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Prevenção: médicos orientam sobre doenças do inverno

Prevenção: médicos orientam sobre doenças do inverno

A baixa umidade do ar e as mudanças bruscas de temperatura desencadeiam doenças como rinite, bronquite, sinusite, asma, gripe, alergias, faringite e laringite.

Prevenção: médicos orientam sobre doenças do inverno

A baixa umidade do ar e as mudanças bruscas de temperatura desencadeiam doenças como rinite, bronquite, sinusite, asma, gripe, alergias, faringite e laringite.

5 Julho 2019

Com a chegada do frio, as pessoas acabam se concentrando em locais mais fechados. Isto facilita a propagação de vírus e bactérias que causam inúmeras doenças e acabam deixando hospitais e prontos-socorros ainda mais cheios.

Com o frio, a baixa umidade do ar e as mudanças bruscas de temperatura desencadeiam doenças como rinite, bronquite, sinusite, asma, gripe, alergias, faringite e laringite. Por terem o sistema imunológico mais frágil, essas doenças aparecem principalmente em crianças e idosos, por isso o cuidado com eles deve ser maior.

Os responsáveis pelas infecções respiratórias agudas são os vírus, em mais de 90% dos casos. As reações alérgicas, como a rinite, são causadas, em sua grande maioria, pelos ácaros e micro-organismos encontrados na poeira. Já a asma não tem cura, mas pode ser cuidada e tratada.

Para o otorrinolaringologista do Centro Médico Unimed, Guilherme Kist, no inverno as pessoas acabam piorando seus problemas de saúde em função das doenças virais e alérgicas associadas a mudança do tempo. “Vem o vento frio, a umidade e o ar seco. Todas estas mudanças tendem a catalisar problemas inflamatórios”, pontua.  

Para evitar o frio e o vento, segundo Dr. Guilherme, as pessoas acabam convivendo em ambientes mais fechados e sem ventilação adequada. Ao contrário do que muitos pensam, procurando proteção desta maneira, acabam se prejudicando ainda mais e ocasionando infecções virais. Lembra o otorrino que o ambiente sempre deve estar aberto e arejado para propiciar a circulação do ar.  “Quando se fala em ambiente limpo, as pessoas acabam utilizando cloro, detergentes e para lavar as roupas, o amaciante, que são todos produtos químicos. Eles ficam circulando no ar e, na maioria das vezes, acabam piorando o quadro clínico das pessoas”, alerta.

Nesta fase, segundo o médico, as gripes são muito comuns e vai passando de pessoa para pessoa. “Uma tosse, espirro e respirando o ar onde estão pequenas partículas, acabam transmitindo a infecção”, ressalta. Dr. Guilherme acrescenta que, espirro, congestão nasal e sem febre, estão associados geralmente a alergia. Quando vem com espirro, secreção e obstrução nasal junto com estado febril, é viral. 

 

Automedicação

O otorrinolaringologista do Centro Médico Unimed mostra-se preocupado com a automedicação, especialmente quanto ao uso de antibióticos. Segundo ele, frente a uma infecção viral, como uma pequena gripe ou resfriado, é muito comum as pessoas associarem o uso do antibiótico. “Isto incorre num problema em que, nós médicos estamos percebendo quanto a resistência bacteriana aos antibióticos”. 

Este uso indiscriminado em situações que não são necessárias, segundo ele, acaba induzindo que as bactérias fiquem mais resistentes e, numa próxima infecção, o paciente terá que fazer uso de um antibiótico muito mais forte para ter o efeito desejado. “A pessoa acaba perdendo a oportunidade de tratamento com um medicamento mais simples e, assim, é necessário consultar para verificar se é necessário o uso de antibiótico ou não”, diz.

Outra situação é em relação a quem já possui algum problema como sinusite, bronquite crônica e asma. Isto acaba gerando pequenos resfriados e, geralmente, este quadro clínico acaba piorando. Essas pessoas, segundo o otorrino, são importantes que procurem uma orientação médica de imediato.

Lembra quanto a importância da vacinação, principalmente para grupos de risco, como crianças, idosos e portadores de doenças crônicas, que previne e evita situações mais graves.

Ao perceber sintomas de alguma doença, o médico deve ser procurado para que seja feito o diagnóstico correto e indicado o melhor tratamento para cada caso. Alimentação adequada, hidratação, prática de atividade física e uma boa noite de sono são recomendadas para fortalecer o corpo e prevenir-se de doenças. Também é aconselhável evitar o consumo de bebidas alcoólicas e de cigarro. 

Vacina é medida preventiva obrigatória

O pneumologista Lars Escobar lembra que existem vários tipos de vírus que atingem a parte respiratória, como o Influenza

e B, que podem resultar em infecções graves. Hoje, segundo ele, há uma mutação muito grande de vírus e diante de todos estes fatores de risco, é necessário fortalecer a vacinação como medida preventiva. 

Os mais suscetíveis a estas situações estão nos extremos da idade, que apresentam baixa imunidade, e os doentes crônicos como os cardiopatas, renais crônicos e neurológicos, entre outros, que devem ter atenção especial para evitar maiores complicações. Além disso, segundo o pneumologista, há a parte viral em que 90% pode evoluir para um quadro de resfriado e que pode ser curado, normalmente, entre sete e 10 dias. Mas muito dos pacientes, especialmente os com deficiência imunológica, podem evoluir para uma infecção bacteriana secundária, como uma sinusite bacteriana, otite, infecção da garganta e uma pneumonia. 

Lars Escobar lembra que, muitas vezes, os quadros da enfermidade se confundem e o paciente com mais idade acaba não tendo um sintoma tão definido, com a febre não tão alta e nem falta de ar.  Mas por outro lado, não se alimenta e acaba ficando mais quieto e, isto, vai deteriorando seu estado de saúde sem que se perceba claramente os sintomas. 

Risco de morte

A partir do momento que se envelhece, naturalmente a imunidade vai caindo.  Acentua que, uma pessoa com mais de 80 anos, cada ano que passa aumenta em 2% o risco de morte desencadeada pela pneumonia. Desenvolvendo febre alta, desconforto para respirar e tosse, deve-se procurar um profissional médico para uma avaliação porque estes problemas podem ser um sintoma respiratório agudo grave. Cerca de 99% dos casos podem evoluir para uma gripe comum, mas de qualquer forma, incluindo as gestantes, deve-se procurar um médico como medida preventiva.

Num período de 48 horas, segundo o Dr. Lars, não se administra nenhum tipo de antibiótico. Diz que há necessidade de se conhecer o tipo de paciente e o tipo de doença que vai desenvolver para, então, saber que espécie de antibiótico ele deverá utilizar.  O pneumologista ressalta, em todos os casos, a importância da vacinação.

Hoje, além da Pneumo 23 que é administrada em pacientes com mais de 60 anos e para portadores de doenças crônicas, há a Prevenar 13 destinada às pessoas a partir dos 50 anos de idade. 

 

Pediatra ressalta atenção com as crianças

Com a chegada do outono e inverno, as baixas temperaturas associadas a poluição atmosférica, a manutenção de ambientes fechados e mal ventilados e a aglomeração, contribuem para o aparecimento de doenças respiratórias principalmente em crianças, ressalta a pediatra Kellen Meneghel de Souza, do Centro Médico Unimed.

O resfriado é a infecção viral mais comum com sintomas como coriza, espirros e dor de garganta. “A contaminação por gotículas de saliva advindas dos espirros e tosse assim como por objetos contaminados como brinquedos e mãos, são as formas mais comuns de transmissão”, alerta. 

A gripe, além dos sintomas de resfriado, apresenta sintomas gerais como febre, mal-estar, dor de cabeça e no corpo, dor abdominal e fezes amolecidas, podendo evoluir, segundo Drª Kellen, para complicações como bronquite, asma, rinite, sinusite, otite e pneumonia, principalmente na criança menor que cinco anos.

Pontua que, as vacinas contra gripe e contra pneumococo (bactéria mais comum nas causas de infecções do trato respiratório) encontram-se disponibilizadas na rede pública de forma gratuita e, também, na rede privada com maior cobertura de cepas.

Ressalta que a vacinação é uma forma importante de prevenção. Mas, segundo a pediatra, é preciso manter alguns hábitos, como a lavagem frequente das mãos, a manutenção de um ambiente arejado e livre de poluentes e alérgenos, o aleitamento materno e uma dieta equilibrada, além de uma boa ingestão de água, atividade física frequente e bons hábitos de sono. “São pequenas ações do nosso dia a dia que fazem a diferença”, conclui.

 


JBGuedes