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Entenda o Linfoma de Hodgkin

Entenda o Linfoma de Hodgkin

Entenda o Linfoma de Hodgkin

20 Agosto 2013


Na novela Amor à Vida, Nicole (Marina Ruy Barbosa) morreu em decorrência de um Linfoma de Hodgkin tipo 4. Na trama, a jovem personagem decidiu procurar ajuda médica depois de aparecerem pruridos em sua pele. Em poucos meses, ela morreu.

A popularidade do folhetim da rede Globo fez com que a doença se tornasse tema de conversas e, também, gerou dúvidas e discussões sobre o assunto.

Para esclarecer as principais características desta patologia, conversamos com Diana Jorge Pires, coordenadora médica da Unidade de Oncologia e Hematologia do Hospital Regional Unimed Fortaleza.


Quais fatores podem causar o Linfoma de Hodgkin?
Pessoas com sistema imune comprometido, como consequência de doenças genéticas hereditárias, infecção pelo HIV, uso de drogas imunossupressoras por doenças autoimunes ou pacientes submetidos à quimioterapia têm risco aumentado de desenvolver Doença ou Linfoma de Hodgkin. Membros de famílias nas quais uma ou mais pessoas tiveram diagnóstico da doença também têm risco maior de ter esse tipo de linfoma.

Quais são os sintomas?
Os sintomas da doença dependem da sua localização. Caso se desenvolva em linfonodos que estão próximos à pele (como no pescoço, axilas e virilhas), os sintomas incluem aparecimento de gânglios aumentados e, comumente, indolores nestes locais.

Se a doença ocorre na região do tórax, os sintomas podem ser de tosse, falta de ar (dispneia) e dor torácica. Quando se apresenta na pelve e no abdome, os sintomas podem ser de plenitude (sensação de enchimento), aumento do volume e distensão abdominal.

Os sintomas gerais da Doença de Hodgkin incluem febre, fadiga (cansaço), sudorese noturna, perda de peso e prurido (coceira na pele).

Qual é o tratamento indicado para a doença?
Dependendo do estágio da doença no momento do diagnóstico, pode-se estimar o prognóstico do paciente e definir o tratamento que classicamente é feito com poliquimioterapia (combinação de várias drogas), com ou sem radioterapia. O número de ciclos é definido também pelo estadiamento (definição do estágio da doença) inicial e pela resposta ao tratamento.

Atualmente, o exame PET-CT é apropriado para o diagnóstico e, após dois ciclos de tratamento, serve como um bom esclarecedor de prognóstico.
Quando o PET é negativo após os dois primeiros ciclos, o paciente tem melhores taxas de resposta e sobrevida. Para os pacientes que sofrem recaídas (recidivas) da doença, existem alternativas com outras drogas não usadas inicialmente, seguida de transplante autólogo de medula óssea.

Existem vários tipos desse câncer. Quais são eles e as diferenças entre si?
Atualmente, para classificação da Doença de Hodgkin é mais utilizado o sistema desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde em conjunto com um painel de especialistas norte-americanos e europeus, denominado REAL ( Revised European American Lymphoma Classification).

Pode-se distinguir a Doença de Hodgkin de outros tipos de linfoma, em parte, por meio do exame de amostras sob microscopia e exames específicos como imuno-histoquímica. O tecido obtido por biópsia de pacientes com Doença de Hodgkin apresenta células denominadas Reed-Sternberg, uma homenagem aos médicos que descreveram primeiramente estas alterações. A Doença ou Linfoma de Hodgkin é uma forma de câncer que se origina nos linfonodos (gânglios) do sistema linfático, um conjunto composto por órgãos, tecidos que produzem células responsáveis pela imunidade e vasos que conduzem estas células pelo corpo. Ao se fazer o diagnóstico de um Linfoma de Hodgkin, por meio de biópsia do linfonodo ou do órgão comprometido, ele é classificado para se determinar o subtipo histológico (detalhes de infiltração do linfonodo e tipo de célula).

Existem quatro estágios, sendo o estadiamento I correspondente à doença mais limitada e, o estadiamento IV, à mais avançada. Há, ainda, uma subdivisão destes estágios em pacientes com certos sintomas relacionados à doença, chamados sintomas B, tais como febre, sudorese noturna e perda de peso significativa. Por exemplo: se um paciente tem doença avançada (estágios III ou IV) e tem sintomas B, determina-se o estadiamento como IIIB ou IVB.

A possibilidade de cura nos estágios mais avançados é menor em relação aos estágios iniciais, no entanto, existem outros fatores a serem avaliados, como idade, condições clinicas do paciente e exames laboratoriais ao diagnóstico que também são importantes para definir o prognóstico e as chances de cura.

Todos os tipos podem levar à morte? Em que circunstâncias?
Como se trata de um tipo de câncer, se não tratado, o Linfoma de Hodgkin evolui mais lentamente ou mais agressivamente, dependendo do subtipo, levando o paciente a um estágio avançado de doença (quando as chances de cura são mínimas) e, provavelmente, ao óbito. Por esse motivo, quanto mais precoce é feito o diagnóstico, maior as chances de cura.

Atualmente, a maioria dos pacientes com Doença de Hodgkin pode ser curada com os tratamentos disponíveis. Esta doença pode ocorrer em qualquer faixa etária, porém, é mais comum em adultos jovens, dos 15 aos 40 anos, com pico de maior frequência entre 25 a 30 anos. A incidência de novos casos permaneceu estável nas últimas cinco décadas e a mortalidade foi reduzida em mais de 60% desde o início dos anos 70 devido aos avanços no tratamento.

Ana Carolina Giarrante

Conteúdo aprovado pelo responsável técnico-científico do Portal Unimed.


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