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Novembro Roxo: pequenos heróis

Novembro Roxo: pequenos heróis

Novembro Roxo: pequenos heróis

26 Novembro 2019

Lorenzo Simplicio, de um ano e quatro meses, é um exemplo de pequeno herói que luta pela vida desde seu nascimento. Ele e a irmã Letícia nasceram com 23 semanas de gestação. A gravidez foi interrompida para salvar a vida dos gêmeos, pois dividiam a mesma placenta e havia ausência do líquido amniótico, o que resultou em sofrimento fetal. Após cesária, Lorenzo e Letícia foram intubados e respiravam apenas por aparelhos. Os recém-nascidos enfrentaram diversas complicações, com quadros instáveis de saúde. Letícia não resistiu e faleceu com 13 dias de vida. Lorenzo permaneceu internado na UTI Neonatal por mais cinco meses e 18 dias, recebeu alta e utilizou oxigênio até um ano de idade.

O cenário adverso e de incertezas foi superado pelo desejo de viver, pela esperança dos pais e pela dedicação da equipe multidisciplinar. Esses fatores interligados ajudaram a mudar a trajetória de muitos prematuros que nasceram no Hospital Unimed Chapecó. Para compartilhar experiências, relatar os desafios enfrentados e fortalecer os laços de amizade entre os pais de 40 bebês, que nasceram no período de agosto de 2018 a novembro de 2019, foi realizada confraternização no último fim de semana, organizada pelas equipes da UTI Neonatal, berçário e maternidade, no Restaurante Panela Gourmet. Essa iniciativa integrou as ações desenvolvidas pela Unimed Chapecó para a campanha Novembro Roxo: mês da prematuridade.

A programação consistiu em exibição de vídeo produzido pelo Hospital Nossa Senhora das Graças (Curitiba) que mostra a batalha de um bebê prematuro pela vida até chegar ao colo de sua mãe, troca de experiências, confraternização e entrega de lembranças. Também foi exibido o vídeo do encontro realizado em 2018 com relatos e experiências vivenciadas pelos pais naquele ano . “A intenção foi de proporcionar uma oportunidade de resgate dessa vivência, de fortalecer o apoio a essas famílias e enfatizar que eles não estão sozinhos. Por mais que os motivos de internação sejam variados como problemas respiratórios, prematuridade extrema ou causas maternas essa experiência é única no processo familiar”, comentou a supervisora de enfermagem do setor materno infantil do Hospital Unimed Chapecó, Rosângela Sasso Mattern.

Família Simplicio
Os pais de Lorenzo, Robson Simplicio de 24 anos é auxiliar de produção e Cleide Simplicio de 29 anos é ajudante de produção. Na época do nascimento dos gêmeos a família residia em Itapiranga, no Extremo Oeste Catarinense. Para acompanhar o desenvolvimento dos filhos, Cleide permanecia no Hospital durante o dia e a noite ficava no albergue em Chapecó.

“Foi um período muito difícil, principalmente, após o falecimento da Letícia. Os quatros primeiros meses do Lorenzo foram instáveis e muitas vezes os médicos me alertavam que talvez fosse o último dia dele. Eu só poderia acreditar na recuperação, ter fé que tudo terminaria bem e confiar na equipe de saúde”, relatou Cleide. 

Sua vida mudou completamente. Precisou parar de trabalhar para cuidar do filho e com isso a família enfrentou dificuldade financeira por causa do tratamento médico. “Muitas vezes, pensei em desistir de tudo e nessas horas recebia uma palavra de apoio das outras mães e da equipe do Hospital. Quando estava desanimada as enfermeiras me abraçavam e motivavam, então, conseguia ficar melhor. Posso dizer que os profissionais se tornaram minha família e só tenho agradecer, porque hoje o Lorenzo está bem e não tem nenhuma sequela”, expôs.

Equipe multidisciplinar 
A equipe multidisciplinar da UTI Neonatal do Hospital Unimed Chapecó é composta por médicos, fonoaudióloga, fisioterapeuta, psicóloga, assistente social, nutricionista, farmacêutico, enfermeiras e técnicas de enfermagem.

A médica pediatra e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Unimed Chapecó, Dra. Vera Mainardi, enfatizou a importância da conscientização sobre a prematuridade, que vem aumentando nos últimos anos e pode deixar sequelas nos bebês. “Precisamos atuar na prevenção e reforçar a relevância do acompanhamento pré-natal com as gestantes”, ressaltou. Conforme a Dra. Vera, os prematuros requerem atenção e cuidado redobrados, além de suplementação de oxigênio, suporte nutricional e controle térmico. Entre as possíveis sequelas estão o atraso no desenvolvimento psicomotor, risco de retinopatia (cegueira), perda auditiva, risco elevado de infecções e maior incidência de mortalidade.

A fonoaudióloga Caroline Müller Kamphorst relatou que sua atuação é no auxílio dos treinos de sucção e deglutição do prematuro com enfoque no aleitamento materno exclusivo. “Os bebês prematuros precisam aprender esse processo, já que a coordenação de sucção, deglutição e respiração é adquirida na 34ª semana de gestação”, complementou. Neste treino, também é trabalhado a incordenação respiratória e o fortalecimento da musculatura do prematuro.

De acordo com a Fisioterapeuta Bárbara Schwarz, os recém-nascidos são acompanhados desde a admissão na UTI Neonatal, iniciando o acompanhamento respiratório após 48h de vida e/ou estabilização do quadro clínico. A estimulação motora se inicia precocemente, inicialmente, através de posturas e posicionamentos. E, após estabilização respiratória, através de manuseios e da fisioterapia motora na prevenção da Osteopenia da Prematuridade, além de acompanhar o Desenvolvimento Neuropsicomotor  (DNPM). Desta forma, prestando uma assistência humanizada, atendendo aos padrões de qualidade e segurança, atuando de modo integrado com a equipe médica e multiprofissional.

A psicóloga Liciane Dalla Costa auxilia os pais dos prematuros para que possam compreender o processo e para permanecerem tranquilos, pois a situação foge do planejamento em função do nascimento antecipado e resulta em ansiedade e segurança. “O objetivo é estimular a formação do vínculo que ocorre pelo nascimento, mas é temporariamente interrompido pela internação e, posteriormente, é retomado com o desenvolvimento da maternidade. Aos pais motivamos para que seja apoio tanto para o bebê quanto para a mãe”, explicou. Além disso, são esclarecidas dúvidas, pois muitas mães se questionam onde falharam e se sentem culpadas e tristes pela impotência de resolver uma condição em que não estão no controle. “A tristeza acentuada pode desencadear um processo depressivo, por isso é indispensável acompanhamento durante esse período”, argumenta Liciane.

Outras ações 
Neste mês, também foi realizado um café da manhã especial, no Restaurante do Hospital, com o objetivo de acolher os pais que estão com seus bebês prematuros na UTI Neonatal. Além da confraternização, a equipe hospitalar entregou aos pais fotos dos bebês caracterizados de super-heróis como lembrança.
Outra atividade foi o encontro da equipe técnica com palestra sobre desenvolvimento e nutrição do prematuro.