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Lombalgia

Lombalgia

Entrevista com Dr. Carlos Manoel ao Jornal do SISEP

Lombalgia

Entrevista com Dr. Carlos Manoel ao Jornal do SISEP

1º Março 2012

Nesta edição, abordaremos um problema que acomete grande parte da população e constitui umas das queixas mais frequentes ouvida pelos ortopedistas: a lombalgia. Conhecida popularmente como dor nas costas ou dor lombar, a lombalgia é o conjunto de manifestações dolorosas que acontecem na região lombar, podendo se irradiar para as pernas. Trata-se de um sintoma e não de uma doença propriamente. Estudos apontam que cerca de 80% dos adultos poderão sofrer um episódio de lombalgia ao longo da vida. Esse tipo de dor afeta, igualmente, homens e mulheres, sendo a principal causa de afastamento temporário do trabalho.

            A região lombar é a área mais baixa da coluna vertebral perto da bacia. Constitui-se de uma complexa estrutura de vértebras, discos e raízes nervosas, que conecta a parte superior do corpo com a parte inferior. Proporciona mobilidade, permitindo movimentos como girar e curvar, que possibilita ao ser humano ficar de pé, andar e carregar objetos. É constituída por cinco vértebras maiores e entre elas existem os discos intervertebrais, que protegem a medula espinhal e impedem que as vértebras se encostem uma nas outras. O funcionamento adequado desta parte do corpo é necessário para quase todas as ações do cotidiano. A dor nessa região pode restringir as atividades de uma pessoa, reduzindo sua capacidade laboral e a qualidade do aproveitamento da vida diária.

 

Causas

 

            A dor na coluna lombar está associada a inúmeros fatores, desde maus hábitos posturais, traumas, até os efeitos do envelhecimento. Segundo o traumato-ortopedista, Carlos Manoel Gonçalves Coelho, o fator mais comum para a ocorrência de lombalgia é o postural, causado por uma má posição para sentar, deitar, abaixar ou carregar um objeto pesado.

Ainda segundo o médico, a dor lombar também pode ser provocada por inflamação, no caso da artrose, que consiste no desgaste do encaixe entre uma articulação e outra (cartilagem articular), ou entre um osso e outro, e por hérnia de disco, que é o deslocamento do disco intervertebral, ao nível da coluna lombar, comprimindo uma raiz nervosa, com irradiação de dor para a perna na distribuição do nervo ciático. Outras vezes, o desconforto nesta região do corpo pode estar relacionado a infecções por bactérias e a existência de tumores. “Geralmente, 80% dos casos de lombalgia são posturais e inflamatórios. De 10 a 15% dos casos são por hérnia de disco, e a outra porcentagem que sobrou, infecção e tumor. A tendência é a lombalgia ser mais por postura e desgaste da coluna lombar”, explica Dr. Carlos Manoel.

            A lombalgia classifica-se em aguda ou crônica, de acordo com a intensidade e manifestação das dores na região lombar. A forma aguda é o “mau jeito” e caracteriza-se por provocar dores fortes de início súbito, após esforço físico, ocorrendo, principalmente, na população mais jovem. A forma crônica, geralmente, acontece nos mais idosos. A dor não é tão intensa, no entanto é quase permanente.

            O diagnóstico de lombalgia é feito através de exame físico realizado pelo médico que, diante dos sintomas relatados pelo paciente, poderá solicitar RX simples da coluna lombar. Caso seja necessário, o médico também indicará outros exames, como desintometria óssea, tomografia computadorizada e ressonância nuclear magnética. O tratamento inclui medicação adequada, com administração de anti-inflamatórios e relaxantes musculares, por exemplo, e, para os casos de crise aguda, é recomendado repouso absoluto. “O paciente deve ficar deitado pelo período de 48 a 72 horas, na posição de relaxamento da musculatura lombar, que seria de barriga para cima, com os joelhos semi fletidos, colocando um apoio por baixo, ou deitado de lado com os joelhos dobrados”, explica o traumato-ortopedista. No pós-crise, de acordo com o Dr. Carlos Manoel, são indicados fisioterapia, correção de postura e hábitos, pilates, R.P.G., hidroginástica e uso de colchão adequado, que não deve ser macio demais ou excessivamente duro, observando-se, para isso, a tabela de densidade e peso nas lojas especializadas.

           

Prevenção

 

            Como já foi dito, a causa mais comum de desconforto na região lombar é a postural, através de algum movimento errado que o paciente fez: carregar peso em excesso ou de forma errada; abaixar o tronco para pegar algum objeto, com as pernas esticadas; ou, ainda, fazer rotação do corpo mantendo os pés parados, ao invés de rodar todo o corpo. Desta forma, a prevenção de crises de lombalgia pode ser feita mudando-se hábitos de vida quanto à correta utilização da coluna vertebral e adotando-se uma postura saudável. Confira algumas dicas:

 

A melhor posição para dormir é de lado ou de barriga para cima, com um travesseiro atrás do joelho;

 

Para transportar objetos pesados que estão no chão, a recomendação é agachar-se dobrando os joelhos, próximo ao objeto, e pegá-los sem inclinar a coluna. Não carregar peso excessivo. Se for necessário, peça ajuda;

 

No trabalho em escritório: utilizar cadeiras que não reclinem para trás, com apoio para os braços; sentar usando todo o encosto e os pés totalmente apoiados no chão. A tela do computador deve ficar na altura dos olhos para a coluna cervical (pescoço) ficar em posição confortável. A mesa deve ficar na altura do cotovelo, não devendo ser muito baixa a ponto de curvar o corpo nem muito alta para que não levante muito os ombros. Evite torcer (rodar) o tronco ou virar muito o pescoço;

 

Ainda em relação às pessoas que ficam muitas horas em frente ao computador, para evitar a repetição de movimentos, recomenda-se descansar 15 minutos a cada duas horas de trabalho, ficando de pé e andando um pouco, além de fazer alongamentos para o braço.

 

Levantando da cama: ao invés de levantar de frente, o mais indicado é deitar de lado, apoiando-se sobre o cotovelo e a mão, e aí levantar as costas.


Thiago Bolpato

Fonte: Jornal do Sindicato dos Servidores Públicos de São João Nepomuceno