Os desafios para preservar as próximas gerações

Para entender o que é sustentabilidade e fazer a sua parte basta pensar no próximo.

Os desafios para preservar as próximas gerações

Para entender o que é sustentabilidade e fazer a sua parte basta pensar no próximo.

Sustentabilidade tornou-se a palavra-chave para a sociedade neste início do século XXI. A necessidade de dividir, racionalizar, compartilhar e economizar aparece hoje em todos os lugares, seja em canções, em propagandas da TV e, veja só, até nas novelas. Agora, o que falta é fazer essa campanha pela responsabilidade socioambiental entrar de vez na realidade da vida de cada um, das empresas e dos governos. O tema é bastante citado. Porém, ainda poucos sabem que para essa tão sonhada transformação da sociedade acontecer é preciso que todas as mangas estejam arregaçadas.
Para explicar o tema, melhor do que falar no tal tripé da sustentabilidade (atitude ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável), é possível resumir toda uma tese em apenas uma palavra: solidariedade.
Afinal, a base de todas as mudanças que filósofos, cientistas, economistas pregam é uma só: chega de olhar para o próprio umbigo - a melhor forma de resolver um problema seu, é prestando atenção no outro e em tudo o que está ao seu redor. Bem-estar hoje só existe para quem sabe compartilhar. Nesse processo, nenhum setor está imune às mudanças, que devem ser urgentes para todos enfrentarem juntos os grandes problemas do mundo contemporâneo, como aquecimento global, esgotamento dos recursos naturais e a desigualdade social.

Uma questão de desequilíbrio
Segundo o diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e co-fundador do Instituto Ethos  de Empresas e Responsabilidade Social, Helio Mattar, "nosso atual modelo de produção e consumo ainda baseia a noção de progresso na ideia errada de riqueza acumulada. O consumo acima do necessário sustenta a economia e orienta grande parte da vida das pessoas", afirma. Ele lembra de que a insustentabilidade, que parecia se concentrar nas áreas  social e ambiental, revelou seu lado econômico na crise financeira de enormes proporções, desde setembro de 2008. E uma outra crise, silenciosa e contínua, vem "corroendo as bases do nosso futuro".
De acordo com o "Relatório Estado do Mundo - 2010", do Worldwatch Institute, o estilo de vida da parcela da humanidade que consome já compromete 30% a mais dos recursos naturais que a Terra é capaz de repor. Pior: o consumo é excessivo e desigual. Apenas 16% da população mundial consomem 78% de tudo que é extraído do planeta. "Para ser sustentável, necessariamente, o consumo tem de ser mais solidário, menos concentrado e sem desperdícios", analisa Mattar.
Todos devem ter a consciência de cada pequeno ato pode ter resultados assombrosos. Para Mattar, na hora de consumir, é preciso ter responsabilidade. "Pontualmente, pequenos atos do dia a dia criam a falsa impressão de gerar impactos irrelevantes. Totalmente falsa. Afinal, os impactos se acumulam ao longo de um mês , um ano, uma vida. Mais: imaginemos os impactos de uma pessoa somados aos de sua família, dos moradores de seu bairro, de sua cidade, de seu país", lembra.
"Toda e qualquer atividade humana ligada ao consumo sempre exigirá uso de energia, água e recursos naturais, além de deixar rejeitos sólidos, líquidos ou gasosos no ambiente. É urgente não só redistribuir riquezas, mas passar a produzi-las e consumi-las de maneira radicalmente diferente. Não significa parar de consumir, mas adotar padrões sustentáveis. Padrões de exploração de recursos naturais e de descarte que garantam nossa vida hoje sem comprometer a vida das gerações futuras", diz.

O poder de quem começa a transformação
Assim como as ações individuais são essenciais para a transformação, cabe às empresas e ao poder público a responsabilidade de cumprirem seu papel como protagonistas dessas mudanças. Iniciativas governamentais e corporativas para o desenvolvimento sustentável são capazes de atingir um número incalculável de pessoas, dando início ao ciclo da transformação.
"Quando falamos em cidadania e responsabilidade social, falamos de valores como ética e transparência. Esses valores como ética e transparência. Esses valores, quando passam a ser credo da organização e aplicados na gestão de uma empresa, criam uma nova dinâmica nos relacionamentos  que são construídos  junto aos seus stakeholders, suas partes interessadas", avalia o consultor de Responsabilidade Social, Juvenal  Correia Filho.
O investimento em sustentabilidade também pode significar, para as empresas, oportunidade de crescimento. "Realizando  um planejamento estratégico moderno, com parâmetros de sustentabilidade, usando as três dimensões (econômica, ambiental e social), mapeando assertivamente seus stakeholders, esta nova forma de dialogar de forma ética e transparente passa a ser uma importante e estratégica ferramenta nos negócios", diz o consultor.
E quem pretende desenvolver seu negócio, não pode mais ignorar o que ocorre ao seu redor, assim pensa o diretor de Marketing e Desenvolvimento da Unimed do Brasil, Aucélio Melo de Gusmão. "Entendemos sustentabilidade como a qualidade conferida que garante perenidade, ou seja, aquilo que foi feito, foi idealizado e projetado de tal sorte que garante uma evolução social pelos tempos. Por isso, nos dias atuais, não se fala mais em desenvolvimento dissociado de sustentabilidade", afirma.
Se a responsabilidade social era encarada antigamente como uma ação complementar de uma empresa, ou uma forma de trabalhar a sua imagem, hoje, ela faz parte do negócio. "Mais do que uma forma de conquista de certificações, as empresas estão começando a compreender que pensar como o próprio negócio afeta o mundo ao seu redor  é uma obrigação, se quiserem garantir a sobrevivência no mercado em longo prazo", diz a coordenadora  de Responsabilidade Social da Unimed do Brasil, Maike Rothenburg Mohr.
A coordenadora lembra que, a responsabilidade faz parte da essência do negócio Unimed, por ser um sistema de Cooperativas médicas com a missão de levar saúde e bem-estar à população. A Unimed conta com várias ações para estimular e garantir que cada uma das Singulares existentes no país trabalhem pela promoção dos desenvolvimentos social, econômico e ambiental no local onde atuam. De acordo com o Balanço Social 2009, consolidado em 2010, a Unimed em todo o Brasil investiu mais de R$ 49 milhões nas comunidades. "Somando ações entre público interno e externo, o investimento  ultrapassa um bilhão de reais", afirma a coordenadora.

O que fazer para começar a ser sustentável

Alimentos

* Prefira produtos da estação;

* Aproveite as partes boas de verduras e legumes;

* Aproveite as sobras;

* Cuidado ao manipular os alimentos;

* Faça o cardápio da semana;

 

Água

* Elime os vazamentos;

* Não deixe uma torneira pingando;

* Use a vassoura, e não a mangueira, para varrer a calçada;

* Use os dois lados de uma folha de papel;

* Instale torneiras com sensores automáticos;

* Use uma bacia para lavar a louça;

* Escove os dentes com a torneira fechada;

* Diminua o tempo do banho;

 

Reciclagem

* Evite mercadorias com muitas embalagens;

* Compre produtos ambientalmente corretos;

* Compre somente o necessário;

* Exerça sua cidadania e cobre providências dos governantes;

* Separe corretamente o lixo para reciclagem;

* Economize papel;

* Não jogue no lixo o que você pode doar;

* Compacte o lixo, antes de jogá-los fora;

* Evite o desperdício de alimentos;

* Leve sua própria sacola para fazer compras;


Energia

* Faça economia com a geladeira;

* Economize energia ao lavar e passar a roupa;

* Ilumine sua casa sem desperdício;

* Use o ar-condicionado com moderação;

* Evite usar aparelhos elétricos ou eletrônicos no horário de pico;

* Diminua o tempo do banho;

* Gaste menos combustível com o carro;

* Deixe o carro na garagem um dia por semana;

* Prefira equipamentos com selo Procel.


Unimed Costa Oeste

Fonte: Revista Ampla - Edição n° 20 - ano 6 - março de 2011