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Prescrição de atividade física na insuficiência cardíaca
Publicações mostram que até meados dos anos 70 a participação em programas de atividade física não era indicada para portadores de insuficiência cardíaca, com o argumento de que o exercício agravava os sintomas, ocasionando a piora da função cardíaca. O ano de 1977 representa uma mudança histórica a respeito desse conceito, pois foi publicado o primeiro de uma sequência de trabalhos sugerindo que atividades físicas melhoram a tolerância ao exercício.  

Em entrevista ao Portal Unimed, Guilherme Veiga Guimarães, coordenador do Laboratório de Atividade Física e Saúde do Instituto do Coração, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fala sobre cuidados que são necessários ao prescrever atividade física para portadores de insuficiência cardíaca, em quais situações os exercícios são contraindicados e exemplos de programas seguros que podem ser usados como medida complementar de tratamento. 

Portal Unimed: Uma das características da insuficiência cardíaca é a intolerância ao exercício. Através da prática de atividade física contínua é possível que um paciente obtenha melhora da tolerância? 
Guilherme V. Guimarães: Entre os sintomas da insuficiência cardíaca estão a dispneia e a fadiga, associadas à baixa tolerância às atividades habituais. Quando o paciente é submetido a um programa de condicionamento físico esses sintomas diminuem e, consequentemente, proporciona melhor qualidade de vida. Estudos realizados com maior número de pessoas mostraram que a prática da atividade física não aumentou a sobrevida dos pacientes com insuficiência cardíaca, mas teve impacto significativo na redução dos sintomas e da intolerância ao exercício. 

Portal Unimed: Quais cuidados um clínico geral ou um geriatra devem ter ao avaliar e prescrever atividade física para portadores de insuficiência cardíaca? 
Guilherme V. Guimarães: Devido ao aumento da expectativa de vida mundial, a insuficiência cardíaca é uma condição característica da população adulta (acima de 40 anos), especialmente entre os idosos. Além da insuficiência cardíaca, os pacientes costumam apresentar outros problemas que vão além da parte cardíaca, como doenças degenerativas e doenças musculoesqueléticas, as quais devem ser levadas em consideração no momento de prescrever a atividade física mais adequada, que possa ser benéfica também para reduzir os sintomas das demais complicações. 

Geralmente, o paciente não pratica atividade física regularmente, pois não é algo que faça parte dos hábitos de vida dele. No momento da prescrição é necessário levar em consideração o histórico do paciente, traçar um perfil, pois há casos em que a pessoa tem alguma limitação que, por exemplo, a atividade de esteira ou bicicleta pode não trazer tantos benefícios para o coração, pois ocasiona dor no joelho, dor nas costas, o que faz com que o paciente descontinue a programação da atividade prescrita. É necessário repensar a forma de prescrever exercícios para os pacientes para que haja maior adesão e continuidade da prática. 

A reabilitação cardiovascular envolve uma equipe toda - nutricionista, psicólogo, médico, educador físico, etc. Em geral, é preciso fazer um teste ergométrico, observando os sintomas, comportamentos da frequência cardíaca, da pressão arterial e do eletrocardiograma antes, durante e após o esforço, para identificar arritmias mais complexas ou algo que possa impedir que o paciente faça alguma atividade física. É possível também realizar algum procedimento para controlar melhor a frequência cardíaca antes de iniciar um programa de atividade física. 

Portal Unimed: Em quais situações a atividade física é contraindicada? 
Guilherme V. Guimarães: No caso de pacientes com arritmias severas que são difíceis de controlar, pacientes que não tiveram a dose de sua medicação otimizada, pacientes com insuficiência aórtica de grau moderado a severo e paciente descompensado com sintomas de piora da insuficiência cardíaca.  Nessas situações, por exemplo, é arriscado submeter o paciente à atividade física, pois pode provocar arritmia cardíaca, mal-estar e complicar o quadro do paciente. 

Portal Unimed: Quais programas de atividade física podem ser utilizados de forma segura como medida complementar de tratamento aos portadores de insuficiência cardíaca? 
Guilherme V. Guimarães: Temos realizado trabalhos com pacientes utilizando a técnica pilates e os benefícios têm sido significativos. Outra possibilidade é o trabalho em piscina aquecida, voltado para a prática de hidroginástica, no qual os pacientes com insuficiência cardíaca apresentaram uma boa melhora da sua capacidade física, com redução da falta de ar e do cansaço. Nesse caso, é fundamental que a piscina esteja aquecida acima de 30 graus e a altura da água não ultrapasse a “boca do estômago”. A dança de salão também pode contribuir para a melhora da capacidade física do paciente com insuficiência cardíaca. 

Alguns estudos apontam que a atividade física intervalada é mais eficaz do que a contínua. O treino intervalado consiste em programar na esteira, por exemplo, uma carga de baixa intensidade e alta intensidade, de forma cíclica, para recuperar a frequência cardíaca e dar outro estímulo, dentro de um limite de segurança com base no teste de esforço e avaliação cardíaca. Através da atividade intervalada obtém-se melhora do sistema autonômico e os sistemas parassimpático e simpático se tornam mais efetivos. 

Portal Unimed: Durante a prática de exercício intenso, o risco de eventos cardiovasculares é maior do que em atividades habituais, leves e moderadas. A quais sinais deve-se estar atento para evitar uma complicação? 
Guilherme V. Guimarães: É fundamental que o paciente com insuficiência cardíaca tenha o acompanhamento de um profissional durante a prática de exercícios físicos. Alguns parâmetros podem ser utilizados para identificar que algo não está bem, como frequência cardíaca, pressão arterial, lábio cianótico e sudorese diferente. É preciso observar esses sinais e não insistir na prática da atividade naquele momento. 
Conteúdo aprovado pelo coordenador técnico científico do Portal Unimed Conteúdo aprovado pelo coordenador técnico científico  do Portal Unimed
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