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Integridade nas organizações

Integridade nas organizações

Tolerância zero para garantir a integridade das organizações

Integridade nas organizações

Tolerância zero para garantir a integridade das organizações

Por Manoel Pitrez Filho

Médico, conselheiro de Administração da Unimed Porto Alegre
Vice-presidente de relações Institucionais da Unimed Federação/RS

O sistema de compliance ganhou notoriedade no Brasil, infelizmente, pela porta anticorrupção após deflagrado o processo Lava Jato, muito conhecido de todos nós. Sua aplicação no setor de empresas e cooperativas médicas teve outra trajetória, que é a sustentabilidade dos negócios e, principalmente, pelo caminho da integridade. O compromisso da organização frente aos seus funcionários e a sociedade vai além do cumprimento de regras e normas jurídicas, que são as fontes primárias das leis e da aplicação de compliance.

A ideia que norteia este processo nada mais é do que perseguir os princípios de reputação de governança e de atuar com as melhores práticas da boa administração. Em síntese, compliance é o caráter e a ética de uma organização. E isso significa o engajamento da empresa, do seu presidente ao jovem aprendiz, em uma cultura onde os negócios devam ser limpos e transparentes.

O resultado desse padrão de comportamento tem impacto direto sob o ponto de vista financeiro. Além de um ganho direto pela aplicação do compliance, com economia de até 30% em todos os procedimentos da administração, existe um resultado indireto, porém valioso, que é o nível de reputação conquistado pela organização. Embora seja um valor subjetivo, a prática das condutas de gestão se soma ao resultado financeiro, um verdadeiro ganha-ganha para os negócios e para a empresa.

É importante destacar que o sistema de compliance atua em três frentes essenciais: prevenir, detectar e corrigir. A prevenção exige mais esforços e investimentos, a começar pela clareza de um Código de Conduta a ser seguido como o norteador da empresa em relação a sua ética e a sua integridade. Como diz o provérbio, “é melhor prevenir do que remediar”, algo que aprendemos em casa desde muito cedo. Nem sempre a prevenção está na mente das instituições e dos seus gestores, por isso, detectar as falhas é o segundo pilar presente nesse sistema.

Ao detectar algo estranho, fora dos padrões definidos, o sinal vermelho será ativado por meios internos de gestão, podendo ser uma denúncia sobre atos lesivos ou ilícitos à empresa. E, por fim, o terceiro pilar é corrigir a falha de forma imediata, inclusive, se for o caso, com medida disciplinar pertinente a ser aplicada imediatamente. Neste ponto, a tolerância é zero, sob pena de colocar em risco os mecanismos de integridade e de credibilidade de todo o sistema de proteção do compliance.