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Diabetes: médica alerta sobre acompanhamento constante e complicações

Diabetes: médica alerta sobre acompanhamento constante e complicações

Doença silenciosa e crônica evoluiu ao longo dos anos

Diabetes: médica alerta sobre acompanhamento constante e complicações

Doença silenciosa e crônica evoluiu ao longo dos anos

30 Novembro 2020

Segundo dados da Federação Internacional do Diabetes (IDF) publicados em 2019 mais de 16,8 milhões de brasileiros são portadores de diabetes mellitus. Trata-se de uma doença crônica, silenciosa caracterizada pela elevação da glicose (açúcar) na corrente sanguínea levando a hiperglicemia. O fato de ser silenciosa, além de elevada prevalência, justificam a tese de que grande parte dos portadores desconhecem o diagnóstico, o que traz muita preocupação aos profissionais de saúde.

O Brasil ocupa o 1º lugar no ranking de prevalência da patologia da América Latina e figura na 5ª posição mundial. Para esclarecer dúvidas sobre a doença, a Medicina Preventiva – Espaço Viver Bem – da Unimed Chapecó promoveu, nesta semana, Live Diabetes com a endocrinologista e médica cooperada Dra. Fabiana de Souza Barcala. A iniciativa faz parte da campanha “Cuidado Infinito” da cooperativa médica e também marca o “Novembro Diabetes Azul”, criado para fomentar ações e discutir sobre esse grave problema de saúde pública. 

A médica explicou sobre os principais fatores de risco, as possíveis complicações e o impacto da mudança de hábitos de vida para os pacientes com pré-diabetes ou com o diagnóstico manifesto. “Existem dois grandes tipos, pois os outros são mais raros, além da diabetes mellitus gestacional. A diferenciação é muito importante, sendo o tipo 2 o mais comum, acometendo principalmente pessoas a partir dos 40 anos de idade. Contudo, temos observado um crescente número de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 decorrente dos níveis crescentes de obesidade, inatividade física e má alimentação. Já o tipo1, corresponde a 10% dos casos, possui origem autoimune (produção de anticorpos contra o pâncreas), levando a destruição das células pancreáticas produtoras de insulina, ocorrendo principalmente em crianças e adolescentes”, comentou.

Os pacientes na fase pré-diabates estão submetidos aos mesmo riscos a longo prazo do que as pessoas com o diagnóstico estabelecido. De acordo com a Dra. Fabiana, com a mudança do estilo de vida é possível retardar as complicações ou evitar o estabelecimento da doença. “Para o rastreamento precoce é necessário reconhecer alguns fatores de risco como histórico familiar (porque tem um componente genético); faixa etária (a partir dos 40 anos); sobrepeso ou obesidade; mulheres que tiveram diabetes gestacional ou com filhos acima de 4 kg; história de hipertensão arterial; diagnóstico de pré-diabetes; elevação do colesterol e dos triglicerídeos”, ressaltou.

As principais complicações são micro e macrovasculares. Segundo a profissional, as complicações microvasculares referem-se ao acometimento ocular conhecido como retinopatia diabética, que podem ou não ocasionar cegueira. Outra complicação possível é a neuropatia diabética periférica que pode causas sintomas como: formigamento, diminuição da sensibilidade dos pés podendo evoluir para o pé diabético e amputação, além da nefropatia diabética, alteração renal que leva a dificuldades na filtração do sangue, ocasionando perda progressiva da função renal, determinando a necessidade de terapia renal substitutiva (hemodiálise).

As complicações macrovasculares representam a principal causa de morte e compreendem as doenças cardiovasculares (infarto agudo do miocárdio, AVC). “Infelizmente a presença de diabetes mellitus aumenta em pelo menos duas a quatro vezes o risco de incidência de doenças cardiovasculares, além de torná-las mais graves”, alertou a médica. “O acompanhamento dos pacientes vai além do controle glicêmico e deve estar voltado também a prevenir e tratar as doenças cardiovasculares”.

Outra preocupação é com relação à obesidade. Os hábitos de vida levam ao maior consumo de alimentos ultraprocessados, aqueles produzidos pela indústria com a adição de múltiplos ingredientes como, por exemplo, açúcares e gordura hidrogenada com o objetivo de torná-los mais palatáveis e com maior durabilidade. Dessa forma esses alimentos acabam por conferir estímulos que os alimentos in natura não conseguem ofertar: o “hipersabor”, ativando diretamente o sistema de recompensa cerebral (fica muito mais fácil de perder o controle e ingerir em maior quantidade”, argumentou a médica. 

Segundo a médica endocrinologista, o diagnóstico e o tratamento precoce impactam muito para evitar a progressão e o surgimento de complicações. Como toda doença crônica, o desafio do bom controle envolve motivação, acesso às informações com embasamento científico e seguimento multiprofissional. “Focar em uma vida ativa e saudável deve ser a meta de todos os que buscam qualidade de vida”, finalizou.