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Rinites

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Entrevista com o Dr. André Ribeiro ao Jornal do SISEP

Rinites

Entrevista com o Dr. André Ribeiro ao Jornal do SISEP

18 Outubro 2011

    Embora estejamos na primavera, vamos falar sobre um assunto mais evidente no inverno, mas que pode se manifestar em qualquer época do ano: a rinite. Conceituada como um processo inflamatório da mucosa nasal, a rinite provoca espirros, coceira, secreção nasal, congestão e obstrução (entupimento), e pode ser desencadeada por vários mecanismos, incluindo desde produtos químicos, irritantes, até medicamentos e alergias.

    São vários os tipos de rinite: alérgica, irritativa, infecciosa, da gestante, do idoso, do esportista, medicamentosa, idiopática e vasomotora. De acordo com o médico otorrinolaringologista, Dr. André Ribeiro, a rinite alérgica é a forma mais comum, acometendo cerca de 30% da população mundial. Por ser a mais frequente, é, às vezes, generalizada pelos pacientes. O fator de desenvolvimento dessa forma de rinite é uma predisposição do indivíduo a ter uma reação imunológica no seu organismo, iniciada quando ele entra em contato com um agente externo, como pólen de planta, ácaro, fungos, fumaça de cigarro e pelo de animais, por exemplo. Esses agentes externos, chamados alérgenos, acabam despertando as células de defesa do organismo (mastócitos), desencadeando a reação imunológica. Podendo ser transmitida de pai para filho através dos genes, a rinite alérgica classifica-se em perene, quando mantém os sintomas durante o ano, ou sazonal, manifestando-se em determinada estação do ano.

     Também bastante frequente, a rinite irritativa é semelhante à alérgica. Diferente da alérgica, a irritativa não é desencadeada por um alérgeno e, sim, por irritantes nasais. “A rinite irritativa é aquela que o perfume, o material de limpeza e o cheiro de combustível causam em determinadas pessoas”, explica Ribeiro. Outra forma da inflamação da mucosa nasal é a que acomete gestantes, chamada rinite gravídica. Ela se manifesta a partir do segundo trimestre de gravidez e desaparece depois do parto. Já as rinites infecciosas são causadas por vírus ou bactérias.

     Outro tipo de rinite é a vasomotora, relacionada à hiperatividade do sistema nervoso autônomo parassimpático. As crises podem acontecer em função das oscilações de temperatura – calor e frio em excesso, e ainda com a exposição a determinados agentes irritantes. Também de acordo com Dr. André Ribeiro, o uso excessivo de um medicamento pode desencadear uma rinite medicamentosa. “A mais comum é aquela causada por excesso de medicamento no nariz, mas também ocorre a rinite por anti-hipertensivo, que dilata os vasos no nariz e provoca obstrução”, explica.

     Ainda dentro dos vários tipos de rinite, outra importante forma de apresentação desse processo inflamatório é a senil. O idoso acometido apresenta como sintoma um corrimento nasal constante, principalmente durante as refeições. Existe, ainda, a rinite do esportista, que se caracteriza por uma obstrução nasal (nariz entupido) somente durante a prática de esportes, e a rinite idiopática, em que o indivíduo apresenta nariz entupido, não havendo, no entanto, associação com nenhuma causa definida.

 

Tratamento e prevenção

 

     Todos os tipos de rinite têm uma forma de apresentação do quadro clínico muito similar – nariz entupido, secreção, congestão e obstrução nasal – e o diagnóstico diferencial é feito pelo médico mediante a história clínica que o paciente apresenta. Segundo Dr. André, o tratamento para as crises de rinite, basicamente, é sintomático, visando a melhorar os sintomas do paciente, por meio de indicação de anti-histamínicos, corticoide nasal e antibiótico tópico nasal. Ainda de acordo com o especialista, a longo prazo, o tratamento passa por uma boa higiene nasal, não exposição aos agentes desencadeadores da rinite, imunoterapia, quando necessária, e principalmente, o controle anual adequado da função nasal, em especial nos meses em que o tempo começa a ficar mais frio e seco, com o objetivo de impedir o desencadeamento das crises durante o inverno.

     Os portadores de rinite também devem tomar alguns cuidados, sobretudo no ambiente doméstico, para evitar a presença de substâncias que desencadeiam as crises:

 

- Retirar os bichos de pelúcia, porque armazenam muita poeira;

- Dar banho toda semana nos animais domésticos e não deixar que eles fiquem dentro do quarto;

- Não varrer a casa quando o paciente está presente;

- O portador de rinite não pode ter contato com a fumaça do cigarro. Mesmo que o fumante não fume perto do paciente, a fumaça fica impregnada na saliva, no cabelo e na roupa. A toxina desencadeia reação alérgica;

- Deixe a casa sempre aberta para arejá-la e para que o sol entre nela o maior tempo possível. Isso evita a formação de fungo, que gosta de ambientes quentes, úmidos e escuros;

- Uma vez por semana, lavar a roupa de cama com água quente (acima de 55º) para remover a gordura do corpo que fica impregnada nos tecidos e serve de alimento para os ácaros. Portanto, para lavar a roupa do paciente alérgico tem que ser com água quente.

 

     Além desses cuidados, Dr. André também ressalta que crianças que têm contato com poeira durante a infância desenvolvem um sistema imunológico mais resistente e tendem a adoecer menos. “Existem vários estudos, atualmente, que provam que quanto mais a criança expõe-se a agentes alergênicos na primeira fase da vida, menos ela terá efeitos alergênicos nas fases mais adiantadas de vida”, finalizou.


Thiago Bolpato

Fonte: Jornal do SISEP