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Núcleo discute endometriose

Núcleo discute endometriose

Núcleo discute endometriose

Um grupo de estudos multiprofissional para discussão específica de assuntos sensíveis ao tema. Essa é a essência do Núcleo Santista de Endometriose, criado em Santos, em novembro de 2016, e que, em reuniões periódicas, procura aprimorar e referenciar ações, no intuito de melhorar diversos aspectos da assistência. Atingimos imediatamente as pacientes da saúde suplementar e, em 2020, iniciamos projeto pioneiro no SUS, com enfoque multiprofissional.

Neste tempo de pandemia, diversas doenças e investigação de sintomas ficaram de lado. O impacto tem sido muito grave na saúde feminina, já que boa parte dos tumores malignos diagnosticados estão em órgãos ginecológicos.

Na endometriose não tem sido diferente, mas o Núcleo continua firme em seus objetivos de esclarecer e proporcionar avanços. Considerada uma doença da mulher moderna, a endometriose está muito relacionada aos hábitos de vida contemporâneos, é muito incidente, podendo atingir de 10 a 15 % das mulheres em idade reprodutiva, ou até 50 % de mulheres com infertilidade.

Estudos mostram que já há uma demora no diagnóstico, de 7 a 10 anos entre os primeiros sintomas e a confirmação da endometriose.

A endometriose é uma situação feminina em que há uma alteração do endométrio, direta ou indiretamente, por mecanismos que não estão completamente estabelecidos, permitindo a fixação deste tecido em outros lugares que não a cavidade endometrial.

Os sintomas principais são conhecidos como 6 “D”.

  • Dor pélvica crônica
  • Dismenorreia progressiva, dor pélvica cíclica e ligada à menstruação
  • Dispareunia de profundidade, dor nas relações sexuais
  • Disquezia, dor no processo de evacuação
  • Disúria, dor relacionada à micção.
  • Dificuldade em engravidar, que é a esterilidade

Frente a estes sintomas, é hora de fazer a avaliação clínica cuidadosa dos órgãos pélvicos, à procura de alterações, e escolher os exames subsidiários.

As lesões mais comuns estão nos órgãos da cavidade pélvica, a saber, útero e seus ligamentos, tubas, ovários, reto, sigmoide e bexiga. As lesões mais comuns à distância são do apêndice e do ceco.

Para o próximo passo no diagnóstico, é preciso entender as três formas distintas de como se comporta a doença, que são a endometriose superficial, o endometrioma ovariano e a endometriose profunda.

O mapeamento radiológico será complementar para a avaliação integral. Os dois exames mais importantes são a ultrassonografia com preparo intestinal e a ressonância nuclear magnética pélvica, ambos para rastreamento de endometriose por profissional especializado.

O tratamento clínico da endometriose depende da idade, severidade e grau de acometimento, infertilidade e dor.

A mudança de hábitos para uma vida mais saudável, com redução da exposição a alimentos industrializados e gordurosos, com exercícios físicos regulares, é importante. Nas pacientes que não desejam gestação, o uso de anticoncepcionais com bloqueio da menstruação é um desejo. Medicações chamadas de antagonistas do GnRh podem ser opções por tempo limitado, de seis a nove meses.

Na falha do tratamento clínico, a videolaparoscopia é a técnica recomendada. O objetivo da cirurgia não pode ser simplesmente para confirmar o diagnóstico. A programação é estabelecida previamente para excisão completa da doença, o chamado “one shot surgery”. A equipe médica deve ser multiprofissional com coloproctologista e urologista, sobre a coordenação do cirurgião ginecológico. Ao final, emite-se um laudo cirúrgico completo dos achados, estabelecendo o grau de acometimento, que pode ser mínimo leve, moderado ou severo.

Desafios?

  • Prevenção primária
  • Ginecologistas aptos ao diagnóstico e tratamento integral da doença
  • Equipe multidisciplinar de tratamento
  • Equipe de radiologistas
  • Equipe multiprofissional: fisioterapeutas, psicólogas, educadores físicos, nutricionistas, enfermeiros
  • Informação de qualidade, inteligência artificial e aplicativos para orientação
  • Planos de saúde e SUS

O Núcleo de Estudos da Endometriose está empenhado em enfrentar todos esses desafios.   

 

 

 

 

 

Dr. Fábio Ramajo, médico cooperado Unimed Santos,

CRM 79.802 e RQE 42.140,

é especialista em Ginecologia e Endoscopia Ginecológica pela Febrasco e Sobracil.