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Psicologia hospitalar acolhe pacientes com Covid-19

Psicologia hospitalar acolhe pacientes com Covid-19

Psicóloga da Unimed Maceió destaca a importância da humanização no atendimento

Psicologia hospitalar acolhe pacientes com Covid-19

Psicóloga da Unimed Maceió destaca a importância da humanização no atendimento

28 Maio 2020

Barbara Eseves 

Asessora de Comunicação

O dia a dia de um hospital pode ser muito estressante para o paciente, principalmente em tempos de pandemia, quando a insegurança e a incerteza são constantes. A humanização do atendimento é indispensável para proporcionar acolhimento e reforçar os cuidados aos internados por Covid-19. No Hospital Unimed Maceió não poderia ser diferente. Os pacientes têm recebido carinho e esperança como um reforço extra para amenizar a saudade e a dor de quem está longe de seus familiares.  

Estudos em todo o mundo já demonstraram a eficácia do tratamento humanizado e como ele contribui para a melhora do quadro de saúde de pacientes e da redução da sensação de medo e estresse causados pela internação. “O apoio emocional é muito importante no cenário que estamos vivendo. O paciente costuma ter uma evolução mais rápida e significativa do seu quadro quando profissionais de diferentes áreas, dentro das suas especialidades, trabalham em conjunto por um objetivo comum: o bem-estar integral do sujeito”, afirma a psicóloga do Hospital Unimed, Fabiana Bitu.

No Hospital Unimed, os beneficiários, em especial os que foram internados com Coronavírus, recebem avaliação psicológica e, devido à necessidade de isolamento, esses últimos podem falar com a família por meio de videochamadas.

“Nas unidades de internação, após solicitação da equipe, são feitos avaliação e acompanhamento psicológico. Nas UTIs o atendimento é realizado aos pacientes lúcidos e orientados. Diante da impossibilidade de receberem visitas, usamos a tecnologia ao nosso favor. Com a chamada de vídeo, conseguimos levar ao paciente a emoção de ouvir a voz e ver o rosto familiar. Já para os pacientes que estão inconscientes, são solicitadas mensagens de áudio à família, garantindo assim o estímulo emocional”, explica a psicóloga.

Atenção e cuidado

Os relatos de quem passou pela Covid-19 só comprovam a importância desse acolhimento especial. É o caso da jovem Isabella Vieira Constantino, 22 anos, por exemplo, internada por 10 dias no hospital.

Isabella teve leucemia linfoide aguda aos nove anos de idade, o que a colocou no grupo de risco para o Coronavírus, devido à baixa imunidade. “Cheguei muito debilitada ao hospital, não aguentava ficar em pé. Foi um misto de sentimentos. Fiquei com medo de morrer, ou ter sequelas, a ansiedade de lutar contra algo invisível me dominava. Todos os dias ter contato com a psicóloga me acalmava muito. E tinha a precupação com meu bem-estar”, ressalta.

“O atendimento que tive na Unimed é algo que não se explica, apenas se sente. E o que senti e sinto é gratidão. Por não terem me deixado ir embora, por terem investigado o problema com exames, pela preocupação com minha alimentação, com meu bem-estar, para que eu saísse bem do hospital. Passe o tempo que for, mas todos que fizeram algo por mim eu nunca esquecerei. Levarei para sempre em meu coração”, confessa Isabella (foto ao lado).

Já a servidora pública Emanuelle Aline dos Santos Lopes teve um grande susto ao ver a mãe, técnica de enfermagem, que durante muitos anos cuidou de outras pessoas, ir para a emergência da Unimed, com suspeita de Coronavírus. Maria das Graças dos Santos Lopes, de 57 anos, passou oito dias internada, com a doença.

“Foi um momento muito difícil, pois essa doença causa muito medo. E como a minha mãe é do grupo de risco, pois é diabética, o medo foi triplicado. O acompanhamento psicológico foi fundamental, tanto para ela quanto para os familiares. Eu, como filha, fiquei muito preocupada, pois não tinha contato nenhum com minha mãe durante sua internação na UTI. Saber que tinha uma profissional tão cuidadosa e humanizada cuidando dela foi muito gratificante. A psicóloga mandava os meus recados para a minha mãe, e me passava os recados dela. E cada novo recado recebido enchia o meu coração de alegria e esperança”, relembra Emanuelle.

Dona Maria das Graças conta que enfrentar a batalha contra o Coronavírus não foi fácil, mas o auxílio psicológico recebido foi fundamental para a sua recuperação. “Como a doença é perigosa e tem muitos casos de óbitos, eu fiquei muito assustada. O apoio que recebi da Fabiana foi fundamental. Ela me deixou mais à vontade, me confortou, me senti mais segura, forte e acolhida. Só tenho a agradecer”, diz a técnica de enfermagem.

A psicóloga Fabiana Bitu afirma que a evolução costuma ser mais rápida e significativa, quando o paciente é tratado de forma integral e humanizada. “Nós, profissionais da saúde mental, precisamos nos reinventar diariamente para garantir a humanização do cuidado ao nosso paciente e da nossa equipe. Neste delicado cenário é ainda mais importante que os profissionais de saúde estejam unidos para que o acolhimento se dê de forma humanizada, responsável e ética”.