Voltar

Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio

Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio

Setembro Amarelo de prevenção ao suicídio

Dr. Gilberto Simão Elias

Mike Emme, jovem mecânico americano, que pintou de amarelo seu Mustang 68, cometeu suicídio em 1994, aos 17 anos. Ninguém percebeu algum sinal de que pretendia tirar a vida. No seu enterro, amigos distribuíram cartões e fitas amarelas com a mensagem “Se precisar, peça ajuda”.

A ideia se espalhou e, em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o 10 de Setembro como Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Neste ano de 2021, a Associação Brasileira de Psiquiatria patenteou o Setembro Amarelo marca registrada de prevenção ao triste evento.

A associação entre uso da Internet e sofrimento psíquico está provada em inúmeros estudos, seja por grupos de usuários que estimulam atos suicidas, como pela descrição romantizada dos atos. Jovens deprimidos desenvolvem maior risco de dependência da Internet.  Vale como sinal para pais interessar-se pelas mídias sociais que os filhos frequentam!

Divulgação de suicídio não deve detalhar o método, e, sim, ressaltar que se trata de problema de saúde pública. A cobertura da mídia sobre um suicídio pode desencadear outros casos, chamados copycats, em alusão ao filme “A vida imita a morte”.

PREVALÊNCIA

A cada 100 pessoas, 25 já tentaram ou tiveram ideia de suicídio, conforme prevalência mundial.  Entre elas, cinco elaboraram algum plano e uma chega à tentativa, que ou é fatal ou leva à intervenção médica.

Na faixa etária de 14 a 29 anos, o suicídio é a segunda principal causa de mortes. Um suicídio impacta centenas de pessoas e é responsável por 1,8% das doenças nos países mais pobres e 2,3% nos países mais ricos.

O Brasil ocupa o 8º lugar nas estatísticas de morte por suicídio. A prevalência de depressão nessas pessoas é de 90%, observando-se abuso de substâncias, principalmente álcool, e a somatória de desesperança e desamparo. Dificuldade de acesso a serviços de saúde e estigma relativo a qualquer alteração mental dificulta a busca por ajuda profissional.

Além de depressão, notamos perda da funcionalidade, na escola ou no trabalho, reclusão social, afastamento do convívio com amigos e manifestação de desculpas para essas atitudes. Esses são alertas amarelo para reconhecermos o problema e oferecermos ajuda, buscando aproximação e encaminhamento ao suporte médico.

RISCOS

É importante identificar, ainda, fatores de risco ditos precipitantes, como separação conjugal, rejeição afetiva ou social, e aqui se inclui o bullyng, que aumenta em mais de duas vezes a chance de comportamento suicida.

Atenção, também, para alta recente de internação psiquiátrica, graves perturbações familiares, perda de emprego e modificações da situação econômica ou financeira. Mais: gravidez indesejada, especialmente em mulheres solteiras, temor de ser descoberto por algo socialmente inaceitável e situações de embaraço social.

Ao lado dos fatores precipitantes, há os fatores predisponentes, como tentativas prévias, que aumentam em 100 vezes o risco, antecedentes familiares, alcoolismo, transtornos mentais, idade entre 14 e 29 anos e idade avançada.

Estão nos grupos de risco: divorciados, viúvos e solteiros, pessoas pertencentes às minorias étnicas e sexuais, desempregados, aposentados, portadores de doenças que cursam com dor e as incuráveis e pessoas de baixo nível de inteligência.

Idosos merecem atenção especial nas situações de isolamento social e afetivo, repercussão negativa por aposentadoria e perda de renda, perda do cônjuge, abandono parental, uso abusivo de medicamentos para suas doenças crônicas ou abandono dos tratamentos.

AJUDE

Não deem valor ao ditado “quem ameaça não faz”. Devemos levar a expressão como sinal para demonstrar afeto e carinho e estreitar o contato. Outros sinais de socorro, como “sou um peso, preferia morrer, ninguém sentiria minha falta etc.” devem acender o SINAL AMARELO de que nosso semelhante está em busca de ajuda.

Dr. Gilberto Simão Elias, cooperado Unimed Santos, é psiquiatra pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Associação Brasileira de Psiquiatria, membro das Diretorias do Sindicato dos Médicos de Santos e da Associação Paulista de Medicina.