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O ombro em nosso dia a dia

O ombro em nosso dia a dia

O ombro em nosso dia a dia

31 Agosto 2009

 

 

     O ombro compreende  a região do corpo humano que faz a conexão entre o tronco e o membro superior. Tem como principal função dar maior amplitude de movimento aos membros superiores, fazendo  com  que nossas mãos possam atingir os pontos mais diversos em relação ao nosso  corpo, permitindo assim que nós possamos executar as mais variadas ações do nosso cotidiano.

     No entanto, esta ampla variedade de graus de movimento possibilitado pelo ombro  permitindo usar de forma mais eficiente as nossas mãos, também expõe essa articulação a uma série lesões, sejam por esforço intenso ou repetitivo, seja por aquelas ocasionadas por traumatismos.Estas lesões podem envolver as estruturas ósseas (como as fraturas do úmero, clavícula ou escápula em decorrência de acidentes), as articulações do ombro (esternoclavicular, acromioclavicular ou glenoumeral), ou mais freqüentemente envolver os tendões que fazem parte da região do ombro (como os tendões supra espinal, infra espinal, sub escapular e redondo menor que compõem o Manguito Rotador,  ou o tendão da cabo longo do bíceps). Estas lesões podem acometer homens ou mulheres nas  mais variadas faixas etárias, principalmente aqueles que realizam atividades profissionais ou esportivas que exijam uma demanda maior do ombro.

      Dentre essas lesões, as que mais se destacam pela alta freqüência são as Doenças do Manguito Rotador. Secularmente conhecida com “Bursite do Ombro”, a Síndrome do Manguito Rotador como  também é mais conhecida hoje em dia, envolve um amplo espectro de doenças as quais atualmente já se têm suas características como etiologia, fatores de risco, grupo de pessoas mais acometidas e tratamento bem estabelecidos e com abordagem terapêutica diferente entre elas. Neste espectro de doenças se enquadram:  a Síndrome do Impacto (que é uma inflamação nos tendões do manguito rotador decorrente da colisão entre dois ossos do ombro: o  úmero e o acrômio ,sendo que este último pode estar mais angulado que o normal); Tendinites (inflamação) aguda ou crônica dos tendões do manguito rotador; Tendinite Calcárea do ombro (inflamção associada a calcificação nos tendões do manguito rotador); Rupturas nos tendões do manguito (que podem ser parcial ou completa  – esta última envolvendo toda a espessura do tendão) e finalmente a artrose (ou seja, desgaste da cartilagem)na articulação do ombro  ocasionada pela ruptura antiga e extensa dos tendões do manguito rotador (também denominada artropatia do manguito rotador) que sem dúvida é a doença mais grave dentro deste espectro e que os recursos terapêuticos conhecidos ou disponíveis em todo o mundo são escassos e com resultados ainda bastante desanimadores.

      Todas estas patologias que compõem a Síndrome do Manguito Rotador têm uma apresentação clínica bastante parecida, com dor ao repouso (principalmente a noite) e que  piora às atividades e limitação dos movimentos. Quando presente ruptura de tendão pode haver perda de força para  elevar o braço. Existe ainda a patologia chamada Capsulite adesiva ou ombro congelado que da mesma forma causa quadro importante de dor e limitação dos movimentos desta articulação.

      Outro grupo de doenças que pode  acometer o ombro são as luxações do ombro ou “ombros que deslocam”. Estas podem ser agudas quando o deslocamento acabou de acontecer, crônicas quando se encontram deslocado por muito tempo  ou recorrentes  quando o mesmo ombro já saiu mais de uma vez. Geralmente são ocasionadas por traumatismos, porém pode ser decorrente de características constitucionais como no caso de pessoas que apresentam Hiperfrouxidão Ligamentar, ou devido a crises convulsivas. Existem ainda as luxações voluntárias (onde o próprio paciente é capaz de deslocar o seu ombro e recolocá-lo no lugar), e as subluxações onde o paciente sente que o ombro vai sair ,mas não chegar a deslocar de fato. Podem ainda ocorrer luxação da articulação acromioclavicular que são ocasionadas por trauma no ombro, e mais raramente as luxações esternoclaviculares.

      Vários exames de imagem são adjuvantes na confirmação diagnóstica destas lesões que envolvem o ombro: as Radiografias Simples (feitas em várias posições especiais) são importantes para demonstrar as lesões da estrutura ósseas, deslocamentos e visualizar calcificações na região do ombro. A Ultrassonografia permite diagnosticar as inflamações e rupturas dos tendões no ombro. Tomografia computadorizada pode auxiliar naquelas lesões ósseas onde as radiografias não conseguiram dar informações com mais detalhes. A Ressonância Magnética, e mais recentemente a Artro Ressonância Magnética, se tornaram de grande valia para o esclarecimento de lesões mais difíceis de serem demonstradas por outros exames (como por exemplo as rupturas parciais dos tendões ou  delimitar tamanho, grau de retração e degeneração gordurosa das rupturas completas, e as lesões do lábio da glenóide presentes nos casos de luxação recorrente do ombro).

     Para definir o tratamento dessas lesões é imperativo que uma avaliação clínica bem  feita a fim de se obter o diagnóstico correto  é essencial para uma condução terapêutica adequada para  cada caso. Medicações analgésicas, anti-inflamtórias, fisioterapia são algumas das medidas terapêuticas comumente indicadas. Em alguns casos pode haver indicação de tratamento cirúrgico. Estas cirurgias podem ser realizadas pela técnica convencional e algumas delas atualmente podem ser feitas através de artroscopia : técnica cirúrgica na qual são utilizados recursos de ótica e instrumentais especiais, e através de visualização em um vídeo é possível fazer o procedimento cirúrgico praticamente sem incisões. Mas sem sombra de dúvidas, o passo mais importante é uma avaliação clínica bem detalhada de cada caso a fim de que se possa indicar melhor conduta para cada paciente.

 

Dr. José Adson Santos Rubem

Médico Ortopedista cooperado da Unimed Feira 

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Especialista em Cirurgia e Artroscopia do Ombro pelo Hospital Ortopédico de Belo Horizonte

 

 

 

 


Dr. José Adson Santos Rubem