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Uma empresa diferente!

Uma empresa diferente!

Não é de hoje que o cooperativismo representa uma terceira via para a sociedade. Os exemplos são marcantes nas comunidades que se desenvolvem em torno de cooperativas

Uma empresa diferente!

Não é de hoje que o cooperativismo representa uma terceira via para a sociedade. Os exemplos são marcantes nas comunidades que se desenvolvem em torno de cooperativas

30 Julho 2021

O que é uma cooperativa? Para Paulo Stöberl, advogado e consultor da Equalitas, as cooperativas terão conquistado verdadeiramente seus públicos quando toda a sociedade conseguir enxergá-las como “uma empresa diferente”, como realmente são. No último dia 21, ele e Tomas Sparano, professor da Universidade Estadual do Paraná e consultor da Beecoop Ecossistema de Transformação Cooperativa, continuaram a aula sobre cooperativismo no módulo Institucional e Inovação e Desenvolvimento do   Programa Estadual de Desenvolvimento de Dirigentes. Com a coordenação do presidente da Unimed Paraná, Paulo Faria, Störbel e Sparano debateram sobre o cooperativismo e seu papel nas comunidades em que atuam.

Sparano concentrou na discussão sobre o conceito de comunidade que ele havia iniciado na aula anterior. Tendo em vista a evolução do próprio conceito e as distinções de acordo com determinadas bases teóricas, hoje comunidade diz respeito a um grupo de pessoas que compartilham algo em comum. Não necessariamente área geográfica, mas história e objetivos comuns, entre outros.

Ele destacou a importância fundamental entre cooperativa e comunidade. E exemplificou ações de algumas marcas no mercado buscando atuar de forma engajada e socialmente responsáveis ou apenas com um intuito de marketing. Como a cerveja Patagônia, que ressoa focando o meio ambiente; e a Apple, a inovação. Mas uma cooperativa, frisou ele, precisa ressoar por meio da comunidade na qual está inserida. Coisas como a comunicação é o básico e as plataformas digitais (como clubes de benefícios e outras ações assim), em si, são formas de transpor barreiras físicas. A essência, segundo o professor, é o próprio trabalho da cooperativa e a ativação da comunidade, promovendo seu engajamento. Tendo isso em vista, a cooperativa aborda aspectos importantes, num escopo estratégico, como questões que envolvem serviços sociais, atividades políticas, aspectos econômicos e interesses pelos jovens.

Cooperativismo

Störbel, por sua vez, reforçou o conceito de cooperativa, destacando que para ele não existe cooperativa moderna, a questão é um novo olhar sobre a cooperativa e o cooperativismo e a forma como se integram-se e podem integrar a comunidade. O advogado focou 13 pontos ou perguntas, nas quais pautou sua apresentação: por que o cooperativismo na definição de cooperativa; por que adesão voluntária; por que o patrimônio da cooperativa não é divisível; por que a distribuição do resultado é por operação e não por capital; por que é uma sociedade de pessoas; por que o comando da sociedade está nas mãos só de sócios-cooperados eleitos; por que a supremacia da assembleia geral; por que a dependência da cooperativa em relação ao cooperado; por que a cooperativa não objetiva lucro; por que sobras são diferentes de lucro; por que a cooperativa não é uma empresa; por que singularidade de voto; por que a cooperativa tem fundos obrigatórios, como o Fundo de Desenvolvimento e o Fates - Fundo de Assistência Técnica e Social.

Esses fundos são apenas um exemplo de como os benefícios gerados pela cooperativa permanecem na comunidade da qual ela faz parte, propiciando vários investimentos locais. Primeiro em seus próprios colaboradores, cooperados e clientes e depois na comunidade geral. Afinal, a maior característica de uma cooperativa é que ela nasce da comunidade para a comunidade. Por isso, o cooperativismo é ao mesmo tempo um sistema econômico, social e um modelo de comportamento que molda a conduta do homem na sociedade.  

Se as empresas no estilo tradicional, de capital, hoje investem no aspecto ambiental, social e cultural, além do econômico, as cooperativas pelo simples fato de existirem já trazem isso embutido em seu modus operandi, pelo fato de ser uma sociedade em que o foco principal são as pessoas (e não o capital). Quando diz isso, Störbel lembra (já que pode não ficar muito claro, uma vez que empresas também são feitas por pessoas) que isso significa o fato de que o objetivo maior da cooperativa é oferecer trabalho para os seus cooperados. O foco são os cooperados e sua relação com o consumidor, eliminando os intermediários, e, portanto, focando na qualidade dessa relação. Por isso, não tem lucro, mas sobras. E essas sobras são dos cooperados, para reinvestimentos e como parte da remuneração.

Nada contra as empresas que também oferecem empregos e têm sua função social importante na sociedade. No entanto, a cooperativa tem um papel ímpar colaborando para o fortalecimento dos setores produtivos aos quais está ligada dentro das suas comunidades: agropecuária, saúde, transporte, infraestrutura, trabalho produção de bens e serviços, crédito e consumo, entre outros. No Brasil, são sete, mas existem outros.

Ao final das apresentações, os dois facilitadores foram bastante requisitados, com algumas perguntas dos mais de 40 participantes. O tema cooperativismo fez parte das duas primeiras aulas do módulo. A próxima, marcada para o dia 4 de agosto, vai abordar “A importância do relacionamento humano na cooperativa”, em que discutirá estrutura, cursos, relacionamento com o cooperado e o Jeito de Cuidar Unimed.

Importante

No dia 26 de agosto, haverá a última aula do módulo de Mercado, que teve início no fim do ano passado. O módulo Institucional, Inovação e Desenvolvimento encerra-se no início de setembro. Em seguida, deverão acontecer os módulos de Saúde e Administrativo-financeiro, com a divulgação de programas e datas ainda a ser realizada. Aguardem!


Assessoria de Imprensa

Fonte: Unimed Paraná