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Alerta

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Covid-19 na criança e novas consequências

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Covid-19 na criança e novas consequências

28 Dezembro 2020

A infecção pelo novo coronavírus na infância tem se mostrado menos agressiva nos bebês e nas crianças. Aa crianças podem ter quadros de febre, tosse, coriza, dor de garganta, perda do apetite dor abdominal e diarréia, mas em geral, os sintomas tem curta duração e o tratamento deve ser apenas sintomático.

No entanto, médicos europeus e da América do Norte estão identificando crianças com quadros graves, durante a infecção e principalmente após algumas semanas da doença.

Esses registros acenderam um sinal de alerta para os pediatras. Desde abril de 2020 temos relatos de crianças com quadros inflamatórios graves, semelhantes a uma doença autoimune rara, mas já conhecida, a Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica que pode ocasionar lesões cardíacas como aneurismas de coronárias.

As crianças que apresentem quadros de febre persistente e sinais de gravidade devem ser avaliadas pelo pediatra. Merecem atenção especial aqueles que apresentam comorbidades, como asma, diabetes tipo 1 e outras doenças autoimunes, pois pertencem a um grupo com maior risco de complicações.

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), potencialmente associada ao coronavírus, é uma doença nova, que pode acometer crianças previamente saudáveis, e que pode aparecer durante ou após algumas semanas da infecção pelo Covid-19. Diferente da Doença de Kawasaki, que acomete principalmente pacientes menores de cinco anos de idade, a SIM-P parece ser mais comum nas crianças maiores, com uma idade média de dez anos de idade.

A presença de febre alta e persistente, lesões avermelhadas na pele, fissuras na boca, língua em framboesa, inchaço nas mãos e pés, além da vermelhidão nos olhos são bastante sugestivos para o diagnóstico, da SIM-P, além da dor abdominal, vômitos e diarreia. Pode ocorrer comprometimento vascular em até 80% dos casos e outros órgãos como rins, cérebro e pulmões podem ser afetados.

O diagnóstico deve ser precoce e o tratamento é realizado com gamaglobulina endovenosa, anticoagulantes e anti-inflamatórios iniciados no hospital, e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar é fundamental. Por ser a SIM-P uma doença nova, são necessários mais estudos para descobrir as causas, instituir protocolos de diagnóstico e tratamentos e acompanhar a possibilidade de sequelas futuras.

CUIDADOS

Por tudo isso, devemos proteger nossas crianças do contágio do covid-19 com o uso de máscaras nas maiores, higienização frequente das mãos e evitando aglomerações. Essas são as únicas armas para defender nossas crianças enquanto não temos vacinas disponíveis.

É importante também manter nutrição adequada, que tem papel fundamental na imunidade da criança. A higiene nasal e a hidratação também devem sempre ser estimuladas, assim como o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida.

Manter a carteira de vacinação do seu filho em dia é fundamental, pois várias doenças graves na infância, como o sarampo e influenza, tiveram uma baixa cobertura vacinal nos últimos anos e podem ter quadros clínicos muito semelhantes à infecção pelo Covid-19 e à SIMP.

Vale também alertar que os pediatras têm observado, cada vez mais, quadros de ansiedade e alterações no humor nas crianças e adolescentes, desde que começou a pandemia. O aumento do tempo nos celulares e tablets também é preocupante e os pais devem estimular atividades em família e tranquilizar as crianças. É um ótimo momento para ensinar sobre esperança e empatia para os pequenos.

EMOCIONAL

A falta da escola, da presença dos amigos, o afastamento dos avós e a perda dos familiares estão sendo muito prejudiciais para o equilíbrio emocional das nossas crianças.

Além disso, os casos de obesidade, erros nutricionais, sedentarismo e deficiência de alguns nutrientes, como a vitamina D, tão importante na imunidade e na saúde óssea de nossas crianças, também aumentaram muito e devem merecer atenção.

Provavelmente, teremos várias mudanças comportamentais nas nossas crianças e adolescentes nos próximos anos e a parceria entre a família e o pediatra será fundamental para proporcionar um crescimento saudável e feliz para nossos filhos.

 

 

 

 Dra. Maria Heloiza Torres Ventura,

 médica cooperada e coordenadora da Pediatria do

 Pronto Atendimento Unimed Santos


Marketing Unimed Santos

Fonte: Marketing Unimed Santos