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Infectologista orienta sobre prevenção ao sarampo

Infectologista orienta sobre prevenção ao sarampo

Doutor Rogério Sobrosa, avalia que as pessoas ignoram a importância da vacina

Infectologista orienta sobre prevenção ao sarampo

Doutor Rogério Sobrosa, avalia que as pessoas ignoram a importância da vacina

3 Agosto 2018

No dia 31 de julho o Ministério da Saúde confirmou 822 casos de sarampo no Brasil. No balanço feito no dia 18 do mesmo mês, eram 667 ocorrências. Foram cinco óbitos e o Amazonas lidera com 519 casos. Para o infectologista do Centro Médico Unimed, Rogério Sobroza de Mello, o sarampo foi considerado como uma doença sem transmissão no Brasil até 2016, atingindo um nível de vacinação suficiente para considerar como uma área livre de transmissão.

Os registros apontavam que 95% das crianças estavam vacinadas. Mas agora com esta nova situação, a crise na Venezuela e com os imigrantes deste país entrando no Brasil, isto resulta na chegada de muitas pessoas não-imunizadas e justamente em uma área, segundo o médico Rogério Sobroza, onde a cobertura vacinal é menor. Para o infectologista, já há como considerar a existência de um surto da doença no país, apesar de ainda estar mais concentrada em alguns estados.

- Naturalmente que as pessoas, dentro do seu próprio país, viajam e podem, desta forma, levar o sarampo para outras regiões.  Acontece que, a pessoa está na fase de transmissão, mas ainda não apresenta todos os sintomas e acaba não sendo reconhecida como sendo portadora da doença, mas já está transmitindo o vírus.  O sarampo começa a transmitir quatro dias antes de começar as dores no corpo – pontua.

Doutor Rogério Sobroza diz que o sarampo é transmitido tanto pelo contato e, especialmente, pelas vias respiratórias. A pessoa tosse, tanto as gotículas quanto os aerossóis acabam se dispersado no ar e transmitindo a doença para outras pessoas, sendo altamente transmissível.

O infectologista lembra que a vacinação é disponível tanto nos postos de saúde como em clínicas particulares. Existem dois tipos de vacina: a tríplice viral e tetra viral. No caso das crianças elas são vacinadas com uma dose aos 12 e 15 meses de idade. No caso dos adolescentes e adultos também são duas doses num intervalo de 30 dias. Quando a pessoa tem menos de 40 anos de idade, a indicação do infectologista é de que se deve fazer duas doses.

Sobre a negligência, ele ressalta que existem pessoas contrárias a vacinação, numa situação que considera complicada, uma vez que, a vacina erradicou várias doenças e hoje, “tem gente dizendo que ela não é necessária”. – Tanto a vacina da gripe, quanto do sarampo e da poliomielite, são altamente custo efetivo, ou seja, os efeitos colaterais que elas podem ter são muito menores do que os efeitos graves que estas doenças podem causar, inclusive matar – alerta.

SINTOMAS

Orienta para a necessidade de se observar pessoas que apresentem quadro sugestivo de sarampo, devendo ser notificadas para a Vigilância Epidemiológica.  O sarampo, ressalta o infectologista, geralmente começa com quadro de tosse e febre e, muitas vezes, terá sintomas de conjuntivite junto, que é uma vermelhidão nos olhos.

– Depois de quatro dias de evolução e que ele vai apresentar as manchas no corpo, que aparecem, mas no tronco e na face e depois se espalham pelo corpo inteiro. Junto com a febre e tosse, elas podem ser suspeitas do sarampo, mesmo que tenham tomado a vacina – ressalta.

Segundo o infectologista, existem uma preocupação médica em relação aos adultos. Enquanto as crianças chegam com seus pais portando a carteira de saúde e fazem suas vacinas em dia, os adultos têm que ser vacinados a cada dez anos, para o tétano e Hepatite B e as com mais de 50 anos de idade tem indicações de outras vacinas.  Pessoas com doenças crônicas, problemas pulmonares e cardíacos também são indicadas à vacinação. - Mas os adultos esquecem disso, de que a prevenção vacinal é essencial para evitar problemas graves e até a morte – conclui.

CAMPANHA

De 6 a 31 de agosto será desencadeada a Campanha de Vacinação Nacional contra o sarampo e poliomielite. O foco são crianças acima de um ano de idade e com menos de cinco anos. A meta é vacinar mais de 11 milhões de crianças.