a falta de feedback. Isso torna as comunicações
deficientes e geradoras de conflitos e impasses. De um modo geral, as pessoas
não se sentem comprometidas em dar retorno, seja pela falta de hábito,
negligência ou desvalorização do outro, seja pela simples falta de educação. Daí,
as crises crônicas de relacionamento, disputas de poder e falta de integração.
Uma das reclamações mais constantes relacionada à comunicação empresarial diz
respeito à falta de feedback entre a
direção e o corpo funcional da empresa, o que reflete e se perpetua em todo o
ambiente organizacional e na relação líder/equipe.
O feedback é um processo que promove
mudanças de atitudes, comportamentos e pensamentos. É a realimentação da
comunicação a uma pessoa ou grupo, no sentido de fornecer-lhe informações sobre
como sua atuação afeta outras pessoas ou situações. Porém, o feedback eficaz é aquele que ajuda
pessoas e grupos a melhorarem seus desempenhos.O sucesso numa situação de feedback ocorre no momento em que, ao dá-lo,
você percebe que ele também é útil para você.
Muita ação e pouca reflexão
Desde pequenos, na escola, somos condicionados a memorizar conceitos sem
questionar, em busca de notas para aprovação. No ambiente corporativo, somos
induzidos a agir de forma reativa para alcançar os melhores resultados. É a
predominância do ativismo, em que ninguém tem tempo para pensar. De
preferência, é melhor não refletirmos sobre o que tem de ser feito. Assim, sem
buscar sentido ou razão, precisamos executar tarefas e superar metas,
apresentando as mais altas performances.
Porém, se
pararmos para pensar e refletirmos um pouco, veremos que não é possível ter
qualidade de vida dentro de um modelo único que inibe o pensamento crítico, em
prol da máxima produtividade e rentabilidade. Isso só se viabiliza por meio do
exercício do pensamento crítico e da reflexão individual e coletiva. Lideranças
e organizações já se conscientizaram sobre essa questão e buscam, por meio de
programas de educação corporativa, favorecer o exercício do pensamento
reflexivo em prol da construção de uma realidade empresarial mais humana,
feliz, criativa e inovadora.
Inaptidão
em conviver produtivamente com as diferenças
A dificuldade
de encontrar solução para os problemas ligados à falta de comunicação está
exatamente na falta de uma educação norteada pela cultura do diálogo e pelo ato
de refletir em grupo, respeitando as diversidades culturais e ideológicas de
cada pessoa, para consolidar um ambiente de convivência das diferenças. Se as
diferenças são aceitas e tratadas em aberto, a comunicação flui fácil, em dupla
direção, as pessoas ouvem as outras, falam o que pensam e sentem e têm
possibilidades de dar e receber feedback.
Líderes que se fecham em si mesmos são incapazes de pensar e refletir sobre
seus valores, procedimentos e atitudes.
A falta de
diálogo predispõe posturas arrogantes e condutas agressivas, que, na verdade,
expressam uma necessidade de auto-afirmação e inabilidade para o
relacionamento. Lideranças ensimesmadas não conseguem perceber a riqueza de
soluções que se encontram nos outros e que podem ser descobertas pela abertura
para o diálogo. Novos negócios podem surgir da simples dinâmica de conversação
e de relacionamento humano.
Falta do compartilhamento de opiniões e
sentimentos
De nada adianta a virtuosidade de líderes ou profissionais geniais, se eles não
sabem se comunicar ou relacionar-se com a diversidade humana. Por isso, mais do
que nunca, comunicação e relacionamento humano precisam estar integrados aos
programas de ensino e capacitação. Apenas por meio da comunicação e da
convivência das diversidades encontraremos as soluções para os problemas
sociais, ambientais e econômicos que afligem a humanidade. O segredo do diálogo
bem-sucedido é simples. Antes de tudo, é necessário um estado de espírito
favorável à convivência da diversidade humana. Daí em diante, a comunicação
eficaz entre líder e equipe será resultante da postura de saber ouvir e dar
retorno.
Fonte:
Revista Melhor
