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Retomada das atividades e prevenção ao Covid-19

Retomada das atividades e prevenção ao Covid-19

Entenda as medidas de restabelecimento do comércio e da educação e como se proteger do coronavírus

Retomada das atividades e prevenção ao Covid-19

Entenda as medidas de restabelecimento do comércio e da educação e como se proteger do coronavírus

15 Julho 2020

A pandemia de Covid-19 afeta todo o mundo, inclusive o Brasil. A necessidade de se realizar o isolamento social impacta diretamente em diversos setores da sociedade e, por mais que os Estados estabeleçam planos para a retomada das atividades, é essencial ter em mente que o vírus ainda circula pelas cidades e que a prevenção deve atuar como aliada.

 

Panorama atual

Diante de um cenário instável, a economia foi abalada. A melhor projeção para o comércio internacional este ano é de uma queda de 19% em comparação a 2019. Na pior das hipóteses, 25%, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Um dos fatores que dificulta a identificação da velocidade com a qual a economia vai se recuperar é o fato de quase 70% dos trabalhadores brasileiros estarem empregados no setor terciário (de serviços), segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua de 2015.

Ou seja, muitos cidadãos tiveram sua renda mensal encurtada ou estão desempregados. Como suporte financeiro, o Governo Federal criou o Auxílio Emergencial para os trabalhadores informais. A medida possui um custo fiscal de cerca de R$50 bilhões por mês.

E os reflexos da estagnação das atividades econômicas já estão aparecendo. Houve uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) no 1º trimestre desse ano se comparar com os 12 últimos trimestres (1º trimestre de 2017 ao 4º trimestre de 2019), para o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Além disso, o PIB encolheu 8% entre 2014 e 2016, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No início da pandemia, o Brasil não havia recuperado nem cinco pontos provenientes dessa recessão.

A economia internacional é afetada pela pandemia de Covid-19. Foto: Getty Images

Outro setor que sofreu diversas transformações devido ao isolamento social é o da educação. 1,5 bilhão de alunos e 60,3 milhões de professores estão fora das escolas em 165 países, de acordo com o Banco Mundial.

As escolas e universidades estão se adaptando ao ensino remoto. Entretanto, o acesso à internet e à orientação especializada são entraves para alguns alunos, principalmente aqueles que estão em processo de alfabetização e que dividem a atenção dos pais com o home office.

O ensino remoto propõe dinâmicas completamente diferentes das tradicionais. Foto: Getty Images

Entretanto, especialistas já observam pontos positivos causados por esse novo modo de ensinar, como a melhoria da relação pais-escola, a reinvenção dos professores, o aprimoramento de metodologias de aprendizagem ativa e do uso de tecnologias multiplataforma que oferece caminhos para o ensino à distância.

E é a fim de amenizar esses cenários que os Estados brasileiros estão propondo planos de retomada consciente das atividades.

 

Retomada das atividades

Tendo em vista esse panorama, foi criado o Plano São Paulo, que se baseia em uma escala de cinco níveis e divide o Estado paulista em 17 Departamentos Regionais de Saúde. A estratégia é retomar o desenvolvimento econômico com segurança. A medida está em vigor desde 1º de junho.

As fases, ordenadas como vermelha (a mais severa), laranja, amarela, verde e azul (a mais tranquila), apresentam restrições quanto à abertura de diversos estabelecimentos e ao horário de funcionamento.

Cada região poderá reabrir determinados setores do comércio de acordo com a fase em que se encontra. Os indicadores que regulam o avanço ao próximo nível ou o regresso para o anterior são a média da taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivas para pacientes com coronavírus, o número de novas internações no mesmo período e o número de óbitos.

A requalificação de fase para mais restritiva será feita semanalmente, caso a região tenha piora nos índices. Para que haja uma promoção a uma fase com menos restrições e mais aberturas, serão necessárias duas semanas, de acordo com o governo do Estado. Porém, essa proposta vem gerando discussões na sociedade.

A empresária Vanessa Oliveira é a favor da reabertura do comércio e explica o porquê. “Com as informações que temos, acredito que quase toda a população tenha a consciência sobre o uso da máscara e do álcool gel. Eu tenho um espaço dentro da minha loja em que consigo atender duas clientes por vez e cumprindo o distanciamento”, opina.

“A indústria da moda é essencial, pois emprega uma a cada seis pessoas no mundo, e trabalha com a autoestima. Eu deixei de empregar duas pessoas desde o começo da pandemia. Eu vejo muita aglomeração em supermercados e farmácia, e os pequenos comércios pagam por isso. Tomando todos os cuidados, podemos abrir nossas portas”, completa Vanessa.

Por outro lado, Stéfani Campos, jovem de 22 anos que mora em Garça e estuda em Bauru, é contra. “Sou totalmente contra a reabertura do comércio, porque acredito que temos que ter total segurança para sair da quarentena, o que ainda não é uma realidade”, explica.

“Os casos de Covid-19 no interior estão aumentando com esse abre e fecha. Com essa afobação de tentar normalizar as coisas, a gente está piorando a nossa situação. Se seguíssemos o isolamento rigorosamente, tudo passaria mais rápido. Cada prefeito faz o que quer. A cada passo que damos, são dois para trás”, finaliza a estudante. 

No dia 24 de junho, foi divulgado um plano que prevê a retomada das aulas nas escolas públicas e privadas e no ensino superior no Estado para o dia 8 de setembro.

Isso será feito em três etapas: salas terão ocupação máxima de 35% e com revezamento de estudantes durante a semana; salas com 70% se ao menos 10 dos 17 Departamentos Regionais de Saúde do Estado permanecerem por 14 dias consecutivos na fase com restrições brandas do Plano São Paulo; salas com 100% dos alunos se ao menos 13 dos 17 Departamentos estejam por outros 14 dias na fase verde.

Se uma região regredir para as fases mais restritivas, consideradas de alerta máximo e controle, a reabertura das escolas será suspensa em todas as cidades daquela área, segundo a Secretaria de Educação.

Assim como o plano de reabertura do comércio, a retomada das aulas presenciais é motivo de debate. Para Rosineide Silva, 48 anos e professora de educação especial, a volta às aulas é necessária. “Essa é a nossa realidade. O vírus vai circular no Brasil por muito tempo e temos que nos adequar. Só com uma boa orientação e educação é que podemos ensinar os alunos que eles são responsáveis pela saúde deles e do outro. Não podemos ficar de quarentena a vida inteira, porque eles estão perdendo muito conteúdo”, pontua a professora.

Entretanto, para a auxiliar jurídica Bruna Folego, a situação é outra. “Sou contra a volta às aulas presenciais, porque eu vi o plano de governo e os protocolos de higiene, mas não acho que há uma perspectiva de utilização”, diz.

“Com certeza haverá muita aglomeração, pessoas que não usarão máscara ou que não respeitarão o distanciamento social. O ensino infantil será o mais afetado, pois normalmente há apenas uma professora para muitas crianças e salas de aulas pequenas”, afirma Bruna.

 

Covid-19: prevenção é o melhor remédio

A incerteza sobre o que irá acontecer nos próximos dias e meses é presente e nota-se que a pandemia está afetando as cidades do interior do Estado, principalmente a do centro-oeste paulista. Portanto, todo cuidado é importante.

Pelo fato de ainda não haver uma vacina definitiva contra o Covid-19, colocar os modos de prevenção em prática, como higienizar as mãos frequentemente com água e sabão e/ou álcool gel, manter o distanciamento e usar a máscara quando sair de casa, é essencial para conter a transmissão do vírus e achatar a curva de contágio.

Ao higienizar as mãos com água e sabão, lembre-se de esfregar as palmas, os dorsos, entre os dedos e as unhas por, no mínimo, 20 segundos. O processo deve ser feito da mesma forma se apenas o álcool gel estiver disponível. O recomendado é limpar as mãos ao entrar e sair de estabelecimentos, ao manusear máscaras usadas, ao entrar em contato com pessoas que não estão realizando o isolamento social no mesmo local que você e ao adentrar em casa.

O distanciamento de 1,5 metro é essencial em ambientes fechados ou ao ar livre com bom tempo, segundo estudo de engenheiros especializados em dinâmica de fluidos da Bélgica e da Holanda. Ainda assim, os especialistas aconselham que seja mantida uma distância de 4 ou 5 metros ao andar atrás de outra pessoa, 10 metros ao correr ou andar de bicicleta devagar e de pelo menos 20 metros ao andar rápido.

Seguindo as medidas de segurança, você e o próximo se protegem. Arte: Carolina Crês e Isadora Helena/Unimed COP

O uso de máscara é importante, pois impede que gotículas de saliva, que podem estar contaminadas, entrem em contato com superfícies ou com outras pessoas, e previne que o indivíduo toque o nariz e a boca constantemente, já que são portas de entrada do vírus no organismo do ser humano.

Ultimamente, as máscaras de tecido têm sido mais fáceis de encontrar à venda, já que as máscaras cirúrgicas e N-95 são prioridade dos profissionais da saúde para que não falte equipamento de proteção individual (EPIs) para quem está na linha de frente.

No cenário atual, se prevenir é melhor a se fazer. Foto: Getty Images

Diante disso, é necessário planejamento. Quando for sair, lembre: quantas horas ficará fora de casa? A proteção de cada máscara de tecido é de até duas horas. Por isso, calcule a quantidade que deve ser levada junto a dois saquinhos plásticos.

Em um, coloque as máscaras limpas. No outro, as usadas. Sempre que for retirar, pegue a máscara pelas alças para evitar contaminação. Ao chegar em casa, coloque-a de molho por 40 minutos em uma mistura com água, água sanitária e sabão. Depois, deixe secar e finalize passando um ferro quente.

Entre idas e vindas, o retorno das atividades deve ser feito com muita cautela, aliando o desenvolvimento com o cuidado com a saúde. A conscientização e colaboração de todos são imprescindíveis para vencer o Covid-19. Superar este momento juntos. Esse é o plano.


Amanda Medeiros

Fonte: Unimed Centro-Oeste Paulista