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Nutrição, comportamento e fala

Nutrição, comportamento e fala

Unimed Brusque realiza mais uma etapa do programa “Interagindo com o universo infantil”

Nutrição, comportamento e fala

Unimed Brusque realiza mais uma etapa do programa “Interagindo com o universo infantil”

12 Novembro 2018

Heitor Baron Teske tem apenas 2 anos e três meses, mas já foi responsável por uma mudança bem grande na vida de seus pais, o gerente Maicon Teske e a costureira Daiana Baron Teske. O casal participou na noite desta quarta-feira, 17 de outubro, na sede da Unimed Brusque, da segunda edição do projeto “Interagindo com o universo infantil”. Ao lado de outros pais, Maicon e Daiana puderam esclarecer dúvidas sobre a primeira infância nas áreas da psicologia, fonoaudiologia e nutrição.

“O Heitor é nosso primeiro filho e desde que ele chegou tudo está mais corrido. Precisei reduzir o meu horário de trabalho e costuro quando o meu marido chega em casa. Estamos cheios de dúvidas. Ele come tão pouco! E não é por falta de iniciativa. Às vezes preparo o alimento com tanto carinho. Ele recusa e eu me sinto frustrada”, conta Daiana, ansiosa para ouvir a opinião das profissionais e de outras mães.

“Também tenho dúvidas sobre o início da fala. Até pouco tempo, tinha a impressão de que ele falava mais. Há um mês parou de dizer algumas palavrinhas que já conhecia”, acrescenta Daiana.

Olhar para o lado e perceber que não estavam sozinhos já tranquilizou um pouco a ansiedade desta família. E, durante quase 2h30 de conversa, foi possível perceber mais semelhanças do que diferenças entre os pais que participaram do encontro.

“O objetivo do projeto é informar, de forma prática e prazerosa. Trocar ideias e tirar dúvidas que existem nesta faixa etária sobre nutrição, comportamento e fala. Os pais nem sempre sabem como retirar a chupeta, a mamadeira. Não tem muita certeza sobre o comportamento dos filhos e qual atitude tomar em caso de birra, ou o que fazer quando aparece a recusa alimentar. Então a Unimed Brusque reuniu profissionais de três áreas diferentes para ouvir as demandas e conversar sobre o assunto”, explica a nutricionista da Unimed Brusque, Fabiana Duarte Neves.

Segundo ela, em nutrição, a principal dúvida é a seletividade alimentar. De repente, aquele bebezinho que aceitava frutas, verduras e legumes, começa a recusar estes alimentos. “A partir dos seis meses inicia a introdução alimentar e é comum que, entre um ano e um ano e meio, a criança comece um processo de recusa dos alimentos saudáveis. Isso se deve à rotina da família e, principalmente, à oferta de alimentos com mais açúcar e gordura. A criança aprende através da observação e quando os pais não se alimentam da forma correta, fica difícil cobrar outro hábito da criança”, pontua Fabiana.

A nutricionista explica que, ainda diante da recusa, é importante que a família continue oferecendo o alimento. “Coloque a salada no prato da criança, mesmo que ela não coma. Se ela não quiser, pode deixar no cantinho. Mas é fundamental que ela observe o alimento e se acostume com ele. Só que muitas famílias cometem o erro de não colocar a verdura no prato, porque sabem que a criança não vai comer a alface, por exemplo”, destaca Fabiana.

 

Psicologia

A psicóloga Juliana Cristina Souza esclarece que a proposta do encontro era escutar os anseios, acolher as demandas e reforçar os comportamentos positivos que os pais têm com relação aos seus filhos.

“A criança entre um e dois anos ainda é a extensão dos pais e quer chamar atenção para o que está fazendo ou pensando. E, neste contexto, o comportamento dos pais normalmente se reflete no comportamento da criança”, afirma a psicóloga

Segundo Juliana, esta fase também é marcada pelo experimento. Afinal, pela primeira vez o bebê consegue se movimentar com autonomia, através do engatinhar ou mesmo já dando seus passinhos. “Tudo ele quer tocar, porque aprende através das sensações. Precisa colocar na boca, gosta de fazer barulho, aprendeu a chamar a atenção. Está mais ativo e interessado em explorar. O problema é que talvez tantas descobertas altere a paciência dos pais”, observa a profissional.

Para a psicóloga, esta fase com certeza vai passar e é fundamental que a família permita à criança vivenciar este momento. “Ela está começando a entender o mundo através da percepção. Saliento que a busca de conhecimento dos pais para compreender a fase que o filho está passando e a autopercepção dos comportamentos são importantes para um período mais tranqüilo. Novas fases virão junto com novos comportamentos e sentimentos”, avalia.

 

Fonoaudiologia

Depois dos divertidos balbucios da fase de neném, entre um e dois anos de idade surgem as primeiras palavrinhas e formação de frases curtas. De acordo com a fonoaudióloga da Unimed Brusque, Taissa Garcia, é natural que cada criança tenha seu próprio ritmo de desenvolvimento nesta construção da fala.

“Podemos pensar em atraso a partir dos três anos de idade. Dos dois anos em diante, se a criança não fala ou se comunica pouco, é possível ficar em estado de alerta. Mas a maioria estará dentro do padrão de normalidade aos três anos”, ensina Taissa.

No consultório, uma das principais observações é o tempo que a criança permanece exposta à programação da televisão, computador ou tablets. “Na correria, muitas vezes a família nem percebe. Mas é importante lembrar-se de conversar com a criança e nunca facilitar sua vida. Quando faço a reeducação dos pais, em um mês tenho outra criança no consultório. Isso porque a família aprende a exigir o som, nem que seja um pedacinho da palavra”, enfatiza Taissa.