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Dia Nacional do Surdo: uma data que representa a luta pela inclusão

Dia Nacional do Surdo: uma data que representa a luta pela inclusão

Dia Nacional do Surdo: uma data que representa a luta pela inclusão

25 Setembro 2020

O que é surdez?

Tecnicamente, são usados os termos surdez, perda auditiva ou deficiência auditiva se referindo a perda total ou parcial da audição. Grosso modo, em nível cultural, existem dois grupos de indivíduos: aqueles que aderem à cultura surda e, se comunicam através da Língua Brasileira de Sinais (Libras). O outro grupo, que procura formas de comunicação mais próximas do ouvinte, são denominados como deficiente auditivo.

Causas de surdez?

Perda auditiva congênita: a pessoa pode nascer com uma perda auditiva, nesse caso a surdez é pré-lingual”, ou seja, ocorreu antes da aquisição da linguagem.

Perda auditiva adquirida: quando o indivíduo perde a audição durante a vida. Nesse caso a surdez poderá ser “pré ou pós-lingual”, dependendo da sua ocorrência ter se dado antes e depois da aquisição da linguagem.

Estas causas podem ser pré-natais (durante a gestação -antes do nascimento), peri-natais (durante o nascimento) e pós-natais (depois do nascimento).

 

Algumas causas de perda auditiva congênita (pré-natais e peri-natais):

- Rubéola na gestação

- Drogas na gravidez

- Desnutrição materna

- Certos medicamentos tomados na gravidez

- Sífilis e toxoplasmose na gestação

- Prematuridade

- Anoxia, falta de oxigenação ao bebê, no nascimento

- Má formações craniofacial do bebê....

 

Algumas causas de perdas auditivas adquiridas (pós-natais):

- Infecções bacterianas ou por vírus

- Exposição a barulhos intensos, devido ao trabalho (perda auditiva ocupacional) ou não (como por tocar bateria por hobby)

- Uso de medicamentos ototóxicos

- Presbiacusia (envelhecimento da audição) que acomete idosos

- Otoesclerose (rigidez dos ossículos da orelha média)

 

Tipos e graus de perdas auditivas:

A perda auditiva varia em tipo, grau e configuração da perda dependendo do local da lesão na orelha e dos níveis mínimos de decibéis (dBNA) que pode ser ouvido em cada frequência sonora (grave e aguda).

Tipos de perdas auditivas (de acordo com local da lesão):

Condutiva, Mista e Neurossensorial

Tipos de graus de perdas auditivas (de acordo com os níveis mínimos, em decibéis (db), que a pessoa escuta em cada frequência sonora):

Leve, moderado, severo e profundo

Cabe ressaltar aqui que uma pessoa com perda auditiva profunda não é necessariamente muda, pois apesar de muitos surdos não terem aprendido a falar, outros conseguiram pois foram oralizados. Isso se dá através de leitura labial, fonoterapia com ou sem próteses auditivas e implantes cocleares associados. Além, claro, dos surdos que perderam a audição no decorrer da sua vida e a ocorrência ter se dado depois da aquisição da linguagem. O termo mudo deveria ser utilizado para se referir às pessoas que têm algum impedimento orgânico no aparelho fonoarticulatório.

 

Prevenção e algumas dicas:

Há como prevenir a surdez em alguns casos. Segue algumas dicas abaixo:

- As futuras mães devem tomar as vacinas corretamente na gestação e exames preventivos de certas doenças citadas acima nas causas como toxoplasmose;

- Perguntar ao médico na gestação quais remédios pode tomar sem que haja prejuízos a audição do bebê.

- Não ficar exposto a ruídos e sons altos, se ocorrer em ambientes de trabalho utilize o EPI (Equipamento de Proteção Individual).

- Ficar atento aos sinais de dificuldade ao ouvir: como ao falar pelo telefone, ouvir televisão muito alto; não assusta com barulhos altos (crianças e bebês, principalmente); não entende o que as pessoas falam com ela, principalmente se tiver fora do campo de visão, pedindo muitas vezes para repetir; além de pedir para as pessoas falarem mais alto e também falar alto.

- Tratamento precoce de otites e evitar otites de repetições.

 

Tratamentos:

A surdez não é incapacitante pois uma pessoa surda ou deficiente auditiva é plenamente capaz de realizar todas as funções de uma pessoa ouvinte e o que pode dificultar isso é a falta de acessibilidade e compreensão da sociedade.

Os tratamentos são para facilitar o dia a dia e a comunicação. Eles podem variar de acordo com o grau e o tipo de surdez, com a escolha do paciente e sua família, por isso, é tão importante buscar um especialista. É essencial lembrar que o melhor tratamento é se ter opção de escolha e não imposição. Cabe ao especialista, família e/ou paciente estudarem o que será mais viável e melhor para aquele indivíduo como um todo, não vendo ele apenas como uma perda auditiva isolada.

Quando a pessoa adquire a perda ao longo da vida, ela pode usar as próteses auditivas individuais, também conhecidas como aparelhos de amplificação sonora individual (AASI), ou implantes cocleares, dependendo do tipo e grau da perda auditiva.

A prótese auditiva ou Aparelho de Amplificação Sonora Individual é um equipamento usado atrás da orelha e responsável por aumentar – e até melhorar – o som que chega ao ouvido, facilitando a compreensão da pessoa com deficiência auditiva.

O implante coclear, conhecido popularmente como “ouvido biônico”, recria a cóclea humana e substitui a orelha interna daqueles que têm surdez total ou bem severa. Sendo necessária uma cirurgia para colocá-lo.

Em casos de infecção de ouvido, em que podem resultar em deficiência auditiva reversível, pode lançar mão de medicações e cirurgias como forma de tratamento. Além disso, o acompanhamento fonoaudiológico é recomendado para estimular a oralidade e leitura labial. Enfim, o objetivo final das terapias é a adaptação e inclusão da pessoa surda ou com deficiência auditiva.

 

Inclusão e acessibilidade para pessoas surdas e deficientes auditivos

A forma como cada pessoa surda se adapta ao mundo pode variar. Algumas seguem o caminho da leitura labial, outras são oralizadas e têm aquelas que aprendem a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A Libras foi reconhecida em 2002, pela Lei de nº 10.436 como uma das línguas oficiais do país, sendo regulada pelo Decreto nº 5.626/2005. Vale lembrar que a Libras não é universal, cada nação tem a sua própria língua de sinais.

Além disso, assim como ocorre no português, existem regionalismos, com sinais próprios do contexto onde são criados. Entender a Libras é um dos primeiros passos para que as pessoas entendam a importância dessas pessoas fazerem parte da sociedade.

Através dessa língua, natural para os surdos, e sua inclusão nas escolas, estabelecimentos comerciais, empresas e universidades, as pessoas com surdez poderiam se socializar e serem incluídas na sociedade.

Para que haja inclusão é necessário a informação e conscientização dos ouvintes. No caso de crianças, a família e a escola são fundamentais. Estimular a participação da criança no dia a dia, encontrar formas de se comunicar e interagir com elas.

De acordo com matéria publicada no site da Unimed do Brasil, no caso de adultos, “a informação e a empatia de colegas de trabalho, amigos, familiares e relacionamentos amorosos são palavras-chave. A surdez de idosos, por exemplo, muitas vezes vem acompanhada de um isolamento, já que família e amigos não sabem mais como se comunicar com eles.”

 

Dicas de comunicação com uma pessoa com deficiência auditiva:

- Ao conversar com uma pessoa surda, toque levemente em seu braço, para que ela volte a atenção para você. Posicione-se de frente para ela, deixando a boca visível, de forma a possibilitar a leitura labial. Evite segurar objetos em frente à boca. Fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas sem exagero ou aumentar o tom de voz.

- Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual. Se você desviar o olhar enquanto escuta, a pessoa pode achar que a conversa terminou.

- Nem sempre, a pessoa surda tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está dizendo, peça para que repita. Geralmente, elas não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.

 


Raphaela Coure de Santana Ribeiro – Fonoaudióloga do Núcleo de Saúde Integral da Unimed São João del Rei

Fonte: Instituto Nacional de Educação de Surdos, Hospital Sírio Libanês, http://www.ines.gov.br/ https://www.libras.com.br/mitos-sobre-a-lingua-de-sinais https://www.unimed.coop.br/viver-bem/saude-em-pauta/quais-atitudes-ajudam-a-melhorar-o-dia-a-dia-das-pessoas-com-deficiencia- https://www.unimed.coop.br/viver-bem/saude-em-pauta/quais-atitudes-ajudam-a-melhorar-o-dia-a-dia-das-pessoas-com-deficiencia- https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/incluir/libras/curso_de_libras_-_graciele.pdf