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Médico cooperado orienta sobre os riscos do uso indiscriminado de vitamina D

Médico cooperado orienta sobre os riscos do uso indiscriminado de vitamina D

Médico cooperado orienta sobre os riscos do uso indiscriminado de vitamina D

4 Maio 2020

Devido aos inúmeros casos de pessoas que tem buscado pela suplementação de vitamina D, sem a real necessidade, achando apenas que o uso poderá auxiliar na prevenção contra o novo Coronavírus, a Unimed Pato Branco convidou o doutor Douglas Araujo, que é médico endocrinologista, para  esclarecer se o uso deste medicamento pode ou não contribuir na prevenção da Covid – 19.
De acordo com o doutor Douglas, há tempo sabe-se que a vitamina D apresenta algumas evidências experimentais de efeito sobre o sistema imunológico. Isso se mostra pela presença de receptores de vitamina D em células de defesa, como macrófagos e linfócitos. Porém, acreditar que o seu uso pode contribuir para a prevenção do novo Coronavírus (Covid-19) é um tremendo erro. “É importante termos em mente que o uso de vitamina D não foi estudado no contexto de pandemia por Coronavírus e, portanto, não se pode afirmar que o seu uso trará algum benefício na prevenção da infecção ou no tratamento de casos graves de infecção por Coronavírus”, alerta.
Araujo comenta, que é muito provável que a busca desenfreada por vitamina D esteja relacionada à divulgação, pelos meios de comunicação, de um estudo sobre o possível papel da vitamina D na prevenção da doença causada pelo novo Coronavírus. No entanto, esse é mais um estudo meramente de associação, já que indivíduos mais idosos e com comorbidades têm níveis menores de vitamina D e são justamente as pessoas mais suscetíveis aos desfechos adversos pelo Coronavírus. 
Contudo, o médico salienta que não se pode afirmar, apenas com esse tipo de estudo, que o nível de vitamina D mais baixo seja um responsável pelo pior desfecho da doença, neste grupo de pessoas. “Essa associação não determina causalidade, ou seja, não indica relação de causa e efeito. Além disso, nenhum estudo clínico já demostrou qualquer benefício do uso de vitamina D para a prevenção ou tratamento da Covid-19. Portanto, nesse momento, não há indicação para a suplementação de vitamina D na prevenção ou no tratamento da infecção pelo novo Coronavírus”, destaca.
Além das orientações do endocrinologista, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) também emitiram nota de esclarecimento sobre o uso da vitamina D e a Covid - 19: “Nota de Esclarecimento da vitamina D e Covid-19, na qual deixa claro não existir, até o presente momento, nenhuma indicação aprovada para prescrição de suplementação de vitamina D, visando efeitos além da saúde óssea. Também não há nenhuma literatura científica que embase e dê segurança para a prescrição de doses altas de vitamina D injetáveis, como a dose de 600.000 unidades. Pelo contrário, doses assim tão elevadas são sabidamente deletérias ao esqueleto, promovendo aumento da reabsorção óssea e do risco de quedas e fraturas. Além disso, essas doses excessivas podem agudamente desencadear hipercalcemia e hipercalciúria, com consequentes riscos de insuficiência renal, crises convulsivas e morte.

Doutor Douglas Araujo é médico endocrinologista, cooperado da Unimed Pato Branco