Canal Profissionais da Saúde

Espaço exclusivo para os profissionais da área da saúde. As informações contidas neste canal são técnicas e podem ser interpretadas de forma incorreta por leigos.

Dependência digital: quando um hobby vira doença
O uso excessivo de internet e aparelhos eletrônicos por razões não acadêmicas e não profissionais tem se tornado uma preocupação constante. Em países como Japão, China e Coreia, essa dependência já é considerada problema de saúde pública. No Brasil, estima-se que 10% da população seja viciada digitalmente. Entre os itens de dependência estão e-mails, bate-papo, jogos on-line, compras, sites com conteúdo especifico (eróticos, de relacionamento, busca de informações, etc.). No caso dos smartphones, existe inclusive uma definição específica: nomofobia. O termo diz respeito ao mal-estar ou ansiedade que as pessoas apresentam quando não estão com seus celulares.

Em entrevista ao Portal Unimed, o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, detalha os principais critérios de dependência digital, as consequências e possíveis tratamentos. 

Portal Unimed: Como é possível identificar a dependência digital? 
Cristiano Nabuco: É preciso observar os comportamentos que indicam que o indivíduo tende a trocar e preferir o que seria feito em sua vida em tempo real pela realidade virtual. Por exemplo, uma pessoa que não se relaciona mais “em carne e osso” com outras pessoas, mas interage naturalmente através da internet. Ou seja, o indivíduo troca as experiências da vida real pela virtual basicamente por um simples motivo: na vida virtual, ele se sente mais protegido e desenvolve uma tranquilidade maior, fazendo com que a realidade virtual se torne o nível de “existência” que ele mais prefere, pois lá ele tem o controle e consegue elaborar uma visão melhor sucedida de si mesmo e de como se apresentar.

Entre os principais critérios de dependência digital estão: preocupação excessiva em se manter on-line, necessidade de aumentar o tempo conectado para ter a mesma satisfação, fazer esforços repetidos para diminuir o tempo de uso, apresentar irritabilidade e/ou depressão, quando o uso da internet é restringido ou quando está longe dos eletrônicos, permanecer mais tempo conectado do que o programado, estar com o trabalho e as relações familiares/sociais em risco pelo uso excessivo dos eletrônicos e internet. 

Portal Unimed: Quando o uso excessivo se torna um vício? 
Nabuco: Cada indivíduo apresenta uma reação distinta. Há pessoas que utilizam constantemente os eletrônicos e internet, mas continuam no controle da situação. A questão se torna problemática no momento em que o indivíduo não consegue mais controlar quanto isso está sendo saudável ou adequado para a sua vida. 

Portal Unimed: Quais são as principais complicações que o uso exagerado de aparelhos eletrônicos pode trazer? 
Nabuco: Problemas de ordem de saúde física – coluna, nuca, pescoço, articulações das mãos e punhos; problemas ligados à dificuldade para dormir, pois a luminosidade dos aparelhos interfere no ciclo do sono; problemas de bem-estar, etc. Há efeitos em todos os âmbitos. 

Portal Unimed: Após identificado o vício, quais são as possibilidades de tratamento? 
Nabuco: O tratamento baseia-se principalmente em psicoterapia e, em casos mais graves, quando a dependência está associada a outros transtornos psiquiátricos, é preciso o uso de medicamentos. 

Portal Unimed: De que forma é possível estabelecer uma convivência saudável com a tecnologia? 
Nabuco: Na mesma medida em que se estabelece uma relação com qualquer outra atividade da vida - exercícios físicos, alimentação, estudos, etc. Afinal, ninguém passa o dia inteiro focado em uma atividade apenas - praticando exercícios, trabalhando ou estudando. Cada item é cadenciado dentro da rotina. 
Conteúdo aprovado pelo coordenador técnico científico do Portal Unimed Conteúdo aprovado pelo coordenador técnico científico  do Portal Unimed
Política de Privacidade | Favoritos | Indique este Site
Portal Nacional de Saúde - Unimed do Brasil
Copyright 2001-2016 Portal Unimed. Todos os direitos reservados
Agência Nacional de Saúde