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O Whatsapp na relação entre médico e paciente
Uma pesquisa divulgada em novembro de 2015 pela consultoria britânica Cello Health Insight revelou que 87% dos médicos brasileiros haviam utilizado o aplicativo Whatsapp nos trinta dias anteriores para se comunicar com os pacientes que atendem. Nos Estados Unidos o percentual foi de 4% e no Reino Unido 2%.  Em relação à legislação brasileira, o Conselho Federal de Medicina proíbe prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente, salvo em algumas situações específicas. 

Em entrevista ao Portal Unimed a médica Maria Lucia Oppermann, que debateu sobre o tema “Consulta médica nos tempos de Whatsapp” no XIX Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia, fala sobre as situações em que a utilização do aplicativo entre médico e paciente pode ser feita, e orienta sobre como fazer uso desse recurso sem correr riscos de prejudicar o tempo fora do consultório. 

Portal Unimed: Em quais situações a troca de mensagens via Whatsapp entre médico e paciente é aconselhável?
Maria Lucia Oppermann: O artigo 37 do Código de Ética Médico (CEM) veda ao médico “prescrever tratamento ou outros procedimentos sem exame direto do paciente, salvo em casos de urgência ou emergência e impossibilidade comprovada de realizá-lo, devendo, nesse caso, fazê-lo imediatamente após cessar o impedimento”. 
Dessa forma, o médico pode na comunicação de condição aguda por parte do paciente, orientá-lo onde conseguir atendimento; e nas condições de urgência/emergência já previstas no artigo acima. 

Portal Unimed: Quais cuidados o médico que opta por ter esse contato via mensagem instantânea precisa ter? 
Maria Lucia Oppermann: As mensagens ficam gravadas e podem ser aceitas como provas em uma eventual situação de conflito posterior. Como o médico não tem respaldo do CEM para o atendimento médico à distância, é uma situação potencialmente arriscada. 

Portal Unimed: O Whatsapp não tem restrição de dia e horário. Como o profissional pode fazer uso das mensagens instantâneas sem correr riscos de prejudicar seu tempo fora do consultório?
Maria Lucia Oppermann: O médico pode esclarecer ao paciente, durante a consulta médica, qual é sua política de atendimento fora do horário de trabalho e deixar claro se estará ou não disponível fora do horário de atendimento convencional. É importante educar o paciente sobre a existência de vedação ética ao atendimento médico à distância, exceto em situações excepcionais. 

Portal Unimed: Quais orientações devem ser repassadas aos pacientes para que o contato on-line seja benéfico para ambos?
Maria Lucia Oppermann: No mundo médico internacional não há essa discussão – o que se discute é a segurança dos chats médicos que só aceitam médicos, e nos quais os colegas discutem casos entre si. Já há parecer do Conselho Federal de Medicina nº 24/16 que aborda essa situação e cita a legislação ética existente.
O contato on-line médico/paciente deve ser muito criterioso e não deveria envolver tentativa de diagnóstico e tratamento à distância, para preservar a segurança do paciente e do próprio médico. 
Conteúdo aprovado pelo coordenador técnico científico do Portal Unimed Conteúdo aprovado pelo coordenador técnico científico  do Portal Unimed
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