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O novo normal

O novo normal

O novo normal

22 Outubro 2020

E, de um dia pro outro, tudo mudou!
Corremos para dentro de nossas casas, só saindo de lá quando estritamente necessário. Máscaras, álcool em gel e distanciamento social, inclusive daqueles que nos eram tão queridos, tornaram-se presença constante, entendidos como itens de sobrevivência.
 
Além disso, inúmeros sentimentos se fizeram presentes, não apenas ocupando espaço em nossas mentes - mesmo sem que conseguíssemos entendê-los, nem tão pouco nomeá-los - acabaram transbordando a nível emocional físico e comportamental, por meio de tristeza, desânimo, ansiedade, atos impulsivos, dores pelo corpo, entre outras manifestações.  
 
Cabe salientar que, de acordo com o psicólogo Karl Slaikeu, autor do Livro Intervenções em crise,(1996), "... crise é o estado de desorganização produzida pelo impacto de uma situação que altera a vida, que excede a capacidade habitual das pessoas para enfrentar problemas."  
 
Então, é preciso que entendamos que não estamos sozinhos e que "está tudo bem", porque essas reações podem ser consideradas normais - e, arrisco afirmar - esperadas, dentro desse cenário anormal, dentro dessas crises que fomos submetidos, pois, não bastasse o enfrentamento e o sofrimento causado pela crise oriunda da pandemia provocada pelo COVID-19, muitas outras, específicas e de caráter individual, se originaram.   
 
Apesar das inúmeras situações individuais vividas que desencadeiam incertezas, medo, ansiedade e que tomam conta de nossos dias, podemos contribuir para mitigar os possíveis efeitos maléficos dessa situação, por meio de pequenos gestos, tais como: construir uma rotina individual e familiar diária, observar nossa alimentação, manter uma prática adequada de exercícios físicos, preservar o contato com nossa rede socioafetiva, buscar estar no momento presente e também, reservar um tempo para momentos de descontração e lazer, entre outros tantos pequenos comportamentos, que podem adquirir significância enquanto possibilidade de algum "controle" dentro dessa desordem experienciada.

 
O momento em que vivemos, não sei se seria adequado julgá-lo como bom ou mau, é um momento diferente, diferente de qualquer outra situação antes vivenciada e nos pede, sobretudo, adaptação e acolhimento dos nossos sentimentos.
 
Apenas com o acolhimento dos nossos sentimentos é que conseguiremos, enquanto seres que constroem suas vidas baseadas em relações sociais, relembrar-nos desse período não apenas como um momento de "sobrevivência", mas, sobretudo como um momento onde nosso olhar e conduta fora pautado "sobre as vivências" que pudemos acrescentar às nossas vidas.