Voltar

Com a chegada do outono, é tempo de se prevenir das doenças virais

Com a chegada do outono, é tempo de se prevenir das doenças virais

A disseminação do coronavírus e da gripe se intensificam nessa época do ano

Com a chegada do outono, é tempo de se prevenir das doenças virais

A disseminação do coronavírus e da gripe se intensificam nessa época do ano

2 Abril 2020

Doenças virais são aquelas causadas por vírus que se instalam nas células do corpo humano. Sua transmissão se dá de forma direta, ou seja, de pessoa para pessoa ou ao entrar em contato com alimentos ou objetos contaminados. No outono, o clima frio e ameno facilita a propagação do vírus e, por isso, é importante conhecer um pouco mais sobre eles.

 

Novo Coronavírus
O vírus foi descoberto em dezembro de 2019, na China, e já se espalhou por diversos países, tanto que o caso está sendo considerado uma pandemia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso porque ainda não há uma cura e o tratamento para aliviar os sintomas consiste na ingestão de antitérmicos e analgésicos, de acordo com o Ministério da Saúde.

Diversas pesquisas estão sendo feitas por laboratórios dos Estados Unidos e Europa para identificar quais são as melhores opções de remédio e qual a composição ideal para se produzir uma vacina que combata o vírus.

No Brasil, a doença chegou por meio de um homem que viajou para a Itália. O Estado de São Paulo é o que possui mais infectados. Até o fechamento desta reportagem, mais de 4200 casos foram confirmados.

A transmissão pode ser feita pelo ar ou pelo contato direto por meio de espirros, tosse, saliva, catarro e aperto de mão de quem tem a doença ou ao tocar objetos contaminados, como maçanetas, teclados e disjuntores. É importante saber que indivíduos contaminados e ainda assintomáticos também podem disseminar o vírus.

Os principais sintomas são febre e tosse persistentes e, nos casos mais graves, dificuldade em respirar ou falta de fôlego. Alguns casos podem evoluir para uma pneumonia. Como toda doença nova, o início dos diagnósticos e a recepção dos pacientes são conturbados.

A enfermeira, mestra e doutora em Enfermagem e professora universitária Rita de Cássia Altino explica os métodos de prevenção. "O principal cuidado é a higienização das mãos, pois elas têm contato com os olhos, nariz e boca. O álcool gel deve ser utilizado apenas se não há água e sabão disponíveis. Também é importante evitar os cumprimentos e manter a distância de, no mínimo, um metro da outra pessoa. Quem estiver com sintomas gripais deve se preocupar em não contaminar o outro e se isole", afirma Rita.

Para se produzir uma vacina, o processo é complexo. Rita também comenta sobre isso, no caso, sobre a vacina da Infleunza. "Durante um ano é feita a coleta de secreções de cinco indivíduos por semana. Essas amostras são enviadas para São Paulo e depois para os Estados Unidos. Lá, eles analisam os vírus mais circulantes no Brasil e em países com características semelhantes até produzir a vacina anual", elenca a profissional.

 

Gripe x Resfriado
No outono e no inverno, o vírus Influenza se espalha com mais facilidade, pois o clima frio é propício para sua reprodução. Ao contrário do que muitos pensam, gripe e resfriado não são a mesma coisa. Rita de Cássia Altino explica as diferenças. "O resfriado normalmente não é acompanhado de tosse e os sintomas são mais leves. Já a gripe tem sintomas mais persistentes, como febre, tosse e dor de garganta e tem chances de ter maior durabilidade", comenta.

 

Grupo de risco

  • Crianças com menos de 2 anos de idade;
  • Adultos com mais de 65 anos de idade;
  • Doentes crônicos (asma, diabetes, hipertensão...);
  • Obesos.

 

Foto: Getty Images

Remédio e vacina em dia
Quando o indivíduo já contraiu a doença, o tratamento mais indicado envolve analgésicos, antitérmicos, repouso e hidratação. Antibióticos? Nem pensar! E lembre-se: nada de se automedicar. Os remédios devem ser prescritos conforme orientação médica. Somente assim o vírus será combatido corretamente.

A Hidroxicloroquina ou a Cloroquina vem sendo utilizadas apenas em casos mais graves e em ambiente hospitalar controlado, exclusivamente por prescrição médica, pois tem inúmeros efeitos colaterais podendo, inclusive, levar a óbito.

Quem não está infectado tem como se prevenir por meio da vacina contra gripes causadas por H1N1, mas ainda não existe para o COVID-19. Como o vírus possui variações, não há uma fórmula que impeça o indivíduo de ter gripe, mas ela fortalece o sistema imunológico e enfraquece a manifestação da doença, tornando a recuperação mais tranquila.

Além disso, manter hábitos diários de higiene é uma tarefa fácil, rápida e que ajuda a inibir o vírus. Você pode começar a cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar, e lavar as mãos várias vezes ao dia. Mas você sabe como lavar as mãos corretamente? "É importante lavar todos os lados da mão (palma, dorso, dedos e unhas) com água e sabão, sem se esquecer do punho. No enxágue, evite jogar água para fora da pia ou em direção à outras pessoas, pois pode haver contaminação", descreve a profissional.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também oferece algumas dicas de como lavar as mãos corretamente:

  • Abra a torneira e molhe as mãos, evitando encostar na pia. Aplique na palma da mão quantidade suficiente de sabonete líquido para cobrir todas as superfícies das mãos (seguir a quantidade recomendada pelo fabricante).

  • Ensaboe as palmas das mãos, friccionando-as entre si. Esfregue a palma da mão direita contra o dorso da mão esquerda (e vice-versa) entrelaçando os dedos.
  • Entrelace os dedos e friccione os espaços interdigitais. Esfregue o dorso dos dedos de uma mão com a palma da mão oposta (e vice-versa), segurando os dedos, com movimento de vai-e-vem.
  • Esfregue o polegar direito, com o auxílio da palma da mão esquerda (e vice-versa), utilizando movimento circular.Friccione as polpas digitais e unhas da mão esquerda contra a palma da mão direita, fechada em concha (e vice-versa), fazendo movimento circular.
  • Esfregue o punho esquerdo, com o auxílio da palma da mão direita (e vice- versa), utilizando movimento circular. Enxágüe as mãos, retirando os resíduos de sabonete. Evite contato direto das mãos ensaboadas com a torneira. Seque as mãos com papel-toalha descartável, iniciando pelas mãos e seguindo pelos punhos.

 

É importante lembrar que embora a pandemia de COVID-19 esteja alarmando todos pela rápida e fácil disseminação, causando elevado número de óbitos, isolamento social preventivo e danos severos à economia, há também outras doenças que não devem ser esquecidas.

 

Dengue: alerta para o ano inteiro
Além da gripe e do Coronavírus, outra doença que requer atenção redobrada é a dengue. Diferentemente das citadas anteriormente, os quatro vírus são transmitidos somente por meio da picada do mosquito Aedes Aegypti.

Qualquer pessoa pode ter os quatro sorotipos, e quando infectada por um deles, adquire imunidade permanente para ele, de acordo com o Ministério da Saúde.

Ao contrário da gripe, o número de casos de dengue se intensifica no verão, pois o mosquito gosta de sair ao sol. Outro fator que aumenta as chances de incidência da doença é a presença de água parada proveniente das chuvas típicas da estação.

 

Quais são os sintomas?
Após o contato com o mosquito, o corpo começa a manifestar alguns sinais, são eles:

  • Febre alta (temperatura superior a 38,5ºC)
  • Dores musculares
  • Desconforto ao movimentar os olhos
  • Falta de apetite
  • Dor de cabeça
  • Manchas vermelhas pelo corpo


Alguns pacientes podem não apresentar todos esses sintomas, pois a doença tem estados leve e grave. Em alguns casos mais extremos pode causar até morte. Por isso, se desconfia que está com dengue, o recomendado é visitar um médico e realizar exames de sangue para verificar se o número de plaquetas está abaixo do normal. Somente assim será possível realizar o diagnóstico e iniciar o tratamento. E claro: tudo sob a orientação de um médico especializado.

Assim como a gripe, algumas pessoas têm mais chances de desenvolver o estágio mais grave da dengue, como idosos e indivíduos com diabetes e hipertensão, segundo o Ministério da Saúde. Isso porque esses grupos possuem o sistema imunológico mais frágil do que os demais e os sintomas podem se apresentar de forma mais agressiva.

 

Prevenção é a solução
Como as larvas do mosquito que transmite a doença se reproduzem em locais com água parada, é essencial eliminar todos os criadouros que podem surgir dentro e fora de casa, principalmente no quintal, e em locais públicos, como praças e parques. Vigiar vasos de plantas, caixas d’água, garrafas vazias e pneus são alguns dos modos de impedir sua proliferação.

Foto: Getty Images

Além dos aspectos técnicos, há a conscientização da população sobre a dengue e os métodos de tratamento. Afinal, como o transmissor da doença se desenvolve em lugares que são de responsabilidade do cidadão, é necessário que todos assumam o compromisso de manter tudo em ordem para que o vírus não se espalhe e contamine as pessoas a sua volta.

Rita de Cássia Altino comenta sobre a prevenção e como é realizado o tratamento da dengue. "O mais importante é não deixar que se acumule água parada e higienizar os locais, sejam eles em regiões nobres ou não. O indivíduo que tiver os sintomas da dengue deve procurar o serviço de saúde. Em geral, as recomendações são repouso e hidratação para evitar a transmissibilidade da doença", finaliza Rita.

 

Médico responsável: Dr. Artur Eduardo de Carvalho Trida (CRM 68639)
Autora: Amanda Medeiros
Fonte: Unimed Centro-Oeste Paulista


Amanda Medeiros

Fonte: Unimed Centro-Oeste Paulista