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A Gestão do Samba

Dr. André Pimentel

20 Fevereiro 2015 -

O Carnaval é, sem dúvida, uma das maiores manifestações da cultura brasileira. Sua grandiosidade transformou-o não apenas em um dos mais importantes eventos do País, mas também em responsável por parte significativa da “marca Brasil” no mundo. O “País do Carnaval” é, na verdade, o país de vários carnavais, pois os festejos de Momo são comemorados de maneiras diferentes pelo território nacional,  o Carnaval de rua de Olinda e Recife não é exatamente igual aos desfiles de trios elétricos de Salvador e se parece muito pouco com os desfiles das escolas de samba de São Paulo e Rio de Janeiro, que, claramente, são os maiores ícones dessa festa. Observa se que a montagem de um desfile de Carnaval, na verdade, é consequência de um trabalho contínuo, que entre vários fatores fundamentais, exige: Planejamento, Estratégia, Trabalho em equipe, Organização, Criatividade e Disciplina.

 

Que não se engane quem olha de longe: só com esses elementos as escolas de samba alcançam o resultado esperado com a qualidade esperada. Então, o Carnaval tem a ver com gestão de empresas ou não? Pode guardar lições para os gestores?

A festa carnavalesca como é conhecida atualmente surgiu em Paris, durante a Revolução Francesa, com grandes bailes e exibição de alegorias luxuosas, além do desfile de grupos pelas ruas disputando a atenção das pessoas. Era indiretamente ligada à tradição católica medieval, aconteciam sete domingos antes da Páscoa, quando os católicos dão adeus à carne (“carne vale”, em latim) para reencontrá-la quando celebram a ressurreição de Cristo , mas a burguesia impôs uma nova maneira de festejo, percebendo o alto potencial de lucro e prazer que a ocasião proporcionava.

As Escolas de Samba surgiram no Rio de Janeiro a primeira delas foi a Deixa Falar, fundada em 1928. O termo “escola” é fundamental para entendermos a cultura existente nessas agremiações. Seus integrantes se reuniam nos bairros e se intitulavam “escola” porque consideravam que ali o aprendizado era compartilhado.

A cultura das comunidades desses bairros está necessariamente presente nas escolas de samba e, mesmo com o passar dos anos, crenças e valores ainda são identificados e têm grande importância as tradições são mantidas, respeitadas e mostradas durante os desfiles. Podemos dizer que a escola de samba é uma grande organização, cujos produtos finais são as emoções.

 

Por trás de um desfile existe toda uma estrutura complexa, semelhante a uma linha de produção, cujo objetivo final é entregar um show de emoção, encantamento e alegria para seus diferentes “clientes”. Para isso, é feito um trabalho durante o ano inteiro, gerando empregos, criando processos, desenvolvendo a criatividade, gerenciando verbas e tempo, e administrando uma enorme quantidade de pessoas, com culturas, formações, objetivos e responsabilidades bastante diferentes. Entre vários aspectos em que uma escola de samba pode ser comparada com uma empresa e oferecer-lhe lições, vale destacar alguns que parecem especiais:

 

A satisfação do cliente: Como qualquer empresa, uma escola de samba também tem diferentes públicos, claramente identificados: seu produto principal, a emoção, deve ser entregue não apenas para o folião que pagou caro para desfilar nas escolas do grupo especial de São Paulo ou Rio o preço médio de uma fantasia é cerca de um salário mínimo, mas também para as pessoas que pagaram ingresso no sambódromo, com a expectativa de ver o maior espetáculo teatral da Terra. E, não menos importante, há o público que fica em casa, assistindo pela televisão, gerando audiência e, como consequência, garantindo a verba de transmissão para o próximo ano. O mais interessante é ver que a maioria das pessoas que desfilam, ou seja, um dos “clientes” da escola, sai da avenida satisfeita, recomendando a experiência para os amigos e familiares e, em geral, voltando no ano seguinte. Isso é exemplo claro de manutenção de cliente e de comunicação boca a boca em sua essência.

 

Generosidade: É bom lembrar que, para que um carro alegórico se movimente na avenida, existem várias pessoas trabalhando dentro dele pessoas que não veem o desfile nem são vistas pela audiência, cuja função é controlar o movimento e os efeitos visuais, e também ajudar alguns passistas no desenvolvimento das coreografias preparadas para aquele carro.

 

Gestão dos detalhes: Existe uma característica única: a escola de samba se prepara o ano inteiro e tem apenas pouco mais de uma hora para apresentar seu trabalho. Para colocar na avenida desfiles maravilhosos, são necessários meses de trabalho para escolher o enredo, definir o samba, ensaiar a bateria, criar fantasias, adereços e carros alegóricos, coreografar passistas etc. Qualquer erro cometido pode ser fatal na hora da apuração, e não existe uma segunda oportunidade.

 

Senso de propriedade: Uma das frases que se ouvem com alguma frequência nas empresas é que os funcionários devem “vestir a camisa da organização”. Na escola de samba isso é feito com naturalidade, pois existe um enorme senso de propriedade, e fica claro quando ouvimos algum integrante comentar: “Hoje tem ensaio na minha escola”. Walt Disney dizia que “você pode sonhar, projetar, criar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo, mas são necessárias pessoas para tornar o sonho realidade”.

 

Trabalho em equipe: Em primeiro lugar, há que se fazer uma distinção: grupo não é equipe. Grupo é apenas um monte de pessoas trabalhando juntas. Equipe é muito mais que isso; é um monte de pessoas trabalhando juntas, de forma integrada, comprometida, com o mesmo objetivo. O engajamento com a escola é por si só suficiente para que as pessoas façam o seu melhor. Como fazer para criar uma organização como uma escola de samba, que tenha sucesso em um ambiente complexo e, por vezes, caótico– como o do Carnaval? Fazendo um paralelo entre a gestão de uma escola de samba e as ideias defendidas pelo Didier Marlier, as organizações empresariais trabalhem com três agendas, como fazem as escolas de samba na prática e intuitivamente: logos, ethos e pathos.

A agenda intelectual (logos) indica que os líderes devem proporcionar oportunidade para que as pessoas contribuam para o desenvolvimento das organizações. Uma escola de samba é um grande exemplo de criatividade, e essa criatividade só se consegue com a participação de todos, pois as boas ideias não são propriedade apenas dos ocupantes de níveis hierárquicos superiores. Exatamente por isso, as escolas não só aceitam, como também incentivam as novas ideias: novos materiais, novos andamentos de bateria, novas coreografias, novos efeitos e novos enredos só se conseguem com a participação ativa de todos.

A agenda comportamental (ethos) mostra que a credibilidade dos líderes é resultado de seu comportamento, que deve ser coerente com seu discurso. As pessoas costumam observar detalhadamente seus líderes antes de segui-los, para ver se eles têm um comportamento compatível com as intenções declaradas. Em palavras mais simples, o exemplo vem de cima.

Nas escolas de samba isso também é visível. Cientes de que todos os integrantes da escola precisam cantar o samba, para que não se perca ponto no quesito harmonia, os diretores de uma escola são os primeiros a decorar a letra. Só assim é possível cobrar que, durante os ensaios e especialmente durante o desfile, a escola cante em uníssono.

A agenda emocional (pathos) explica que os líderes devem criar “marcadores emocionais” para começar a mover as pessoas. Isso geralmente é feito com o uso de símbolos, histórias, metáforas, gestos, ou seja, elementos que existem à vontade dentro de uma escola de samba. Daí a importância de iniciar os ensaios com todos cantando o samba de exaltação à escola. Também fica claro porque os símbolos das escolas e suas histórias são conhecidos por grande parte da comunidade, ou porque os líderes sempre iniciam os rituais de, por exemplo, reverenciar o pavilhão.

Essa forma de gestão, que todos os anos nos brinda com um espetáculo maravilhoso, não é obra do acaso. Ao contrário, é fruto do trabalho incansável de inúmeras pessoas que, trabalhando em equipe, conseguem criar um show que conquistou o mundo. Muitas pessoas questionam se o Carnaval é uma brincadeira. Para PONTES, a resposta favorita é: “Sim, o Carnaval é uma enorme brincadeira. Porque não existe nada mais sério do que uma brincadeira”. Afinal, como nos ensina a velha sabedoria, “se você não está se divertindo, é porque não está fazendo direito”. Uma lição inestimável para as empresas.

 

Texto: Marcelo Chiavone Pontes, professor da ESPM

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