Doença Inflamatória Intestinal: Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn

Doença Inflamatória Intestinal: Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn

Dr. José Francisco da Silva Vieira

Gastroenterologista
Médico Cooperado

A doença inflamatória intestinal, em seu conceito mais amplo, corresponde a qualquer processo inflamatório envolvendo o trato gastrintestinal, seja agudo ou crônico.
Ao nos referirmos a Doença Inflamatória Intestinal (DII), estaremos focando a Retocolite Ulcerativa (RCUI) e doença de Crohn (DC), estas doenças se caracterizam por períodos recorrentes da atividade inflamatória, com manifestações clínicas de intensidades variáveis, intercaladas por fases de remissão.

Sua morbidade é muito importante devido o grande compro-metimento socioeconômico, pois interfere na qualidade de vida dos doentes, uma vez que ocorre, preferencialmente, na fase final da adolescência ou no adulto jovem. Pode ocorrer também a partir da sexta década de vida.
O quadro clínico da RCUI depende da extensão da doença e sua gravidade. Na RCUI distal (reto e sigmóide) é, em geral, leve a moderado. A presença de sangramento, muco, pus e tenesmo é comum. Pode ocorrer diarréia na maior parte dos casos, porém, pode haver obstipação. Dor abdominal tipo cólica pode preceder as evacuações.

O comprometimento do hemicólon esquerdo ou de todo o cólon (pancolite) é considerado um caso de moderado a grave, tendo manifestações sistêmicas como febre, perda de peso, anorexia, além dos sintomas da RCUI distal.

A DC acomete qualquer parte do trato gastrintestinal, da boca ao ânus. O paciente apresenta diarréia não sanguinolenta com cinco ou mais evacuações ao dia, dor abdominal na fossa ilíaca direita, principalmente quando a doença está localizada no intestino delgado, emagrecimento e retardo do desenvolvimento. Pode ocorrer também perda de sangue quando o cólon está comprometido, dificultando o diagnóstico com a RCUI. Fistulas internas e anais também podem estar presentes.
O diagnostico da DII é feito dentro de um contexto clínico (dor abdominal, diarréia muco-sanguinolenta, etc), laboratorial (exames de sangue e fezes), endoscópico (colonoscopia, retos-sigmóidoscopia), radiológico (transito de delgado, clister opaco),


tomografia e ressonância magnética (para casos de complicações).
Ambas as doenças podem cursar com manifestações extra-intestinais, por exemplo: artrite, sacroileite, aftas, eritema nodoso, episclerite, uveíte, colelitíase, entre outros. Esses sintomas po-dem preceder as manifestações intestinais, fazendo com que o paciente busque diferentes especialistas.
O tratamento pode ser clínico e/ou cirúrgico. O tratamento clínico visa controlar a atividade inflamatória, eliminado e minimizando os sintomas intestinais e extra-intestinais e suas eventuais compli-cações e, uma vez atingida a remissão, tentar mantê-la a mais longa possível. O tratamento cirúrgico está indicado quando da falha do tratamento clínico ou quando ocorrem complicações da doença. A cirurgia pode ser indicada eletivamente ou em urgência. Essas doenças são de caráter crônico e exigem acompanhamento e tratamento ao longo de toda a vida.


Dr. José Francisco da Silva Vieira