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Síndrome Alcoólica Fetal e o risco às crianças

Síndrome Alcoólica Fetal e o risco às crianças

Crescimento do consumo de álcool nos últimos meses serve de alerta às futuras mamães

Síndrome Alcoólica Fetal e o risco às crianças

Crescimento do consumo de álcool nos últimos meses serve de alerta às futuras mamães

20 Outubro 2020
O consumo de álcool durante o isolamento social aumentou drasticamente no Brasil, de acordo com a rede científica JAMA Network Open. 
Dentre os públicos, as mulheres foram as que mais beberam de forma excessiva, chegando a quatro doses ou mais em apenas algumas horas do dia, ainda segundo a pesquisa. A faixa etária de 30 a 59 anos foi a que teve maior elevação no consumo (19%). O dado é em comparação com o ano passado.
 
Dados quantitativos acerca do consumo de bebidas Alcoólicas preocupam especialistas. Foto: Getty Images
 
Um dos motivos prováveis para o crescimento desse índice é a ansiedade provocada pela pandemia de Covid-19, para pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 
Em números, 18% dos brasileiros andam bebendo mais do que antes do isolamento social, de acordo com o estudo. Esses dados se tornam ainda mais relevantes para as gestantes em Outubro, mês das crianças.
 
Síndrome Alcoólica Fetal 
A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é um conjunto de sinais apresentados pelo feto devido ao consumo de bebidas Alcoólicas realizado pela mãe. Mas o que acontece no organismo da mulher para que o bebê seja afetado?
 
Dados coletados em entrevista com o pediatra-neonatologista Paulo Imamura. Arte: Carolina Crês/Unimed COP
 
Paulo Imamura, pediatra-neonatologista e integrante do Grupo de Estudos “Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido”, da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), comenta sobre os sintomas e o diagnóstico da SAF.
“O álcool é um dos maiores problemas em saúde pública. Mais de um terço da população mundial usa álcool. Se formos analisar de uma maneira didática, a Síndrome Alcoólica Fetal acontece quando o álcool afetou o desenvolvimento do cérebro do feto. O bebê nasce com microcefalia, alterações faciais e no sistema nervoso”, ressalta o médico.
“A síndrome pode se apresentar de forma incompleta, sem deficiência externa, mas interna, como má formação do coração, nos sistemas urinário e digestivo, e no esqueleto”, afirma.
“O bebê também pode apresentar defeitos no neurodesenvolvimento, como a dificuldade no aprendizado e no comportamento. O álcool pode causar lesões em qualquer etapa do crescimento do feto, pois não é metabolizado na placenta. Não há um nível seguro de consumo, por isso, a indicação é se abster durante a gravidez”, finaliza.
Não há cura para a SAF, mas o tratamento consiste no uso de medicamentos para amenizar alguns sintomas, terapia comportamental e treinamento dos pais. Assim, os adultos saberão como lidar com as situações que podem surgir. Tudo isso, claro, com acompanhamento médico.
Além disso, ter relacionamento e rotina familiares estáveis e realizar o diagnóstico precoce são formas de suavizar a vida da criança e que acabam a acolhendo. Já a prevenção está em não ingerir bebidas alcoólicas assim que descobrir que está grávida ou no período de pré-concepção (que varia de quatro a seis semanas da gravidez, caso a gestação seja planejada). Isso porque o primeiro trimestre é crucial para o bebê, pois seu coração, pulmão, fígado, medula, cabeça e membros estão em formação. 
A SAF é maior causa de déficit intelectual prevenível no mundo. Desse modo, se informar é essencial para que a criança cresça e se desenvolva naturalmente.
 
Médico responsável: Dr. Paulo Eduardo de Araújo Imamura – CRM 42.113

Amanda Medeiros

Fonte: Unimed Centro-Oeste Paulista