Ronco noturno traz sérios problemas à saúde

Ronco noturno traz sérios problemas à saúde

Dr. João Vianney

Otorrinolaringologista - Alergologista
Médico Cooperado

Uma noite “mal dormida” traz conseqüências desastrosas para o dia seguinte: mau humor, cansaço, dor de cabeça, dificuldade de concentração, sonolência diurna, queda na produtividade de trabalho. Várias noites “mal dormidas” trazem conseqüências desastrosas para a saúde em geral: pode afetar até mesmo o coração e o cérebro.

De 2 a 3% da população adulta sofre com roncos noturnos que atrapalham o sono. O problema é mais freqüente entre os homens, principalmente os obesos, e tende a piorar com o avançar da idade. Em estágios avançados, o ronco torna-se Apnéia Obstrutiva do Sono que pode causar problemas cardíacos, pulmonares e até mesmo cerebrais.

Além dos problemas sobre a saúde de quem ronca, o ronco causa constrangimento social, principalmente entre aqueles que dormem no mesmo quarto e até mesmo entre os que habitam a mesma casa. Estima-se que a intensidade do ronco possa atingir 60 a 80 decibés e chegar até 6 metros da fonte emissora, atrapalhando o sono de quem está no mesmo cômodo e até em outros.

O ronco é o resultado de vários fatores que atuam separadamente ou em conjunto:

- Flacidez das estruturas da faringe (palato mole, úvula, e músculos faríngeos) .

- Hipertrofia (aumento) de tonsilas palatinas (amigdalas).

- Acúmulo de gordura submucosa faríngea e na base da língua, em obesos.

- Obstrução das vias aéreas superiores (desvio de septo nasal, pólipos nasais, hipertrofia de cornetos nasais, rinite alérgica, aumento de adenóides, sinusites).

Todos estes fatores agindo isoladamente ou combinados vão obstruir a via aérea superior durante o sono que, por sua vez, é o momento de relaxamento, favorecendo a flacidez das estruturas faríngeas provocando o ronco.

O diagnóstico é feito determinando os fatores de obstrução respiratória de cada caso, através de uma detalhada história clínica, exame físico, vídeonasolaringoscopia e exames mais sofisticados como a polissonografia, se necessário.

Medidas como perda de peso, dieta isenta de álcool e gordura em excesso, baixa ingestão de líquidos à noite, posição lateral para dormir e elevação da cabeceira da cama, ajudam bastante, mas não resolvem o problema definitivamente.

A cirurgia, Uvulopalatofaringoplastia, em alguns casos, traz resultados positivos, principalmente quando aliada às medidas de mudança no estilo de vida, tratamento da alergia respiratória e obesidade, quando presentes.


Dr. João Vianney