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Prática esportiva sem orientação pode causar lesões na coluna vertebral


Item atualizado Segunda-feira 01 de Setembro de 2008 Segunda-feira 01 de Setembro de 2008

O médico ortopedista Joaquim Reichmann alerta para as principais lesões desencadeadas com a prática de atividades físicas

Saúde, corpo perfeito ou aperfeiçoamento de determinada modalidade. Estes são alguns dos principais motivos que levam cada vez mais pessoas a incluírem na sua rotina a prática de exercícios físicos. Porém, o que muitos não sabem é que a prática de exercícios sem orientação de um profissional especializado pode causar danos na coluna vertebral. Nesta entrevista, o médico ortopedista Joaquim Reichmann, diretor da Clínica Reichmann de Chapecó, especializada em ortopedia, cirurgia do joelho, ombro, quadril e traumatologia dos esportes, alerta para as principais lesões desencadeadas com a prática de atividades físicas, bem como a importância sobre os cuidados com a coluna.

De que forma a coluna vertebral é dividida e quais as regiões que mais sofrem com lesões em atividades esportivas?

Joaquim Reichmann - A coluna é dividida em três regiões: cervical com sete vértebras, torácica com doze vértebras e lombar com cinco vértebras. A coluna cervical e a lombar são as que mais sofrem lesões em atividades esportivas. Cada região possui características anatômicas diferentes das outras, assim como os sinais e sintomas das lesões nessas regiões. Outro fator importante é que pessoas com idade superior a quarenta anos de idade praticam mais esporte do que há alguns anos atrás, e que os problemas degenerativos (desgastes) e osteoporose na coluna também contribuem em alguns tipos de lesões.

Quais as principais lesões decorrentes da prática de exercícios físicos?

Reichmann - Uma delas é a distensão cervical, que consiste num estiramento simples ou ruptura completa que ocorre em tecidos moles de sustentação da coluna cervical como os tendões, ligamentos e músculos. A distensão também pode envolver discos intervertebrais, os chamados amortecedores, a cartilagem e até mesmo fratura de vértebra. O mecanismo pode ser de hiperflexão ou hiperextensão da coluna cervical.

Outra agressão à coluna trata-se da lesão dos discos cervicais. Eles são os chamados amortecedores que estão entre as vértebras e próximos as raízes nervosas que na coluna cervical são relativamente mais fixas, do que no restante da coluna. Quando estes mecanismos promovem a lesão do disco cervical, a hérnia (abaulamento) provocada é do tamanho de uma ervilha, porém suficiente para provocar compressão nervosa.

Como é realizado o tratamento para solucionar lesões desta natureza?

Reichmann - O tratamento é feito através do uso de colar cervical para imobilização, uso de analgésicos, antiinflamatórios não hormonais, relaxantes musculares, calor local e fisioterapia. O tratamento cirúrgico é indicado quando persistem os sintomas de compressão de raiz, como dormência, formigamento, perda de força. Nestes casos, acontece a retirada do fragmento de disco que está mecanicamente comprimindo e com fusão das vértebras no local da retirada do disco.

As fraturas cervicais são consideradas as lesões mais graves. Qual o motivo?
Reichmann - Nesses casos, as lesões são provocadas por alta velocidade e energia cinética. Assim as fraturas são consideradas mais graves porque podem levar a tetraplegia - imobilização definitiva de braços e pernas. O tratamento é a redução da fratura e descompressão do nervo, que pode ser feito com método de halo-colete ou até mesmo cirúrgico.

A coluna lombar também é bastante lesada na prática de vários esportes. Quais as modalidades que mais oferecem riscos e quais as lesões mais freqüentes?

Reichmann – A Coluna Lombar é bastante lesada na prática de vários esportes, principalmente, aqueles ligados ao peso, como halterofilismo, fisiculturismo e os com impacto axial repetitivo, como o vôlei, basquete e pára-quedismo, levando muitas vezes, a fraturas por fadiga. Eles ocorrem principalmente entre a quarta e quinta vértebras lombares e a quinta lombar e a primeira vértebra sacral, levando as chamadas espondilolises e espondilolísteses (escorregamento vagaroso de uma vértebra sobre a outra).

As lombalgias mais simples são provocadas por distensão na musculatura e ligamentos lombares, principalmente se o esforço é muito grande, e se o atleta não estiver condicionado e alongado. As hérnias de disco são mais comuns entre a quarta e quinta vértebra lombar e a quinta lombar e primeira sacral que podem ser agudas ou crônicas. Elas acontecem como conseqüência de um esforço excessivo em flexão, rotação e carga, comuns em halterofilistas, arremessadores de disco e de martelo, boliche e handball.

Cada disco vertebral fica interposto entre duas vértebras, ele tem uma parte central semilíquida (núcleo pulposo) e duas placas cartilaginosas que separam os núcleos dos corpos vertebrais. Com a sobrecarga, o núcleo pulposo é forçado posteriormente para o canal medular, em direção a raiz nervosa comprimindo-a, o que leva a sinais neurológicos como dor, dormência, formigamento e perda de força, com sensação de “choque” no membro afetado em um ou nos dois membros inferiores.

Em situações como essas como é realizado o diagnóstico e qual o tratamento mais indicado?

Reichmann - O diagnóstico é feito através do exame clínico, raios X simples, tomografia computadorizada e ressonância magnética. As fraturas que ocorrem na coluna lombar são associadas à alta energia cinética, como a queda de altura, quedas assentadas, principalmente no atleta mais velho com o comprometimento degenerativo e de osteoporose da coluna. O tratamento das espondilolise e espondilolístese pode ser conservador ou cirúrgico, mas a interrupção temporária do esporte é necessária. As lombalgias simples respondem ao tratamento com analgésico, antiinflamatório, relaxante muscular, fisioterapia e em alguns casos cinta abdominal. As hérnias de disco, na maioria dos casos, respondem com tratamento conservador como repouso maior, medicação e fisioterapia.






Mais informações:
Marcos A. Bedin - MB Comunicação
Unimed Chapecó
(49) 3323-4244, (49) 9967-4244
mb@mbcomunicacao.com.br



Fonte: Unimed Chapecó.  Autor: Marcos A. Bedin - MB Comunicação .




(53) 3309-4900


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