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O cardiologista frente à covid-19

O cardiologista frente à covid-19

O cardiologista frente à covid-19

9 Agosto 2021

Em dezembro de 2019, uma nova doença surgiu na cidade de Wuhan, província de Hubei, na China, produzida por um vírus denominado covid-19. Houve rápida disseminação mundial e, em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou-a como pandemia.

 

O isolamento, a mudança brusca e radical nos relacionamentos entre as pessoas, o impacto negativo sobre o emprego e a economia produziram alterações na esfera física e psíquica das pessoas.

 

Desde os primórdios da pandemia, os cardiologistas notaram que muitos pacientes apresentavam evoluções desfavoráveis das doenças cardiovasculares, pela demora na procura dos serviços médicos, ao permanecer em casa evitando os hospitais, temendo a contaminação.

 

RISCO DA NEGLIGÊNCIA

Enquanto não se conseguir controle absoluto sobre a pandemia, o que esperamos que aconteça o mais breve possível, faz-se necessário alertar médicos e pacientes para o risco de postergar diagnóstico e tratamento adequado de doenças cardiovasculares, principalmente as agudas, como derrames, infartos, insuficiência cardíaca. Da mesma forma, o câncer e várias outras moléstias não admitem negligência, podendo significar vida ou morte.

 

A presença de fatores de risco cardiovasculares, como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, obesidade e doenças pulmonares crônicas, entre outros, aumenta muito o perigo de complicações e morte entre pessoas que contraiam a virose e que, por causa da pandemia, deixaram de fazer controles necessários. No isolamento, acabamos aumentando o peso, deixamos de praticar ou reduzimos a prática de exercícios e pioramos a eficiência do tratamento dos chamados fatores de risco.

 

Aos pacientes que tiveram covid-19, especialmente nos comprometimentos mais graves, devido a altas taxas de complicações cardiovasculares, chegando a 20% dos casos, orientamos que, ao retornar às atividades de rotina e aos exercícios, submetam-se a avaliação cardiológica e receberem orientação.

 

A medicina nestes tempos complicados também se transformou. Os recursos da telemedicina foram sendo progressivamente mais utilizados, tentando minimizar os problemas de relacionamento médico-paciente.

 

FAKE NEWS

Quanto à vacina, é inadmissível que ainda hoje apareçam médicos e leigos disseminando pelos meios de comunicação, especialmente pela internet, trabalhos e artigos contrários à vacinação, que não possuem crivo nenhum de veracidade.

 

Os efeitos destas fake news são arrasadores e, seguramente, responsáveis por número considerável de mortes no grupo que se opõe à vacinação, e que, infelizmente, não é pequeno.

 

A ciência em geral, e os médicos de bom senso, sabem que as vacinas são o tratamento preventivo mais espetacular já inventado na história da Medicina. Desde a pioneira antivariólica de Edward Jenner, no final do século XVIII, e que, mesmo rudimentar, salvou muitas vidas, até os modernos imunizantes desenvolvidos em tempo recorde, seguros e eficientes, as vacinas são a melhor opção de prevenção.

 

Toda a experiência mundial, e com todas as vacinas, respaldada por muitos trabalhos médicos baseados em evidências, tem comprovado a sua eficiência, tornando a covid-19 uma doença controlável e reduzindo sua gravidade, com grande impacto na redução das internações, inclusive nas UTIs, e na mortalidade.

 

VACINE-SE

As vacinas anti-covid-19 são, até agora, o mais eficaz dos métodos de prevenção da doença, assim como já foram para outras viroses que, em outras épocas, tornaram-se flagelo da humanidade.

 

Mesmo com a rápida resposta produzida pelo desenvolvimento da ciência atual, o impacto sobre a vida de cada um de nós e sobre a humanidade teve proporções nunca vistas, demonstrando a fragilidade do ser humano e das sociedades em geral.

 

Portanto, a ordem é vacine-se, continue se protegendo individualmente e mais um pouco a humanidade estará com esta pandemia inteiramente controlada.

 

 

 

 

 

 

Dr. Silvio Carlos de Moraes Santos,

 

doutor em medicina pela Faculdade Medicina da USP (FMUSP),

é cardiologista e cooperado da Unimed, desde 1979.