6 Abril 2021

 

Unimed SC colabora

na conscientização sobre o autismo

Médicos cooperados da Unimed, Júlio Koneski, Bruna Lacava e Fábio Agertt, neuropediatras de Joinville,

esclarecem dúvidas sobre o Transtorno do Espectro Autista – TEA

 

Ao contrário do que muitos imaginam, o autismo não é uma doença. Trata-se de um transtorno do desenvolvimento neurológico (Transtorno do Espectro Autista - TEA), caracterizado por diferentes graus de dificuldade para a criança se comunicar e interagir, bem como pela tendência de comportamento repetitivo. A disseminação dessa e muitas outras informações sobre o assunto junto à sociedade é uma das metas centrais da campanha ABRIL AZUL – Mês de Conscientização sobre o Autismo, que conta com a colaboração da Unimed SC para esclarecer a população e criar mecanismos contra o preconceito. Para ajudar nessa importante missão, a Cooperativa Médica foi ouvir os neuropediatras cooperados Júlio Koneski, Bruna Lacava e Fábio Agertt, da Clínica Neurológica e Neurocirúrgica, de Joinville. Suas orientações são valiosas e merecem a sua atenção.

SINAIS

Várias doenças e síndromes genéticas que afetam o sistema nervoso podem estar relacionadas à causa do autismo, e a gravidade dos sintomas pode variar muito de forma e de intensidade. Os sinais mais comuns do autismo incluem problemas de comunicação, ausência ou atraso na fala, até a dificuldade do seu uso por vocabulário incompatível com a idade, associando-se à dificuldade de iniciar e de manter interações sociais. Muitos autistas também desenvolvem interesses restritos e hábitos repetitivos, que podem ser movimentos estereotipados, ou a insistência e persistência por objetos específicos.

As estatísticas do CDC (Central Disease Control) dos Estados Unidos mostram que a incidência de diagnósticos a partir de sintomas do Transtorno do Espectro Autista vem aumentado ao longo dos últimos anos de forma expressiva, chegando à proporção de 1 criança a cada 59. No Brasil não há dados precisos, mas também se observa a impressão de um aumento significativo. Em parte, isso ocorre por três razões: 1) pela mudança de critérios diagnósticos, o que permite que mais casos como os quadros de grau leve do transtorno sejam identificados; 2) melhor treinamento em diagnóstico dos profissionais de saúde, e 3) grande quantidade de informação disponível sobre as características do autismo, o que permite aos pais muito mais facilmente suspeitarem de que algo está errado e então procurarem ajuda. Aliando a suspeita precoce à avaliação criteriosa, aumenta-se em muito a chance de diagnóstico mais preciso, o que provavelmente não acontecia nas décadas passadas. Existem dados, porém, que sugerem que fatores ambientais possam estar potencializando a expressão de genes antes inativos, e mais casos de autismo estão surgindo dentro dos núcleos familiares, em um processo denominado Epigenética. Entretanto, ainda são necessários mais estudos para afirmar quais os fatores específicos estão modificando a expressão gênica.

É fundamental que pais, cuidadores e demais pessoas envolvidas com as crianças observem o desenvolvimento infantil para que, em caso de suspeita do quadro de autismo, o diagnóstico preciso seja feito o mais cedo possível, o que permitirá também a intervenção adequada e precoce. Por isso é essencial que as pessoas entendam o que é o Transtorno, quais sinais observar em cada idade, o porquê de não esperar que "cada criança tenha seu tempo". Com esse objetivo, campanhas e inciativas de conscientização como o Abril Azul se tornam cada vez mais importantes. A cor símbolo azul do autismo vem da maior proporção de meninos com este quadro, mas existem meninas com o transtorno. A variedade de graus e intensidades das características torna cada indivíduo único no diagnóstico. Chamar a atenção das pessoas para que conheçam, entendam e ajudem no desenvolvimento das crianças são os objetivos da campanha.

 

CAUSAS

Por ter causa multifatorial, não existe como prevenir o autismo, depende tanto de fatores externos (a idade dos pais ou uso de determinados medicamentos durante a gravidez), quanto fatores internos (combinações genéticas). Ou seja, as chances de ter uma criança autista aumentam quando já existe algum caso na família (tanto de autismo como de esquizofrenia) e se já tem um filho com transtorno, assim como pais com idade acima de 38 anos também representam risco elevado, bem como o uso de algumas drogas durante a gestação, como antidepressivos. Esses são os principais fatores, mas não uma regra fixa, da mesma forma que, por exemplo, nem todas as pessoas que fumam vão desenvolver câncer de pulmão.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é clínico e se baseia no desenvolvimento e no comportamento da criança. Então, para diagnosticar o transtorno, o médico precisa ter um grande conhecimento sobre o neurodesenvolvimento infantil, saber o que se espera em termos de desenvolvimento de cada faixa etária da criança (os marcos). Existem algumas escalas que podem auxiliar os médicos, consideradas padrão ouro, mas elas apenas auxiliam, não fecham o diagnóstico. Como o diagnóstico é clínico, não existe nenhum exame (de imagem ou laboratorial) que diga se o paciente é autista ou não. Isso é fonte de grande angústia para os pais e grande dificuldade para os neurologistas darem esse diagnóstico, justamente porque é baseado na percepção da criança junto aos familiares, à escola, dos profissionais que acompanham essa criança (fonoaudiólogo, terapeuta, psicólogo), para que o médico consiga o diagnóstico com maior precisão.

O diagnóstico preciso e precoce possibilitará à criança uma vida com mais qualidade. Portanto, é de fundamental Importância procurar o médico, porque é ele quem vai fechar o diagnóstico, nortear as terapias, avaliar se a criança tem comorbidades, se haverá necessidade de fazer uso de alguma medicação. Cabe ao neurologista pediátrico explicar quais as adaptações que criança necessitará ao longo da vida. Entretanto, é igualmente importante que essa criança tenha uma equipe multidisciplinar oferecendo o necessário suporte para que ela tenha o desenvolvimento mais adequado, e também ofereça a devida orientação aos pais.

 

DESAFIOS

São vários os desafios tanto para o paciente com Transtorno do Espectro Autista, como para os profissionais que o atendem, porque há uma variedade muito grande dos sintomas e também da intensidade destes sinais, por isso nem sempre é fácil fazer o diagnóstico nas consultas iniciais. Existe na população uma resistência muito grande em receber o diagnóstico, justamente pelo fato das características comportamentais muitas vezes se aproximarem de um comportamento totalmente típico de crianças normais. Mas há um conjunto de sintomas que são importantes para o diagnóstico. O principal desafio, portanto, é fazer o diagnóstico preciso, especialmente nos primeiros anos de vida, preferencialmente, antes dos três anos de idade.

Já para o paciente o desafio maior é o de se adequar à sociedade, se incluir nos ambientes escolares e familiares, tornar-se uma pessoa independente, conseguir socializar e se comunicar de uma maneira mais regular e típica possível. Nem sempre os autistas conseguirão ter uma vida completamente normal, mas uma parcela muito grande deles consegue se desenvolver de uma maneira muito próxima do normal. São inúmeros adolescentes que chegam à universidade e conseguem uma vida normal e saudável.

 

INFORMAÇÃO FAZ A DIFERENÇA

É importante ressaltar que a informação é fundamental. Quanto mais informações as famílias, os professores e a sociedade tiverem a respeito do Transtorno do Espectro Autista mais fácil será para a própria criança ou adolescente se inserir na sociedade, mais fácil para os médicos e terapeutas trabalharem com a criança, mais fácil a aceitação da família.

Neuropediatras Júlio Kuneski, Bruna Lacava e Fábio Agertt