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Cooperado Unimed Santos alerta para desafios da saúde no pós-Covid

Cooperado Unimed Santos alerta para desafios da saúde no pós-Covid

Celso Vilella Matos afirma que reabilitação é fundamental para combater sequelas .

Cooperado Unimed Santos alerta para desafios da saúde no pós-Covid

Celso Vilella Matos afirma que reabilitação é fundamental para combater sequelas .

Desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, uma série de desafios surgiram e inúmeras são as consequências provocadas na saúde daqueles que adquirem a doença. Os problemas causados pós–infecção por Covid são inúmeros e vão desde alterações motoras, respiratórias e cardiovasculares, até transtornos psicológicos e psiquiátricos.    

A situação é apresentada pelo médico fisiatra Celso Vilella Matos, que integra a equipe de Medicina Física e Reabilitação do Centro Médico Unimed Santos. Em artigo sobre o tema, o especialista traz considerações sobre situações para as quais o paciente deve estar atento.                                                               

“A Covid-19 é uma infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, potencialmente grave, de elevada transmissibilidade e de distribuição global. De acordo com as evidências mais atuais, SARS-CoV-2 é transmitido principalmente por gotículas ou aerossol.

Embora a maioria das pessoas acometidas seja assintomática, ou apresente casos leves da doença, uma parcela pequena da população evolui para casos moderados a graves, e muitas vezes, vencido o período agudo da doença, enfrentam os resultados e suas consequências na qualidade de vida.   

As sequelas podem incluir, por exemplo, tosse crônica, fibrose pulmonar, doença vascular pulmonar, miocardite, perda da memória e da atenção, ansiedade e depressão.

Também há casos de neuropatia, principalmente em pacientes que ficaram gravemente enfermos, podendo atingir o sistema nervoso central e periférico, e causar acidente vascular encefálico, dentre outros agravantes. Deve-se destacar sintomas como fadiga, dispneia (falta de ar), sarcopenia (perda de massa muscular) e alterações cognitivas como sendo os mais frequentes.                        

A reabilitação do indivíduo, em seu estado de sequelas pós-Covid, é fundamental para que se recobre a qualidade de vida. É essencial na reabilitação o trabalho da equipe multidisciplinar, com médico fisiatra, psicóloga, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, dentre outros profissionais.

Essa equipe realiza avaliação cardiorrespiratória, observando várias condições, como dispneia, fadiga, necessidade de oxigênio e seu desmame e disfunções cardiovasculares. A avaliação funcional engloba função motora, com ênfase na força muscular e perda de condicionamento físico. Na avaliação neuropsicológica, serão verificadas deficiências de memória e atenção. Na avaliação da saúde mental, o objetivo é observar possíveis casos de depressão, ansiedade e estresse pós-traumático. Também se faz necessária avaliação nutricional, além da verificação de aspectos psicológicos e sociais.

O programa de reabilitação é individualizado e varia de acordo com a queixa do paciente e o diagnóstico realizado. Acontece de forma progressiva, respeitando as limitações de cada indivíduo, mas sempre estimulando um ganho maior que o dia anterior e tendo como meta reestabelecer o paciente ao seu estado funcional apresentado antes da infecção.

A sarcopenia (perda muscular) e a fadiga são fatores que têm grande impacto nas funções do dia a dia, mas, com programa de reabilitação adequado, esses sintomas melhoram completamente. 

A alteração cognitiva, como esquecimento e dificuldade de fazer cálculos, embora menos frequente que a fadiga e perda muscular, também é consequência importante, que altera a rotina do indivíduo, mas é possível a reversão, desde que os sintomas sejam identificados e tratados adequadamente.

O sucesso na reabilitação é decorrente do grau de acometimento. Nos casos mais graves, o paciente pode evoluir com tetraparesia, perda dos movimentos das mãos e dos pés, e nessas situações a reabilitação deve ser feita de forma intensiva. Muitas vezes, meios auxiliares de marcha, como andadores e bengalas, se fazem necessários.

Embora a reabilitação tenha tido uma boa resposta e trazido grandes melhorias na qualidade vida do indivíduo pós-infecção por Covid, é fundamental lembrarmos que a prevenção da doença ainda é o fator mais importante. Para isso, deve-se reforçar a importância de medidas como evitar aglomerações, fazer uso de máscaras e álcool em gel, além, claro, da vacinação”.

 

 

 

 Celso Vilella Matos é médico fisiatra,

 integra a equipe de Medicina Física e Reabilitação

 do Centro Médico Unimed Santos.