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Maio Vermelho

Maio Vermelho

No terceiro domingo de maio, comemora-se internacionalmente o Dia da Divulgação da Hepatite C.

Maio Vermelho

No terceiro domingo de maio, comemora-se internacionalmente o Dia da Divulgação da Hepatite C.

12 Maio 2021

No terceiro domingo de maio, comemora-se internacionalmente o Dia da Divulgação da Hepatite C. No Brasil, a data foi instituída como o Dia Nacional de Luta contra as Hepatites Virais. É de fundamental importância que nossa população seja esclarecida sobre essas doenças silenciosas, mas graves - e que podem ser prevenidas.

 

As mais frequentes em nosso meio são as hepatites A, B e C, que algumas vezes podem apresentar sintomas parecidos, mas são diferenciadas pelas suas particularidades.  As hepatites A e B podem, em alguns casos (cerca de 30% do total de casos) podem  se apresentar como hepatite aguda, com urina escura, olhos amarelos, náuseas, mal estar, etc, o que raramente ocorre com a hepatite C. A hepatite mais comum de ser contraída no verão é a Hepatite A. Cada tipo é causado por um vírus (existem também os tipos D e E, menos frequentes) ou uma bactéria – fora as hepatites causadas por agentes tóxicos, como pelo consumo intenso de álcool ou medicamentos, e a hepatite autoimune, quando anticorpos atacam o próprio fígado. Quando não tratadas, as hepatites podem causar cirrose, câncer, ou necessidade de transplante de fígado e, em alguns casos, levam à morte do paciente.

 

HEPATITE A - Infecção viral aguda, geralmente auto-limitada, mas que pode evoluir de forma grave, com hepatite fulminante, que necessita de transplante hepático. A contaminação acontece pela ingestão de água ou de alimentos que albergam o vírus da hepatite A, principalmente vegetais crus ou frutos do mar como ostras e mariscos, estando relacionada com deficiências no saneamento básico, pois o vírus é eliminado pelas fezes, sobrevivendo em temperatura ambiente e mesmo em alimentos congelados . Seus sintomas podem assemelhar-se aos de uma gripe ou evoluir sem sintomas. Existe vacina para prevenir a doença. Na fase aguda não há tratamento específico.

 

HEPATITE B - Doença grave que pode ser prevenida através da vacinação e da profilaxia. A contaminação ocorre predominantemente por contato sexual, mas também é possível através de materiais cortantes ou perfurantes contaminados por sangue, como agulhas, durante a colocação de um simples piercing ou ao se fazer uma tatuagem (pela agulha ou pó da tinta). Até 1981 não existia vacina contra Hepatite B em nosso país. Foi apenas em 1995 que passou a ser produzida no Brasil. As formas crônicas da hepatite B precisam ser diagnosticadas precocemente, pois existe tratamento eficaz para controlar a doença.

 

HEPATITE C - Epidemia silenciosa, a Hepatite C é uma doença perigosa, pois raramente apresenta sintomas, e pode destruir o fígado lentamente. Existem cerca de 200 milhões de pessoas cronicamente infectadas no mundo, sendo que, no Brasil, estima-se que sejam cerca de 2 a 3 milhões. A doença é contraída principalmente por sangue ou material contaminado pelo sangue, ou transfusões, feitas antes de 1993, quando se iniciou a detecção dos marcadores do vírus em doadores de sangue. Ainda não existe vacina para esse tipo de hepatite, embora haja pesquisas em andamento. Juntamente com o alcoolismo, a Hepatite C é a principal causa de cirrose hepática e de transplantes de fígado no mundo.

HEPATITE D – O agente Delta é um vírus defectivo que precisa, para sua replicação e expressão, da função auxiliar do vírus da hepatite B. A forma de transmissão é similar à da hepatite B. A hepatite D apresenta caráter endêmico nas regiões de alta prevalência para a hepatite B, onde a transmissão se dá principalmente por vias não-parenterais (vertical ou por contato pessoal ). Nos países apresentando baixa prevalência para a hepatite B, a infecção pelo vírus Delta ocorre principalmente entre os usuários de drogas injetáveis e os hemofílicos.

HEPATITE E – a forma mais freqüente de transmissão é por ingestão de água contaminada; menor probabilidade de transmissão por contato pessoa. O vírus da hepatite E (HEV) assim como o da hepatite A, causa uma infecção benigna que não evolui para a forma crônica. Os casos mais graves são observados entre as gestantes: 20% das que contraem o HEV evoluem para a forma fulminante, fatal em 80% dos casos.

 

VACINAS

A vacina contra a hepatite B pode ser administrada a partir do nascimento como parte do calendário de vacinação brasileiro, com três doses durante a fase da adolescência.Quem se vacina para o tipo B também está protegido para a hepatite D. A vacina contra hepatite A é administrada em dose única aos 15 meses de idade, podendo tomar entre os 2 e 4 anos caso a criança ainda não tenha sido imunizada.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico e o tratamento precoces podem evitar a evolução da doença para cirrose ou câncer de fígado. Por isso, é importante realizar os exames, através de testes rápidos, que fornecem o resultado na hora, ou exames laboratoriais. No Brasil, os testes rápidos para os tipos B e C estão disponíveis nos serviços públicos de saúde para todas as pessoas. Se ela tiver mais de 40 anos, é importante fazer o teste de hepatite C, pois a pessoa pode ter sido exposta ao vírus durante a juventude. O exame de hepatite B faz parte do rol de exames do pré-natal. A gestante deve ser diagnosticada e tratada, se houver indicação, ainda durante a gravidez.

 

TRATAMENTO

Para a hepatite A, assim como a hepatite B, não existe tratamento específico, pois o próprio sistema imunológicos e encarrega de eliminar o vírus do organismo dentro de dois ou três meses. Para uma boa recuperação, é preciso cuidar do corpo, descansando e alimentando-se bem, evitando medicamentos, alimentos e bebidas que podem sobrecarregar o fígado.

Já em casos crônicos do tipo B e do tipo C, pode ser necessário o uso de medicamentos antivirais, além de outros tipos de tratamentos, que combatem a ação dos vírus. Dependendo da gravidade e do acometimento da doença, como a cirrose avançada, o transplante pode ser indicado. No entanto, é importante acompanhar o surgimento dos sintomas e a evolução de cada caso com seu médico, o único que poderá definir o melhor tratamento.

Atualmente, os tratamentos disponíveis contra a Hepatite C têm se mostrado bastante eficazes, mas o tipo de vírus identificado no indivíduo e o diagnóstico precoce são determinantes para o sucesso do tratamento. Portanto, é essencial realizar exames de sangue de rotina, que identifiquem todos os tipos de hepatites virais.

PREVENÇÃO

As medidas preventivas incluem o saneamento básico, as boas práticas de higiene pessoal, o uso de preservativos, o uso de agulhas e seringas descartáveis, o não compartilhamento de objetos pérfuro-cortantes (barbeadores, instrumentos de manicure/pedicure, etc).

 

Dra. Fernanda Laraia - Médica do Espaço Viver Bem