Estudo indica que brasileiro está fumando menos e tem alimentação pouco saudável

Resultados do Vigitel 2010 orientam políticas públicas e vão embasar plano de ação para doenças crônicas não transmissíveis, que será apresentado na ONU, em setembro de 2011

Estudo indica que brasileiro está fumando menos e tem alimentação pouco saudável

Resultados do Vigitel 2010 orientam políticas públicas e vão embasar plano de ação para doenças crônicas não transmissíveis, que será apresentado na ONU, em setembro de 2011

A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel Brasil 2010 acaba de revelar o perfil de hábitos que influenciam a saúde do brasileiro. O estudo do Ministério da Saúde, divulgado em abril, aponta redução no consumo de tabaco, principalmente entre homens, numa tendência que vem se confirmando nos últimos cinco anos. Por outro lado, revela aumento na proporção de pessoas com sobrepeso e obesidade, e de mulheres que fazem uso abusivo de bebidas alcoólicas.
Entre 2006 e 2010, a proporção de brasileiros fumantes caiu de 16,2% para 15,1%. O percentual representa uma redução expressiva em relação ao índice de 1989, quando a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou 34,8% de fumantes na população.
O avanço mais expressivo ocorre especialmente entre os homens , que em geral fumam mais do que as mulheres. Na população masculina, o hábito de fumar caiu de 20,2% para 17,9% entre 2006 e 2010. Entre as mulheres, o índice continua estável em 12,7% no período. Pessoas com menor escolaridade, de zero a oito anos de estudo, fumam mais (18,6%) em relação às pessoas mais escolarizadas (12 anos e mais), que fumam 10,2%.
Os dados fazem parte da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que entrevistou 54.339 adultos, residentes nas 27 capitais. O Vigitel é realizado anualmente, desde 2006, pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (NUPENS/USP).

No prato, menos feijão e mais gordura
Tanto os hábitos alimentares dos brasileiros quanto o sedentarismo e a realização de atividade física no lazer são indicadores investigados pela Vigitel. Em relação à alimentação,a pesquisa aponta que o brasileiro está consumindo menos feijão (importante fonte de ferro e fibras), mais leite integral (com gordura) e bastante carne com gordura aparente. O número de adultos que comem feijão pelo menos cinco dias por semana é de 66,7% - em 2006, eram 71,9%.
Também é preocupante o percentual de adultos que consomem a quantidade recomendada de frutas e hortaliças – cinco porções diárias (ou 400 gramas), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Importante fator de proteção para as doenças crônicas não transmissíveis, esses alimentos são consumidos na quantidade recomendada por apenas 18,2% dos brasileiros. Por outro lado, 34,2% dos entrevistados dizem que se alimentam de carnes vermelhas gordurosas ou de frango com pele; e 28,1% consomem refrigerantes, cinco vezes ou mais na semana.

Cresce consumo de bebidas entre as mulheres
Por outro lado, o levantamento aponta que aumentou o consumo excessivo de bebidas alcoólicas no país, passando de 16,2% para 18% da população, entre 2006 e 2010. Nas mulheres, a variação no período foi de 8,2% para 10,6%. Entre os homens, a proporção passou de 25,5% para 26,8%.
Tanto o hábito de fumar quanto o exagero na bebida são indicadores importantes no monitoramento dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis – como hipertensão arterial, diabetes e problemas cardíacos. Em 2010, a Organização das Nações Unidas recomendou que os países-membros incluam essas doenças entre os temas que serão discutidos em sua Assembleia Geral, prevista para setembro de 2011, em Nova York.


Unimed Costa Oeste

Fonte: Revista Cristo Rei - Ano XV n° 160 Maio de 2011