Quarentena: Dicas para pais e filhos no Dia Contra a Obesidade Infantil

        03 de junho, 2020


 

A preocupação com a obesidade infantil no Brasil fica evidente diante dos números divulgados pelo Ministério da Saúde: a cada dez crianças, três estão acima do peso. Este 1/3 da população que ainda nem chegou à fase adulta está mais suscetível a problemas físicos e emocionais tanto agora quanto no futuro. O excesso de gordura corporal aumenta em 40% o risco de câncer, conforme dados do Instituto Brasileiro do Câncer (Inca), além de multiplicar os perigos de doenças cardiovasculares.

IMPORTANTE: De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade, independentemente da idade, está entre os fatores que elevam o risco de complicações para pacientes diagnosticados com Covid-19.

Neste Dia de Conscientização Contra a Obesidade Infantil (3 de junho), a Unimed Cascavel faz um alerta e tenta encontrar caminhos para o bem-estar de crianças e adolescentes que, devido à quarentena por causa do Novo Coronavírus, encaram um desafio ainda maior para manter a alimentação saudável, praticar exercícios e ficar longe do celular, da TV e do videogame.

Questão emocional

Já que está todo mundo dentro de casa, a psicóloga Ariella Sousa, do setor de Medicina Preventiva da Unimed Cascavel, traz os pais para a conversa, destacando o quanto é necessário o envolvimento deles para a ansiedade deste período não se transformar em transtornos alimentares. “Quando se trata de criança e de adolescente, precisamos envolver muito a família. A criança ainda não possui independência, ou seja, está amadurecendo física e emocionalmente. Então, cabe aos pais darem o suporte necessário, orientar e trazer esse entendimento de como lidar com as emoções. Os pais devem moderar o excesso de tecnologia, que pode atrapalhar nesta hora, e também podem trazer de volta as brincadeiras da própria infância para se aproximar dos filhos”, explica a psicóloga.

Já para os pré-adolescentes e adolescentes, o desafio diz respeito a fatores mais complexos, que incluem questões hormonais, mudanças da aparência e os efeitos de tudo isso na saúde emocional. “Para os adolescentes, a palavra é: compreensão. Agora que estão somente em casa, eles se perguntam: ‘qual é a minha tribo?’ Essa sensação de estar deslocado contribui ainda mais para uma aflição que vai além da pandemia. Por isso, os pais devem vir com a compreensão e com a empatia. É preciso ouvir e acolher. Nesse período, o diálogo precisa ser fortalecido”, complementa Ariella.

Emoções X alimentos

Tanto psicólogos quanto nutricionistas concordam que a ansiedade deste momento que vivemos pode levar a transtornos alimentares. É o velho e conhecido perigo da comida servir de “válvula de escape”.  A nutricionista Gabriella Vieira, também do setor de Medicina Preventiva da Unimed Cascavel, tem dicas importantes para pais e filhos.

Unimed Cascavel - Neste momento de quarentena, quais são as recomendações para crianças e adolescentes manterem uma dieta saudável?
Gabriella Vieira - Os pais devem dar o exemplo, consumindo os mesmos alimentos oferecidos às crianças. Devem disponibilizar frutas, verduras e legumes nas refeições, junto aos alimentos preferidos, tornando-os acessíveis (lavados, descascados e picados). Devem incluir as crianças no preparo de receitas, como salada de frutas, bolos e tortas caseiras. Essa interação é importante para estimular o contato, principalmente com novos alimentos. É importante evitar fazer as refeições na presença de dispositivos eletrônicos, como televisão, computador, celular, tablete. Também é importante oferecer água com frequência e evitar bebidas açucaradas, além de limitar a oferta de alimentos industrializados, como biscoitos, sorvetes, carnes processadas (hambúrguer, salsicha etc.) e salgadinhos.

Unimed Cascavel - A ansiedade pode gerar transtornos alimentares?
Gabriella Vieira - As mudanças emocionais advindas do estresse das circunstâncias atuais se refletem no comportamento alimentar. As manifestações variam desde comer excessivamente através do aumento da frequência da alimentação ou compulsão alimentar até a restrição alimentar.

Unimed Cascavel - Existe alguma recomendação especial para crianças e adolescentes neste período?
Gabriella Vieira - A dieta precisa ser balanceada, levando em conta o equilíbrio dos nutrientes, alimentos que a família tem por preferência, inserindo principalmente os grupos de frutas, verduras e legumes durante o dia. O incentivo a atividades e brincadeiras novas também e de grande importância. Entre as atividades que podem ser feitas estão as de leitura e escrita. Peça para os seus filhos fazerem uma lista do que há na despensa e na geladeira. Depois, peça que consultem sites de receitas on-line para encontrar refeições e lanches que utilizem o que tem disponível. Para estimular a matemática, conte os números de ingredientes, medindo colheres e xícaras. Faça um balanço de itens da despensa ou planeje o tempo que levará para preparar, cozinhar e comer. Também é possível envolver ciência e biologia, trazendo as crianças para assarem o pão, cozinharem um ovo ou criarem um molho caseiro para saladas. Pesquise para descobrir a ciência por trás das mudanças nos ingredientes quando aquecidos ou misturados.

Unimed Cascavel - E quais são as dicas para incluir as atividades artísticas na alimentação das crianças?
Gabriella Vieira - A dica a é praticar a criação de pratos divertidos e coloridos. Neste período, isso é fundamental para envolver as crianças com uma alimentação saudável e divertida. Um exemplo são as comidas divertidas com frutas, como o caranguejo de maçã com morangos. Os olhos podem ser feitos com banana e 2 gotinhas de chocolate. Tem a centopeia feita com banana cortadinha e patinhas de uva passa e o matinho foi feito com kiwi cortadinho com framboesas. Outra dica é o pavão de pera com uvas e blueberry.


 

Cuidar de você. Esse é o plano.


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