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A obesidade infantil e o papel dos pais na saúde dos filhos

A obesidade infantil e o papel dos pais na saúde dos filhos

Crianças acima do peso têm chances de se tornarem adultos obesos e essa condição favorece doenças como diabetes e hipertensão.

A obesidade infantil e o papel dos pais na saúde dos filhos

Crianças acima do peso têm chances de se tornarem adultos obesos e essa condição favorece doenças como diabetes e hipertensão.

2 Junho 2020

O isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus fechou temporariamente escolas, interrompeu aulas e obrigou crianças a ficarem em casa. Essa nova rotina pode ser um desafio para pais e responsáveis que precisam adaptar as tarefas dos pequenos. Com mais tempo em casa, o gasto calórico com atividades físicas e escolares é menor, razão pela qual apostar em alimentos balanceados previne a obesidade infantil e mantém o sistema imunológico fortalecido. 

Para o endocrinologista pediátrico da Unimed Grande Florianópolis, Dr. Diego Callai Schuh, quando pensamos na alimentação para os nossos filhos, a resposta é mais simples do que parece: “as crianças devem comer comida de verdade”, explica o profissional, para quem alimentos ultraprocessados, como temperos prontos, opções congeladas ou instantâneas, refrigerantes, sucos industrializados, salgadinhos e afins devem ser desconsiderados. 

O profissional alerta que o isolamento social o qual estamos vivendo pode resultar em situações de maior estresse e ansiedade em toda a família, e que essa carga emocional, muitas vezes, é descontada na alimentação. “Por isso, é importante que a qualidade dos alimentos seja mantida, o que inclui proteínas de origem animal fresca, o leite e seus derivados, as oleaginosas (feijão, lentilha...), as frutas e as hortaliças”, complementa.

A preocupação do Dr. Diego com pais e outros responsáveis que substituem a “comida de verdade” das crianças por opções industrializadas ou instantâneas tem por base pesquisas que apontam em 75% a possibilidade de uma criança obesa se tornar um adolescente acima do peso. Esse número é ainda maior da fase juvenil para a adulta, em que as chances chegam a 90% dos casos. “Isso mostra claramente a importância de buscarmos hábitos saudáveis e, por consequência, a manutenção de um peso adequado desde os primeiros anos de vida. Mais do que tratar, o ideal é prevenir a ocorrência da obesidade”, avalia o endocrinologista. . 
 
Aleitamento materno como prevenção
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação materna diminui o risco de obesidade a longo prazo entre 20 e 25%. Ou seja, a cada mês de aleitamento, diminui-se o risco de obesidade na vida adulta, razão pela qual é aconselhado que a amamentação em bebês seja exclusiva até os 6 meses de vida. Posteriormente, a introdução alimentar pode complementar-se ao leite materno até quando mãe e filho decidirem concluir essa fase.

Atualmente, o Brasil tem uma taxa de amamentação considerada boa, comparada a outros países, inclusive europeus. Porém, de acordo com o Ministério da Saúde, o acesso a alimentos industrializados e instantâneos, bem como o consumo de bebidas com açúcar estão em curva crescente, aparecendo como um dos principais fatores da obesidade infantil chegar a quase 13% no Brasil. Por isso, é fundamental que um médico pediatra acompanhe a saúde da criança para avaliar seu crescimento e desenvolvimento.