Voltar Comitê Estratégico de TI destaca governança em IA, inovação e evolução dos serviços do Sistema Unimed no Paraná

Comitê Estratégico de TI destaca governança em IA, inovação e evolução dos serviços do Sistema Unimed no Paraná

Troca de experiências entre as Singulares e discussão de casos práticos marcaram os dois dias de debates sobre inovação, gestão de riscos, transformação digital e o futuro da tecnologia no Sistema Unimed paranaense
30 de junho, 2026


Nos dias 16 e 17 de junho de 2026, a Unimed Federação do Paraná promoveu mais uma edição do Comitê Estratégico de Tecnologia da Informação, reunindo representantes das Singulares para discutir temas ligados à governança, inovação, inteligência artificial, segurança da informação e evolução dos serviços tecnológicos compartilhados pelo Sistema Unimed Paraná.

A programação combinou pautas estratégicas voltadas à gestão dos sistemas corporativos com debates sobre os desafios e oportunidades trazidos pela Inteligência Artificial (IA), consolidando o evento como um importante espaço para troca de experiências e alinhamento entre as cooperativas.

Dia 1: Serviços, indicadores e evolução dos sistemas corporativos

O primeiro dia do encontro foi dedicado às iniciativas conduzidas pela Federação em conjunto com as Singulares. Entre os destaques esteve a formalização dos Termos de Prestação de Serviços relacionados ao desenvolvimento, manutenção e suporte dos sistemas Nótus, CRM e Autoriza, além do suporte à infraestrutura de TI. A iniciativa busca fortalecer a governança dos serviços e atender às exigências da Resolução Normativa nº 630 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Durante a apresentação dos indicadores, foram detalhadas as metas de atendimento e qualidade dos serviços. No Help Desk, por exemplo, os compromissos incluem atender dentro do prazo estabelecido pelo SLA ao menos 90% dos chamados relacionados aos sistemas Nótus e Autoriza, além de 95% dos chamados do CRM. Já na manutenção do Nótus e das demandas legais, a taxa de reincidência permanece abaixo da meta estabelecida, demonstrando maturidade nos processos de desenvolvimento.

Também foram compartilhados os avanços dos projetos de evolução do Nótus, incluindo demandas regulatórias, adequações legais e iniciativas estruturantes, como o Cadastro de Prestadores, que já alcançou 98% de conclusão, e a Integração Contábil, prevista para homologação em agosto de 2026.

Para os próximos ciclos, a estratégia contempla o uso de Inteligência Artificial em atividades de documentação, testes e codificação, além da modernização tecnológica da plataforma, atualizações de banco de dados, melhorias de desempenho e monitoramento e ampliação dos modelos de comunicação com as Singulares.

No CRM, foram apresentados os projetos de Absorção Cadastral e Comissionamento, além da automatização do tratamento das NIPs, utilizando recursos de RPA para captura de dados, rastreabilidade de processos e análises preditivas.

Outro tema abordado foi a reformulação dos manuais do sistema Nótus. O trabalho, desenvolvido a partir de oportunidades de melhoria diagnosticadas durante as visitas de relacionamento, sugestões do Help Desk e experiências de migração entre Singulares, resultou em uma nova estrutura de documentação, com padronização de conteúdo, navegação aprimorada e apoio de IA na produção dos materiais.


 

Dia 2: Inteligência Artificial em foco

No segundo dia, a Inteligência Artificial assumiu papel central nas discussões. A principal palestra do evento foi conduzida pela especialista em Direito Digital, Profª Drª Patrícia Peck Pinheiro, que apresentou reflexões sobre governança ética da IA e os desafios regulatórios associados ao uso da tecnologia.

A palestrante destacou que toda estratégia de IA deve começar pela qualidade e pela governança dos dados, reforçando princípios como transparência, finalidade específica, segurança da informação e supervisão humana. Em sua exposição, abordou cinco grandes riscos relacionados ao uso da IA: transparência, alucinações, Shadow AI, vazamento de informações e envenenamento de dados.

Além dos aspectos técnicos e éticos, Patrícia Peck apresentou um panorama das regulamentações que vêm sendo implementadas em diferentes setores, incluindo saúde, Poder Judiciário e administração pública, reforçando a necessidade de criação de estruturas formais de governança para garantir o uso responsável dessas tecnologias.

A especialista encerrou sua participação propondo a implementação de programas de governança de IA baseados em gestão de riscos, capacitação contínua, homologação de ferramentas e registro das interações realizadas com sistemas inteligentes.

Cases de inovação e transformação digital

A programação também trouxe exemplos práticos de aplicação da Inteligência Artificial no Sistema Unimed.

A Unimed Cascavel apresentou o programa TI Inova, responsável por estruturar iniciativas de inovação com foco em resultados mensuráveis. Entre os projetos apresentados esteve o Autorizaí, ferramenta de auditoria de guias baseada em IA, capaz de realizar aprovações em cerca de um segundo para casos de alta confiabilidade. O projeto já analisou mais de 56 mil guias e contribui para uma significativa redução do esforço operacional das equipes.

Na sequência, a Federação apresentou um estudo interno sobre a adoção de IA entre os profissionais de TI. A pesquisa revelou ampla utilização dessas ferramentas pelos colaboradores, com destaque para soluções como ChatGPT, Microsoft Copilot e Gemini. O levantamento também apontou oportunidades de evolução relacionadas à segurança da informação, gestão do conhecimento e padronização de processos.

As iniciativas estaduais também foram destacadas, incluindo ações voltadas à cultura de dados, construção de uma política estadual de IA e utilização do Copilot em atividades administrativas e operacionais.

Nuvem e cibersegurança

O evento reservou ainda espaço para temas relacionados à infraestrutura tecnológica e à segurança da informação.

A migração da Federação para a Oracle Cloud Infrastructure (OCI) foi apresentada como um importante passo na modernização do ambiente tecnológico, trazendo benefícios relacionados à escalabilidade, redundância, recuperação de desastres e otimização de custos.

Outro momento importante do encontro foi o relato da Unimed Ponta Grossa sobre o incidente cibernético ocorrido em fevereiro de 2026. A apresentação detalhou o processo de resposta ao ataque, as medidas adotadas para contenção e recuperação do ambiente e as lições aprendidas a partir da ocorrência.

O case evidenciou a importância de investimentos contínuos em segurança da informação, gestão de riscos e planos de resposta a incidentes, reforçando uma das reflexões deixadas aos participantes: quanto de uma crise uma organização consegue decidir antes que ela aconteça?

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Participantes destacam aprendizado e troca de experiências

Para os participantes, o Comitê reforçou a importância de discutir o uso da Inteligência Artificial sob a perspectiva da governança, da segurança e da estratégia de negócios.

Rodrigo Severiano, da Unimed Norte Pioneiro, destacou que a cooperativa já está avaliando sua maturidade em relação ao uso da IA e ressaltou a relevância das discussões promovidas durante o evento:

"Estamos mapeando a maturidade dos colaboradores em relação ao uso da Inteligência Artificial e buscando entender como essa tecnologia vem sendo utilizada internamente. Um dos pontos mais fortes do evento foi justamente a clareza trazida pela palestra da Dra. Patrícia Peck sobre os desafios e responsabilidades envolvidos. Além disso, a troca de experiências com as demais Singulares gera reflexões importantes sobre como conduzir o uso dessa ferramenta dentro das organizações."

Heron Brand, da Unimed Oeste do Paraná, afirmou que os debates contribuíram para ampliar a visão da cooperativa sobre aspectos que ainda precisam ser desenvolvidos:

"A palestra da Dra. Patrícia Peck ampliou nossa visão sobre diversos aspectos que precisam ser aprimorados internamente. Hoje já utilizamos recursos de IA em iniciativas relacionadas à comunicação e ao atendimento ao beneficiário, mas percebemos que existem pontos importantes de governança e transparência que precisam ser considerados."

Representando a Unimed Cascavel, Carlos Eduardo compartilhou sua visão sobre a rápida evolução da Inteligência Artificial e seu impacto na atuação dos profissionais de tecnologia:

"No início, imaginei que a Inteligência Artificial pudesse ser apenas um fenômeno passageiro, mas ela se consolidou e hoje faz parte da estrutura das organizações. Não consigo mais imaginar um profissional de tecnologia desenvolvendo sua carreira sem compreender como utilizar essas ferramentas. Ainda temos desafios importantes, especialmente em governança, mas a IA deve ser vista como uma aliada para otimizar o tempo, aumentar a produtividade e apoiar a tomada de decisões."

Clique abaixo para assisitir as apresentações:

 


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