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Automedicação: conscientização dos riscos de tomar medicamentos por conta própria

Automedicação: conscientização dos riscos de tomar medicamentos por conta própria

Automedicação: conscientização dos riscos de tomar medicamentos por conta própria

5 Setembro 2012

Dor de cabeça, tosse, febre, insônia, pequenas dores localizadas. Quem não tem o remédio para tudo isso em casa?

Do analgésico mais “inofensivo” ao sedativo “tarja preta”, a verdade é que todo mundo (no mínimo) conhece alguém que abusa de medicação sem prescrição médica.

            Em enquete realizada pela Atual Comunicação, quase metade das pessoas admitiram abertamente que costumam tomar diversos tipos de remédios antes de consultar um médico, muitas vezes através de indicação de conhecidos. É o famoso "pra mim deu certo, pode confiar que sara na hora".

            É impressionante. Muitas famílias que têm verdadeiras drogarias em seus armários, contendo o que seria a cura para todos os males, acreditam que a prevenção estocada nas prateleiras significa a garantia de uma saúde melhor, sem sair de casa. Acontece que, na falta da receita médica, há bens que podem vir para o mal, pois no escuro é mais fácil pisar em falso. As bulas amareladas e difíceis de desdobrar não se comparam às indicações de um especialista que interpreta os sintomas de cada paciente, de maneira personalizada.

            No Brasil, analgésicos e antitérmicos possuem anúncios publicitários veiculados no horário nobre, seja do rádio ou da televisão. Anúncios que terminam em alertas como “esse medicamento é contraindicado em caso de suspeita de dengue” ou “ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado”. Assim como as advertências após as propagandas de cerveja, esses alertas com duração de décimos de segundo não chamam mais a atenção do consumidor. Aqui eles são vendidos sem a necessidade de prescrição, e a posologia é estabelecida pelo próprio paciente.

            É óbvio que os hospitais não teriam capacidade para atender a todas as pessoas que apresentassem sintomas de um simples resfriado. Segundo o cardiologista Cacildo Queiroz, no caso dos analgésicos os riscos realmente não são dos maiores (exceto em casos de dengue, quando há interferência na coagulação do sangue), mas deve-se certificar que o organismo está acostumado com o medicamento.

            “Quando se tem um resfriado, que é o mais comum, ou uma dor de cabeça, coriza ou mal estar, o paracetamol ou a dipirona não trazem maiores riscos a quem já costuma tomá-los quando necessário. Mas há um tempo, quem entrava em algumas farmácias queixando-se de problemas diferentes, como dor de garganta, saía de lá com um antibiótico, indicado muitas vezes de maneira errônea”, lembra o médico.

            Os antibióticos administrados por pessoas alérgicas à fórmula podem ocasionar sérios danos à saúde.

            “Remédios efervescentes para dor de estômago, também muito comuns, são contraindicados. Podem até complicar a situação em caso de úlceras e gastrites. Atualmente existem medicamentos específicos para a cura desses males, mas nada deve ser administrado sem consulta médica. É arriscado. Aquelas propagandas de medicamentos que ‘curam ressaca’ também são enganosas. Em caso de intoxicação por consumo exagerado de bebidas alcoólicas, o indicado é um remédio para combater enjoo, cortar a alimentação pesada e hidratar bem o corpo”, recomenda Dr. Cacildo.

            Outro aspecto complicado é o uso de calmantes e remédios para dormir. Felizmente, hoje a liberação dos chamados “remédios tarja preta" é controlada e a retirada dos mesmos exige ordem médica.

            Dr. Cacildo reforça a ideia, que pode evitar muita dor de cabeça, até mais que os analgésicos.

            “O que não pode é tomar remédio através da indicação de outras pessoas, como familiares ou vizinhos. Isso é o mais perigoso, pois cada organismo pode reagir de maneira diferente ao medicamento, mesmo quando os sintomas são parecidos com os dos amigos.”


Atual Comunicação