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No mês da mulher, Dr. André Canuto, médico ginecologista, fala sobre menopausa

No mês da mulher, Dr. André Canuto, médico ginecologista, fala sobre menopausa

No mês da mulher, Dr. André Canuto, médico ginecologista, fala sobre menopausa

22 Março 2019

Março, mês da mulher e entre tantos momentos que marcam a vida delas um sempre causa muita ansiedade e dúvidas: a menopausa. Esse é  o nome que se dá a última menstruação de uma mulher, que acontece devido à diminuição da produção de hormônios reprodutivos e traz alguns sintomas como a fase do climatério, calores intensos e perda de fertilidade. Muitas mulheres ainda têm dúvidas sobre esse período e dificuldade para aceita-lo. E para tirar essas dúvidas a Unimed conversou com o médico ginecologista. André Canuto.

Unimed:  Qual a idade média que a mulher entra na menopausa?

Dr. André: A idade média em que a mulher entra na menopausa é algo em torno dos 50 anos aproximadamente. As pessoas podem ter pequenas variações, às vezes dois ou três anos para menos, dois ou três anos para mais. É importante entender que menopausa é a última menstruação, e a gente considera uma mulher definitivamente menopausada quando ela já está há um ano sem apresentar ciclos menstruais.

Unimed: Dr. André, a gente escuta falar um pouco sobre menopausa precoce e eu queria que o senhor explicasse um pouco sobre esse acontecimento.

Dr. André: A menopausa precoce é definida quando a paciente começa a apresentar sintomas antes dos quarenta anos de idade. Geralmente existe o que a gente chama de insuficiência ovariana prematura. O climatério, que é o termo correto, nada mais é do que uma parada progressiva do funcionamento do ovário e quando isso acontece antes dos quarenta anos de idade, pode gerar sequelas mais precoces para a mulher como por exemplo a perda de massa óssea, a tendência a osteoporose, queda na qualidade de vida pelos sintomas, dificuldades com a atividade sexual pela atrofia genital que acontece. Isso vai acontecer com todas as mulheres ao longo do tempo, mas na menopausa precoce essa mudança é mais dramática, mais acentuada e como o nome diz, precoce, vai gerar para ela consequências mais cedo.

Unimed: E é possível amenizar esses sintomas da menopausa, seja na precoce ou na menopausa no período correto?

Dr. André: Sim, existem tratamentos. Os principais sintomas que são as ondas de calor que a gente chama de fogachos, ou então a sudorese que acomete principalmente no período noturno e que interfere muito na qualidade de vida da mulher, hoje em dia a mulher é muito ativa, cuida do trabalho, família e de várias atividades, ela consegue ter melhora dessa qualidade de vida. Um dos tratamentos que é preconizado, com vantagens e desvantagens, com riscos e benefícios mas que comprovadamente melhora esses sintomas é a reposição hormonal com os hormônios estrogênio que são os mais necessários ou então a associação dos estrogênios com a progesterona, isso promove uma melhora na qualidade de vida e vai amenizar vários desses sintomas, melhorar o bem estar da paciente.

Unimed:  Sobre climatério, é a mesma coisa que menopausa?

Dr. André: Não, climatério é um termo mais genérico, nós temos dois momentos na vida de mudança do período reprodutivo. Existe um termo que a gente chama lá no início quando a menina tem dez, onze anos de idade que a gente chama de puberdade e dentro desse evento puberdade, que dura quatro, cinco anos, nós temos a primeira menstruação, que a gente chama de menarca. Do mesmo modo, no final da vida reprodutiva, por volta dos 50 anos, um pouquinho antes ou um pouquinho depois, existe o climatério que também dura alguns anos e onde a menopausa é só um fenômeno dentro do climatério. O climatério é um termo mais abrangente que implica não só na parada da menstruação, que a gente definiu como menopausa, como também esses sintomas vasomotores de ondas de calor, de fogachos, de sudorese, de irregularidades da menstruação que geralmente precedem a parada definitiva, no longo prazo a carência do hormônio estrogênio pela falha do ovário vai levar a atrofia da região genital e isso causa sintomas como coceira que é o prurido, sintomas como dificuldade para ter atividade sexual, dor, sangramento, desconforto e no longo prazo. Também o hipoestrogenismo por longo tempo vai levar a perda de massa óssea que é a osteopenia ou então mesmo a instalação da doença osteoporose. Então o termo climatério abrange todo o conjunto de alterações que marcam o final da vida reprodutiva da mulher.

Unimed: E a mulher quando está no climatério ainda consegue engravidar?

Dr. André: Este é um grande mito, conseguir consegue. Enquanto ainda existir algum folículo, alguma possibilidade de alguma ovulação teoricamente ainda há possibilidade de fertilidade, mas obviamente a fertilidade vai declinando conforme os anos vão passando, então quanto mais adiantado, mais velha, maior a irregularidade menstrual, menor é a fertilidade. É um mito dizer que a fertilidade possa estar especialmente aumentada nessa época, é exatamente o contrário.

Unimed: Mulheres que usam pílula anticoncepcional desde muito novas podem ter o processo de menopausa acelerado?

Dr. André: De jeito nenhum, é outro mito sem fundamento, a regressão dos folículos que contêm os óvulos no ovário ele é contínuo na vida da mulher desde antes do nascimento, acontece mesmo durante a infância, acontece mesmo durante o período reprodutivo da vida, independentemente de ter gravidez ou de não ter, de ter parto ou de não ter, de amamentar ou não, então o climatério é a regressão dos folículos que contém os óvulos e isso não depende de usar anticoncepcional ou de não usar.

Unimed: Aceitar essa mudança no corpo é essencial para viver bem nessa nova etapa. Queria que a gente encerrasse essa conversa com o senhor deixando uma palavra final para essas mulheres, principalmente para as que estão passando por esse momento de mudança no corpo da chegada da menopausa.

Dr. André: A gente deve ter uma abordagem mais completa, mais integral, mais holística da paciente nessa situação. Eu citei aqui o exemplo da reposição hormonal e é um tratamento útil, bem- vindo, quando respeitadas as indicações e as contra- indicações, mas não é só isso, também tem mudanças de estilo de vida, então é hora de se olhar a qualidade de uma alimentação mais saudável,  de iniciar a prática de atividades físicas após uma avaliação médica, é hora de controlar outras doenças que podem existir paralelamente ao período do climatério, como por exemplo a hipertensão, diabetes, problemas da tireoide e outros, como elevação do colesterol, do triglicérides, que são comuns nessa faixa etária. E além do mais o estilo de vida saudável implica em abandonar o tabagismo, diminuir o consumo de álcool e os níveis de estresse. O importe é se olhar por completo, se amar, se cuidar e aceitar as mudanças, buscando ajuda médica profissional para viver com saúde por este momento.

 

André Canuto - Médico Ginecologista e Obstetra –CRM: 26999


Graziela Braga