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Intolerância alimentar: o que é, sintomas e qual especialidade médica procurar

Intolerância alimentar: o que é, sintomas e qual especialidade médica procurar

A intolerância alimentar pode ser difícil de identificar. Nesse artigo, você descobre quais os sintomas desse problema, em qual médico ir e como é o tratamento.

Intolerância alimentar: o que é, sintomas e qual especialidade médica procurar

7 Maio 2018

 

Intolerância Alimentar é uma resposta do organismo à ingestão de determinados alimentos, em função de uma dificuldade no processo digestivo.

 

Uma das etapas necessárias para digerir um alimento é a absorção dos nutrientes encontrados nos alimentos ingeridos. No caso da intolerância, o organismo tem incapacidade ou dificuldade em absorver esses nutrientes, o que resulta em extremo desconforto, com vários sintomas associados.

 

Para entender melhor que alimentos podem causar o problema, e quais sintomas são esses, continue sua leitura.

 

Neste artigo, vamos abordar: 

 
  • Intolerância alimentar: entenda o que é
  • Sintomas de intolerância alimentar: como diagnosticar
  • Quais são os sintomas mais comuns da intolerância alimentar?
  • Causadores da intolerância alimentar
  • Qual a diferença de intolerância e alergia alimentar?
  • Conheça os tipos de intolerância alimentar
  • Que médico devo consultar em caso de suspeita de intolerância alimentar?
  • Existe tratamento para intolerância alimentar?
 

Boa leitura!

Intolerância alimentar: entenda o que é

 

A intolerância é uma resposta não tóxica à ingestão de certos alimentos.

 

Você já sentiu algum desconforto após consumir derivados do leite, peixes, mariscos e outros frutos do mar, pães, bolos ou ovos? 

 

Se você respondeu “sim”, é possível que você esteja com algum tipo de intolerância ou alergia alimentar. Essas são condições que podem atrapalhar bastante seu dia a dia, por isso, é importante consultar um médico.

 

As alergias alimentares normalmente aparecem quando o paciente ainda é bem novo. As intolerâncias, no entanto, podem aparecer a qualquer momento, sendo mais frequentes conforme envelhecemos. 

 

Isso acontece porque a digestão se torna mais lenta, já que o corpo diminui sua produção de enzimas, utilizadas na decomposição dos alimentos.

 

Com a dificuldade no processo de absorção de alguns nutrientes, o organismo retém a substância, que fica acumulada no estômago. 

 

O excesso dessas substâncias resulta em desconfortos como cólicas, enxaquecas, obesidade, tontura, náuseas, psoríase, diarreia, arritmia, prisão de ventre, aftas, fadiga, conjuntivite, entre outras.

Sintomas de intolerância alimentar: como diagnosticar

 

O paciente que sofre com intolerância alimentar frequentemente sente os sintomas logo após o consumo do alimento. Os sinais demoram apenas algumas horas para surgir. 

 

Em alguns casos, a pessoa consegue ingerir pequenas quantidades do alimento em questão.

 

Isso significa que identificar o alimento que está causando o problema pode ser mais difícil do que parece. É importante buscar ajuda médica, que irá indicar exames específicos para identificar a substância causadora da intolerância.

 

O diagnóstico é feito principalmente através da análise dos sintomas apresentados. Alguns exames, como o de sangue, podem ser usados como apoio no processo.

 

Então, fazer exames de rotina e manter um diário alimentar são passos importantíssimos para identificar corretamente uma intolerância alimentar. 

 

Seu médico pode ajudar você a interpretar os sinais, e, claro, descartar do diagnóstico outras patologias com sintomas similares.

Quais são os sintomas mais comuns da intolerância alimentar?

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas, em geral, estão relacionados ao sistema digestivo. Alguns exemplos são náuseas, vômito, dores de estômago, prisão de ventre ou diarreia. A intolerância também pode causar irritabilidade e enxaqueca..

 

Vamos explorar, abaixo, os principais sintomas relatados por quem sofre de intolerância alimentar. No entanto, é importante lembrar que o sintoma, avaliado de forma isolada, não caracteriza uma intolerância específica.

 

É preciso consultar um especialista para ter certeza do seu diagnóstico. 

- Dores nas articulações

Dores nas articulações ou nos músculos podem vir de algum tipo de intolerância alimentar.

 

Pessoas que já sofrem de fibromialgia têm mais chances de observar uma piora nas dores, em caso de intolerância.

- Cansaço excessivo

O excesso de açúcar sobrecarrega o organismo, provocando uma inflamação constante. Dessa forma, o corpo gasta mais energia para lutar contra esse estado inflamatório, deixando a pessoa com a sensação de cansada mesmo após uma longa noite de sono

- Inchaço e dores abdominais

Dois dos sintomas mais comuns da intolerância alimentar, o inchaço e as dores abdominais acontecem porque o organismo não foi capaz de digerir por completo os alimentos.

 

Com isso, os restos fermentam no intestino, causando um acúmulo de gases. Vem daí, também, a dor. Geralmente, ela aparece logo após a ingestão do alimento causador da intolerância. 

- Coceira ou manchas na pele

A saúde do intestino tem muito a ver com a saúde da pele. Se o seu trato intestinal estiver em um processo inflamatório, é possível que a pele responda com alterações como vermelhidão, pequenas bolinhas e coceira.

- Azia ou enjoos frequentes

A azia acontece quando os ácidos do estômago sobem até o esôfago, causando uma sensação de queimação. 

 

Bastante comum para quem sofre de refluxo ou gastrite, é também um sintoma da intolerância, já que o problema acontece em função da má digestão dos alimentos.

Causadores da intolerância alimentar

Uma pesquisa realizada na Inglaterra avaliou alimentos associados à intolerância alimentar em mais de 10 mil pacientes. Como os principais, os pesquisadores destacaram: chocolate, frutas cítricas, aditivos alimentares, leite, queijo, ovos, nozes, peixes e moluscos. Porém, existem outros alimentos que estão, frequentemente, associados a quadros de intolerância. Confira:

 
  • Trigo, cevada e centeio: o glúten presente nesses alimentos tem bastante potencial de desencadear um processo de intolerância ou alergia
  • Alimentos de origem animal: como leite e derivados (lactose), peixes, mariscos, entre outros
  • Alimentos de origem vegetal: os mais comuns são tomates, morangos, nozes, bananas e couve e espinafre
  • Refrigerantes à base de cola, café e chocolate: a intolerância destes alimentos são fáceis de identificar, pois, provocam rapidamente sintomas como enxaqueca
  • Castanha e amendoim: o problema se dá em função das aflatoxinas, podendo resultar em alergias graves
  • Aditivos alimentares: conservantes, aromatizantes e realçadores de sabor podem resultar em quadros de intolerância alimentar, por serem altamente industrializados

Qual a diferença de intolerância e alergia alimentar?

Diferente da intolerância, a alergia alimentar é um ataque do organismo ao que ele identifica como um corpo estranho.

 

A intolerância alimentar, como já explicado, é uma situação que pode iniciar a qualquer momento da vida, a partir da dificuldade de digestão de um determinado alimento. 

 

Por se tratar especificamente do problema de absorção do açúcar, é o acúmulo da substância o responsável por gerar desconfortos no organismo, resultando em processos inflamatórios que identificam a intolerância.

 

Já a alergia alimentar acontece quando o organismo busca se defender contra a entrada de certos alimentos – mesmo que em pequenas quantidades. Ao identificá-los como um corpo estranho, produz anticorpos para combater o perigo. 

 

Por isso, tem seus sintomas iniciados imediatamente após a ingestão do alimento. O sintoma mais grave é o choque anafilático que, se não tratado rapidamente, pode levar a óbito. 

- Alimentos que podem causar alergia

Os alimentos mais comuns de provocar processos alérgicos são os ovos, peixes e mariscos, leite e seus derivados, amendoim, nozes, trigo (em suas variações) e soja. 

 

Já os sintomas mais comuns da alergia alimentar são: urticária (coceira), inchaço, especialmente no abdômen, coceira ou manchas avermelhadas, dor abdominal, vômito, diarreia e, em casos mais graves, a anafilaxia, que provoca o estreitamento das vias aéreas.

Conheça os tipos de intolerância alimentar

Vamos apresentar, abaixo, os tipos de intolerância mais comuns. Se você desconfiar dos sintomas, procure um médico. Ele é o profissional competente para diagnosticar e tratar a intolerância alimentar. 

- Doença celíaca

O que é: uma reação do intestino como resposta ao consumo de glúten, proteína encontrada em grãos como trigo, malte e cevada. 

 

A doença celíaca acontece devido a uma inflamação crônica (que não tem cura) da mucosa do intestino delgado. O problema leva à atrofia da mucosa intestinal, o que resulta em uma pobre absorção de nutrientes

 

Atenção: a aveia não contém glúten. No entanto, ela pode ser contaminada com a proteína durante o seu processo de produção. Se você tem a doença celíaca, só consuma aveia se estiver, na embalagem, a informação de que o produto não contém nenhum traço de glúten.

 

É por causa disso, também, que pessoas com a doença celíaca não podem preparar seus alimentos no mesmo local onde há manipulação de farinha de trigo, por exemplo. Qualquer mínimo contato, seja através de utensílios, seja de resquícios na bancada ou no ar, é o suficiente para provocar a reação imunológica no paciente.

 

Sintomas comuns: dor abdominal, prisão de ventre, irritabilidade, desânimo, diarreia crônica, vômitos, humor alterado e distensão. 

 

Pacientes com doença celíaca que ficaram expostos ao glúten por longos períodos podem apresentar outros sintomas, como anemia, problemas de crescimento, variação abrupta de peso (emagrecimento exagerado ou obesidade), falta de apetite, aftas, osteoporose ou outras doenças dos ossos. 

 

Celíacos que não seguem uma rigorosa dieta livre de glúten também correm riscos maiores de desenvolver câncer no trato gastrointestinal. 

- Alergia ao trigo

 

O que é: uma reação às proteínas do trigo, não necessariamente ao glúten. 

 

Diferente da doença celíaca, a alergia ao trigo não se trata de uma resposta do organismo à ingestão de glúten. Ao invés disso, o problema pode ocorrer devido a qualquer proteína presente no trigo. Essa reação é alérgica e não causa as deficiências intestinais relacionadas com a doença celíaca. 

 

Sintomas mais comuns: formigamento ao redor da boca, coceira, dificuldades respiratórias e inchaço na garganta.

- Sensibilidade ao glúten

O que é: essa é uma forma de intolerância à proteína, porém se difere da doença celíaca porque não causa danos ao intestino delgado. A sensibilidade ao glúten é mais difícil de diagnosticar, visto que não é acusada em exames laboratoriais. 

 

Sintomas mais comuns: os sintomas são similares à doença celíaca, embora a sensibilidade não cause danos ao intestino delgado. Como exemplo, podemos citar as dores de estômago, sensação de cansaço, diarreia, inchaço e dores de cabeça.

- Intolerância à lactose

 

O que é: a lactose é o açúcar do leite. A intolerância acontece quando o organismo não consegue produzir uma enzima, chamada lactase, em quantidade suficiente para fazer a digestão da lactose. É aí que vem o desconforto. Essa enzima é produzida no intestino delgado e já pode ser reposta por meio de medicamentos. 

 

Sintomas mais comuns: dor abdominal, gases, inchaço abdominal, enjôos e diarreias.

- Sensibilidade aos aditivos alimentares

O que é: é uma sensibilidade ao que é adicionado nos alimentos a fim de aumentar seu sabor ou prolongar sua validade, por exemplo. O paciente que tem esse tipo de sensibilidade costuma a ter problemas também com corantes e realçadores de sabor, presentes na grande maioria dos alimentos industrializados.

 

Sintomas mais comuns: os sintomas, nesse caso, dependem do tipo de intolerância do paciente. Por exemplo, alimentos que contêm sulfitos (como vinho, frutas secas e produtos enlatados) podem causar vermelhidão na pele. Quem é sensível a produtos que realçam o sabor pode sentir palpitação, dor de cabeça ou dormência. 

 

- Alergia ao leite, peixes, frutos do mar, ovos e oleaginosas

 

O que é: reação alérgica causada pela ingestão de um alimento. Normalmente, as alergias surgem no indivíduo ainda na infância, os acompanhando durante a vida adulta. É muito comum encontrar pessoas alérgicas ao leite e ovos, por exemplo. 

 

Alimentos como peixes, mariscos e outros frutos do mar, ovos, amendoim, nozes e soja também são conhecidos como causadores de alergias. 

 

Sintomas mais comuns: tosse, coriza, olhos lacrimejando, coceiras e vermelhidão na pele, diarreia, cólicas e choque anafilático, para casos mais graves. 

 

Lembre-se: se você passa por qualquer tipo de desconforto ou indisposição após o consumo de um alimento, é fundamental consultar um médico. Assim, você poderá ter um diagnóstico mais preciso e tratar o problema com eficácia e segurança!

Que médico devo consultar em caso de suspeita de intolerância alimentar?

O gastroenterologista, o nutrólogo e o alergologista são especialidades médicas que podem auxiliar no diagnóstico de um quadro de intolerância. 

 

Se você estiver com sintomas que sugiram uma intolerância alimentar, e deseja investigar melhor o seu quadro, você pode consultar um gastroenterologista

 

Essa é a especialidade médica que estuda, diagnostica e trata doenças do aparelho digestivo. Como a intolerância alimentar é causada por uma dificuldade de digestão, esse é um dos profissionais recomendados.

 

No entanto, você também pode consultar um nutrólogo. Especialista em nutrologia funcional, esse profissional estuda as reações do organismo em relação à ingestão de nutrientes, inclusive correlacionando com doenças diversas.

 

Assim, ele observa como seu organismo está se comportamento em relação a uma série de alimentos e, baseado nos seus sintomas e exames de sangue, poderá identificar e tratar a intolerância.

 

Por fim, o alergologista estuda o diagnóstico e tratamento das alergias, podendo identificar alergias alimentares ou direcionar o paciente para outros profissionais, caso outras abordagens sejam necessárias.

- Como são os testes de diagnóstico de intolerância alimentar? 

Não existe um exame específico para a intolerância alimentar. No entanto, caso exista um quadro de intolerância, o exame IgG mostrará uma significativa alteração. A alergia, por outro lado, é identificada  quando o médico analisa os resultados do exame IgE. 

 

Porém, somente o resultado do exame de sangue não é o suficiente para afirmar uma intolerância alimentar, muito menos identificar o alimento causador do problema. A observação do médico em relação à rotina e ao histórico do paciente, bem como a análise dos sintomas descritos, é fundamental para um correto diagnóstico. 

 

Existem, no entanto, testes específicos para identificar alergia ou intolerância a substâncias como lactose ou glúten. Procure seu médico e agende uma consulta para investigar uma potencial reação aos alimentos.

Existe tratamento para intolerância alimentar?

Não existe um tratamento para a intolerância alimentar. A recomendação é uma revisão e adequação da dieta, retirando por completo o alimento que provoca a intolerância. 

 

Para isso, é importante o acompanhamento de um nutricionista, de modo que todas as substituições sejam feitas, evitando uma deficiência de nutrientes. 

 

Outro possível tratamento, para ser utilizado de modo complementar, é a utilização de remédios com enzimas que auxiliam na digestão dos alimentos que causam a intolerância.

- Intolerância alimentar tem cura?

O tratamento para a intolerância alimentar não garante a cura do paciente. No entanto, após a exclusão total do alimento causador da intolerância por, no mínimo, três meses, a sua reintrodução no cardápio pode ser testada.

 

Muitos pacientes respondem bem, podendo voltar a consumir o alimento (com moderação) sem que os sintomas da intolerância recomecem. 

 

Por outro lado, se a tentativa não for positiva, é preciso manter o alimento fora da dieta, para sempre. 

 

Peça ajuda a um nutrólogo ou nutricionista para fazer este acompanhamento. Estes profissionais são adequados para orientá-lo em relação a seus hábitos alimentares

Conclusão

A intolerância alimentar é uma doença que pode acometer pessoas de qualquer idade, de uma hora para outra.

 

Como vimos, a intolerância alimentar é uma reação de provocada pelo organismo quando alguma dificuldade é encontrada no processo de digestão. Os alimentos mais conhecidos como potenciais causadores de intolerância são ovos, leite, chocolate, glúten, crustáceos, amendoim, nozes, morangos e tomates. 

 

Por ser um problema relacionado diretamente à função digestiva, é uma doença que pode aparecer a qualquer momento. É o que difere da alergia, que acompanha o indivíduo desde o seu nascimento e pode ser identificada, inclusive, com testes na pele. 

 

Conforme o corpo envelhece, o processo digestivo se torna mais lento, o que facilita o aparecimento de problemas como a intolerância alimentar.

 

Cortar, por completo, o alimento da dieta é a melhor maneira de impedir e reverter os sintomas. Procure um nutrólogo ou nutricionista para ajudá-lo a substituir os alimentos de forma correta, evitando excessos ou deficiências de nutrientes.

 

Em caso de suspeita de intolerância, procure um médico. Lembre-se, também, de fazer um diário alimentar, registrando tudo que você comeu e como você se sentiu ao longo do dia (ou da noite).Esse diário poderá ajudar o especialista a identificar o alimento causador da sua intolerância ou alergia.

 

Para saber como escolher melhor os alimentos, construindo uma refeição mais saudável e natural, leia os artigos recomendados:

   

Se ficou alguma dúvida, deixe um comentário!

 

Texto: Jailde Barreto / Design: Carolina Moura - Alex Mendes

Fonte: Harvard Health Publishing (Harvard Medical School), Mayo Clinic e Fenacelbra.

Conteúdo aprovado pelo responsável técnico-científico do Portal Unimed.


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