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Leptospirose: como combater

Leptospirose: como combater

A doença transmitida pela urina de roedores é mais comum em período de chuvas e alagamentos. Conheça os principais cuidados para a prevenção!

Leptospirose: como combater

20 Janeiro 2020

Nos meses em que as chuvas são mais intensas, aumenta a preocupação com possíveis alagamentos e também com doenças provocadas pelo contato com a água que pode levar horas ou mesmo dias até escoar totalmente. Durante uma enchente, por exemplo, a urina de animais infectados, principalmente os ratos, encontrada em bueiros e esgotos, mistura-se à enxurrada, podendo infectar com leptospirose qualquer pessoa que tiver contato com essa água ou lama.

criança em uma rua alagada

No Brasil, os principais transmissores da leptospirose são os ratos urbanos, como camundongos, ratazanas e ratos de telhado, mas outros animais como bois, porcos, cavalos, cabras, ovelhas e cães também podem contrair a doença e eventualmente transmiti-la ao homem.

A causadora da doença infecciosa é a bactéria Leptospira, que atinge a corrente sanguínea ao penetrar no corpo pela pele, sobretudo se houver pequenos ferimentos e arranhões, podendo ficar incubada por até 30 dias. Os principais sintomas são febre alta súbita, olhos avermelhados (hiperemia conjuntival), dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas, seguidos ou não de vômitos, diarreia e tosse. Quando há maior gravidade, somam-se aos sintomas mais comuns a icterícia (pele e olhos amarelados), hemorragias, insuficiência renal, hepática e respiratória, e meningite, levando à necessidade de internação do paciente.

 

médica orientando paciente

Diagnóstico e tratamento

Por terem sintomas parecidos, é comum que a leptospirose seja confundida com outras doenças, como dengue, malária e hepatite. Para um diagnóstico preciso, além do exame clínico, há exames laboratoriais de sangue e também o isolamento da bactéria em meios apropriados, sendo que o método diagnóstico de escolha vai depender da fase em que se encontra a doença.

O tratamento é feito com medicamentos antibióticos, como a penicilina, além de analgésicos que combatem a febre e outros sintomas. Os médicos orientam que, em caso de suspeita, não haja automedicação. A detecção precoce é fundamental para evitar os quadros mais graves da doença.

Vacinas contra a patologia não estão disponíveis para uso humano no Brasil; animais domésticos e de produção podem ser vacinados, mas apenas em serviços particulares.

 

homem descartando o lixo

A importância da prevenção

Para prevenir casos de leptospirose, a principal recomendação médica é não se expor em áreas de alagamento e enchentes, e manter crianças afastadas desses ambientes. Se houver necessidade de atravessar um trecho alagado, como pode acontecer para profissionais que trabalham na limpeza urbana, a sugestão é usar botas e luvas de borracha ou sacos plásticos duplos reforçados, bem amarrados nas mãos e nos pés, para evitar o contato direto com a água. Além disso, deve-se evitar que animais de estimação fiquem em áreas que podem alagar em período de chuvas, garantir a vacinação dos bichanos e prestar atenção às datas de reforço. A vacina V8 combate dois sorotipos da doença e a V10 combate quatro sorotipos.

Alguns cuidados para se combater os roedores também devem ser adotados, como o acondicionamento adequado do lixo; armazenamento de alimentos em locais apropriados, sem deixar restos em volta da casa; vedação de caixas d´água, e a limpeza e desinfecção de locais e objetos que entraram em contato com água ou lama contaminada (diluir 400 ml de água sanitária em um balde de 20 litros de água, deixando agir por 15 minutos).


Texto: Karina Fusco | Edição: Ana Carolina Giarrante e Michel Vita | Design: Alex Mendes

Fonte: Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Infectologia, Hospital Israelita Albert Einstein e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Conteúdo aprovado pelo responsável técnico-científico do Portal Unimed.