Voltar

Desmistificando a trombose

Desmistificando a trombose

A doença venosa que atinge homens e mulheres de várias idades muitas vezes pode ser evitada

Desmistificando a trombose

7 Outubro 2021

Você com certeza já ouviu falar em trombose. A doença, que pode ser assintomática ou não, tem muitas causas diferentes: varizes, imobilidade prolongada, uso de anticoncepcional e até mesmo o tabagismo.

Nos últimos meses, também ouvimos falar muito da trombose como um possível efeito colateral de algumas das vacinas contra a COVID-19.

Mas, afinal, o que é trombose? Como reconhecer seus sintomas? Quando é hora de procurar ajuda médica? As vacinas contra a covid-19 realmente causam trombose?

Continue lendo para saber mais:

 

O que é trombose

Tipos de trombose e seus sintomas

Como evitar a trombose

E a vacina contra a COVID-19?

 

O que é trombose

A trombose ocorre quando há formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias grandes das pernas e das coxas, em lugares onde não houve sangramento posterior.

Esse coágulo (ou trombo) bloqueia o fluxo de sangue. Externamente, ele causa inchaço e dor na região, enquanto internamente cria uma inflamação na parede do vaso sanguíneo.

Os problemas só evoluem quando um fragmento desse coágulo, que é sólido e amolecido, se desprende e cai na corrente sanguínea, seguindo o trajeto da circulação. Esse processo é chamado de embolia.

A embolia pode acometer vários lugares do corpo, como cérebro, coração ou pulmão. Independentemente do órgão afetado, uma embolia pode levar a lesões graves ou até a morte.

Mulheres têm mais chances de desenvolver trombose, por estarem expostas a mais fatores de risco, como a gestação e o uso de anticoncepcionais. Mas isso não exclui os homens do risco: colesterol alto, predisposição genética, idade avançada, consumo de álcool, tabagismo, sedentarismo, cirurgia e hospitalização prolongadas… todos esses são fatores de risco que acometem tanto homens quanto mulheres.

As causas da trombose e seus fatores de risco são similares, por isso, levar uma vida saudável é muito importante. Varizes e cirurgias em geral, além de terapia de reposição hormonal podem levar ao desenvolvimento de trombose. Passar longos períodos de tempo com pouca ou nenhuma movimentação durante viagens longas, quando associados aos fatores de risco, também podem causar a doença.

 

Tipos de trombose e seus sintomas

A trombose inicialmente pode ser classificada em dois tipos: a aguda e a crônica. Durante a formação do coágulo, o corpo tenta naturalmente dissolvê-los, usando mecanismos próprios. Essa solução evita o entupimento das veias, não deixa sequelas e nem evolui para quadros mais graves. Essa é a trombose aguda.

No entanto, nem sempre o corpo dá conta sozinho. Durante o processo de dissolução do coágulo, podem ficar sequelas no interior das veias que destroem a estrutura das válvulas venosas (que favorecem o fluxo sanguíneo para cima). Essas alterações prejudicam o retorno do sangue e causam inchaço, varizes, endurecimento da pele, feridas e outras complicações. Essa é a trombose crônica.

Ainda, a trombose pode se manifestar de formas diferentes, sendo classificada conforme a parte da circulação que ela atinge, podendo ser venosa ou arterial:

  • A trombose venosa profunda, ou TVP, é caracterizada pela formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias localizadas na parte inferior do corpo, geralmente nas pernas. É a forma mais comum de trombose.
  • A trombose arterial acontece quando os trombos se formam nas artérias. O AVC, ou Acidente Vascular Cerebral, por exemplo, acontece quando existe uma obstrução total das artérias do cérebro, impedindo que o sangue chegue na região, o que pode causar um infarto cerebral e levar à morte.
  • A trombose hemorroidária acontece quando há o desenvolvimento de um nódulo com edema, arroxeado, na margem anal. É a formação aguda de trombos numa hemorroida, que frequentemente vem acompanhada de dores severas.

Alguns dos sintomas da trombose venosa profunda, que pode ser assintomática, são dores, calor e vermelhidão na região, além de rigidez na musculatura e da pele onde se formou o trombo.

Se você passou por uma cirurgia recentemente e tem sentido dores em lugares diferentes do lugar operado, vermelhidão ou inchaço súbitos ao longo da perna com evolução rápida, calor no local dolorido, respiração curta, rápida ou palpitação, ou tosse com sangue, é preciso procurar um médico imediatamente. Esses são sintomas que podem indicar uma embolia.

Para evitar quadros graves, além de conhecer os sintomas que podem apontar que algo está errado, é essencial manter hábitos saudáveis e consultar seu médico regularmente. Em muitos casos, a trombose pode ser evitada.

 

Como evitar a trombose

No dia a dia, é importante ter atenção com uma série de pequenos e bons hábitos que podem te ajudar a evitar a trombose.

Praticar atividades físicas regularmente, não fumar, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter uma dieta saudável e equilibrada e manter-se bem hidratado são alguns hábitos que você deve inserir na sua rotina.

Outras dicas pontuais importantes são relacionadas a importância de se movimentar: em viagens longas, use sapatos e roupas confortáveis. Se possível, aproveite as paradas para esticar as pernas e se movimentar um pouco; no caso de viagens longas de avião, tente lembrar de fazer algumas caminhadas pelo corredor. Alongue as panturrilhas ou mova os tornozelos para a frente e para trás repetidamente. Os músculos da panturrilha agem como bombas e impulsionam o sangue pelas veias.

E a dinâmica é a mesma para quem trabalha o dia inteiro sentado: é preciso levantar-se de hora em hora e se movimentar ao longo do dia. E lembre-se de consultar seu médico regularmente.

Se estiver deitado por muito tempo, mover as pernas dobrando os joelhos e fazer movimentos de flexão e extensão dos pés.

Use meias de compressão. Elas ajudarão a prevenir o inchaço e evitar que o sangue se acumule nas pernas.

Evite cruzar as pernas e mude periodicamente de posição enquanto estiver sentado.

A trombose é uma doença com quadros que podem evoluir, gerar complicações e até morte. Por isso, logo que notar os primeiros sintomas, procure um médico. Dessa forma, você poderá começar o tratamento imediatamente e evitar uma evolução.

 

E a vacina contra a COVID-19?

Essa é uma dúvida muito comum. Além de estarmos passando por uma campanha mundial de vacinação, muitas pessoas se preocupam com possíveis efeitos colaterais das vacinas.

Há alguns meses, foram reportados os primeiros casos de trombose como efeito colateral de algumas vacinas administradas contra a COVID-19. O desenvolvimento de trombose como efeito colateral está sendo estudado por cientistas de todo o mundo, mas os resultados ainda são inconclusivos por diversos fatores: pessoas que desenvolveram trombose não eram do grupo de risco ou a trombose aconteceu em regiões do corpo que não são frequentes, historicamente. 

No entanto, mesmo havendo casos de desenvolvimento de trombose após a aplicação da vacina, não é recomendado o uso de anticoagulantes antes da aplicação. 

Mas, se há risco de trombose, por que a vacinação não foi suspensa? 

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford mostra que o risco de trombose venosa cerebral (TVC) em pessoas com COVID-19 é consideravelmente maior do que naquelas que foram vacinadas com vacinas de mRNA (RNA mensageiro). Embora a magnitude do risco não possa ser quantificada com certeza, o risco após COVID-19 é aproximadamente 8 a 10 vezes maior do que o relatado para as vacinas e cerca de 100 vezes maior do que a taxa entre a população em geral.

A incidência de trombose venosa entre pacientes infectados com a COVID-19 é tão alta e chama tanto a atenção da comunidade médica, que grupos de pesquisadores têm se mobilizado para mudar a classificação da doença de Síndrome Respiratória Aguda Grave para a primeira infecção considerada uma Febre Viral Trombótica. 

Ou seja, os riscos de desenvolver trombose por causa da COVID-19, até mesmo para pessoas no grupo de risco, é muito maior do que por meio da aplicação da vacina. 

Se você faz parte do grupo de risco, é importante consultar seu médico regularmente.

 

Fontes: Ministério da Saúde, Biblioteca Virtual da Saúde, Fiocruz


Texto: Agência Babushka | Edição e Revisão: Unimed do Brasil

Revisão técnica: equipe médica da Unimed do Brasil