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Bate-papo com Dr. Marcelo Bitelo sobre Coronavírus

Bate-papo com Dr. Marcelo Bitelo sobre Coronavírus

Bate-papo com Dr. Marcelo Bitelo sobre Coronavírus

18 Março 2020

Na manhã desta terça-feira, 17 de março, a Unimed Vale do Sinos bateu um papo com o Médico Infectologista e Coordenador Médico do Serviço do Controle de Infeção e Segurança do Paciente da cooperativa, Dr. Marcelo Bitelo.

Na ocasião, o médico respondeu perguntas que chegaram via redes sociais, pelo setor de Relacionamento com Cliente e também pelo 0800-6421800.

Confira abaixo o bate-papo e esclareça suas dúvidas.

A Unimed Vale do Sinos está preparada para enfrentar o Coronavírus em relação a leitos de isolamento e de UTI?
Nós temos um Comitê de Gestão da Crise (Coronavírus) que está organizando o plano de contingência da Unimed Vale do Sinos de acordo com cada fase do plano que, por determinação do estado e do Ministério da Saúde, a gente tem medidas restritivas que temos que começar a estabelecer. Em relação aos leitos de UTI, já temos nossa própria estrutura montada pra isso e, se for o caso, vamos ter que aumentar os leitos de UTI da Unimed Vale do Sinos.

 As cirurgias eletivas serão mantidas?
Nós já começamos com uma medida restritiva em relação às cirurgias, mantendo apenas as cirurgias de urgência ou aquelas cirurgias que são eletivas, mas que o paciente realmente precisa fazer, por exemplo, porque está com câncer, e a cirurgia vai salvar a vida dele, então o paciente vai ter que ser submetido à cirurgia. As cirurgias que pode ser adiadas neste momento, serão adiadas.

Como é o tratamento do Coronavírus?
O Coronavírus não tem nenhum tratamento específico. A gente trata ele como trata qualquer resfriado ou uma gripe. Ao contrário da gripe, que ainda tem o recurso terapêutico que é o Tamiflu, o Coronavírus ainda não tem. Então, em relação ao Coronavírus, a gente faz o tratamento que chamamos de "suporte", que é o tratamento dos sintomas, caso o paciente apresente alguma instabilidade, o paciente vai ter que receber outros tratamentos, ir pra UTI, ventilação mecânica; mas tratamento específico para o Coronavírus a gente não tem.

 Como é realizado o teste para Coronavírus?
Hoje o que temos disponível aqui no Brasil é o teste PCR, que é um teste específico que é feito a partir das secreções das vias aéreas do paciente. A gente coleta com um swab, que é tipo um cotonete, da narina do paciente e da orofaringe e esse exame vai pra análise. O resultado do exame sai em torno de 48, 72 horas, a gente já tem o resultado do exame positivo ou negativo.

 É um exame indolor?
O paciente não sente nada.

 Uma das principais dúvidas da população tem sido a máscara. Quem deve usar máscara ao sair na rua? É recomendada sua utilização?
O uso indiscriminado da máscara não é recomendado. O que se faz em relação à máscara é o paciente doente que tem que utilizar para sair na rua, procurar um supermercado, procurar atendimento médico para evitar que ele transmita o vírus ou qualquer outro vírus que ele possa ter na sua via aérea para outras pessoas. Então, no caso do paciente doente, ele tem que utilizar a máscara cirúrgica. Mas a pessoa saudável não tem que usar máscara pensando que vai se proteger.

Quem tem viagem agendada agora, seja ela nacional ou internacional, qual é a recomendação?
O recomendado é não viajar. Mas se a pessoa já está com o pacote pago, não tem restituição, aí a pessoa vai ter que fazer duas escolhas: ou viaja, mesmo ciente dos riscos; e outro risco que tem é na Europa, Estados Unidos, que estão fechando fronteiras. Daqui a pouco a pessoa consegue viajar, mas não consegue retornar. Então tem essa questão que a pessoa tem que avaliar antes de viajar. E referente ao Coronavírus é recomendado não viajar e ficar em casa.

 É necessário estocar alimentos, água, medicamentos?
Não. Sem razão pra pânico em relação a isso. O comércio vai seguir, as empresas vão seguir produzindo. Então não tem porque estocar algum tipo de alimento na casa. Seguir o consumo basal que a pessoa vem tendo no seu domicílio.

 Em relação ao idoso, quais os cuidados que devemos ter? E grávidas, precisam de cuidados especiais?
Os idosos são a população de maior risco para ter desfecho grave em relação ao Coronavírus. E, normalmente, o idoso ele tem alguma outra doença associada e é isso que piora o risco do paciente desenvolver um caso mais grave de infecção pelo Coronavírus. Os idosos, em particular, são uma população que hoje já é recomendado que fiquem em casa, procurem não se expor no ambiente, não procurar lugares com aglomeração de pessoas. E se tiver algum familiar doente, que esse familiar não visite o idoso em sua residência. Em relação às gestantes, não existe nenhum cuidado especial. As gestantes, assim como as crianças, não são uma população de risco pra ter desfechos mais graves. Então, a princípio, as gestantes, devem ter os cuidados basais de sempre, mas nada especial em relação ao Coronavírus.

Existe algum medicamento para prevenção, algum soro ou suplemento?
Não, não existe. Nada vai prevenir o Coronavírus, não tem homeopatia, não tem soro, não tem nada que vá prevenir. A melhor estratégia para prevenção são aquelas medidas que já são bem batidas, principalmente pela higienização das mãos, não compartilhar utensílios, se estiver doente, procurar atendimento médico para avaliação, ficar em isolamento domiciliar. Outra medida é usar a etiqueta da tosse ao tossir e ao espirrar. E, claro, mantê-lo num ambiente limpo, com superfícies limpas das secreções que as pessoas podem estar expelindo.

 Como é a etiqueta da tosse?
Ao tossir e espirrar, a pessoa deve levar a dobra do cotovelo à boca. O problema é que as pessoas têm o costume de levas as mãos à boca e, ao levar as mãos, elas serão contaminadas com secreção da via aérea superior e, com isso, vão contaminar as superfícies, uma mesa, uma maçaneta, e o vírus sobrevive nas superfícies. Então pode vir outra pessoa e vai tocar aquela mesa, aquela maçaneta e vai acabar levando a mão à boca sem perceber e vai acabar se contaminando com o vírus.

 E quanto tempo o vírus sobrevive nas superfícies?
Temos evidências de literatura científica de que o vírus pode resistir até nove dias nas superfícies.

 Tem alguns mitos circulando na internet de que o vírus não é tão resistente ao calor. Isso é verdade?
Isso é um mito. Não tem nada documentado sobre a influência da temperatura do ambiente em relação ao vírus. O vírus sobrevive entre 30 graus e 5 graus, é nessa faixa que ele sobrevive e consegue se multiplicar. Então essa questão de que estamos protegidos pelo verão, até o momento, é uma afirmação que não pode ser feita e não tem evidência sobre a sobrevivência do vírus em relação à temperatura.

 Meu marido está voltando de viagem. Ele pode ter contato com nossos filhos?
Depende de onde ele está voltando de viagem. Hoje, o recomendado pelo Ministério da Saúde, são pessoas provenientes do exterior. Viagens nacionais não têm nenhuma atenção especial, apesar de já ter transmissão local em São Paulo, Rio de Janeiro e ontem foi noticiado que em Brasília já teve transmissão local. As normas atuais hoje falam em viagem ao exterior. Sobre o contato com os familiares de quem retorna de viagem, se a pessoa estiver com sintoma respiratório, tosse, dor de garganta, coriza, tem que procurar atendimento médico pra ser avaliado. Tendo esses sintomas, vai ter que adotar essas medidas de prevenção mais restritas ainda dentro de casa pra evitar contaminação dos outros familiares. O paciente assintomático não tem nenhuma restrição, ele vai seguir a vida dele normalmente.

O ibuprofeno é recomendado no tratamento do Coronavírus?
O ibuprofeno ele não serve para tratamento, ele serve para manejo de sintoma de dor, de febre. Têm estudos preliminares até o momento que, sem evidência científica, não tem um ensaio clínico que mostra essa evidência, mas tem mostrado, principalmente na Itália, que o ibuprofeno foi associado às pioras de desfecho dos casos dos pacientes com Coronavírus. Então, por enquanto, não existe nenhuma recomendação formal, apenas a recomendação, sem muita evidência, sobre o ibuprofeno. Então, atualmente, a gente vem recomendando que não se utilize o ibuprofeno até a gente ter mais evidências sobre essa conduta.

 Por que as pessoas estão em isolamento domiciliar e não internadas no hospital?
Hoje as pessoas precisam ficar internadas se elas apresentam critérios de internação hospitalar. O paciente que precisa fazer uma medicação na veia, o paciente que precisa de algum outro cuidado hospitalar mais intensivo. O paciente que está só com uma gripe, um resfriado ou Coronavírus, não tem indicação de permanecer hospitalizado. O paciente que está internado, está sujeito a adquirir outros tipos de infecções relacionados ao cuidado de saúde. Ele pode adquirir infecção por um germe multirresistente, ele pode sofrer uma queda do leito, por causa da medicação endovenosa ele pode sofrer algum evento adverso. Então, nesses casos leves, o paciente pode ficar no domicílio e é por isso que é orientado esse isolamento domiciliar, para o paciente que está doente ficar em casa, pois é um paciente que não deve ficar circulando pelo ambiente. Não é para o doente ir ao shopping, supermercado, ir a shows, eventos. Ele tem que ficar em casa. O que a gente tem visto hoje é que o isolamento domiciliar do paciente doente é uma das medidas mais eficazes para a contenção da disseminação do vírus.

 E quando esse paciente deve procurar o Pronto Atendimento?
O paciente não precisa procurar atendimento médico na primeira tosse, no primeiro espirro, na primeira dor de garganta. As indicações são para o paciente não procurar o Pronto Atendimento, devido ao inverno, devido às outras doenças respiratórias, e não somente o Coronavírus, pois a tendência é que tenha um aumento na procura do Pronto Atendimento. Então, independente do que o paciente tenha, em relação à infecção viral, de via aérea superior, o paciente tem que procurar atendimento quando começar a apresentar febre persistente por mais de dois dias, falta de ar, dor para respirar, e também sintomas como o paciente que está muito cansado, muito prostrado também precisa ser avaliado. Mas sintomas leves como tosse, espirro, dor de garganta, não precisam correr imediatamente. Se o paciente tem um médico assistente, que já acompanha ele em consultório, o paciente pode agendar uma consulta com ele para ser avaliado pelo médico que ele já conhece.

 Quem já está curado ou não apresenta mais os sintomas, ele ainda pode ser transmissor do Coronavírus?
Não. O paciente que está curado ele não transmite mais o Coronavírus. O tempo médio de transmissão é de até sete dias após o início dos sintomas. Depois disso, teoricamente, o paciente não transmite. Se ele estiver assintomático, ele não transmite o Coronavírus.

 E quem já teve Coronavírus, pode ter de novo?
A gente ainda não têm estudos que mostram a questão da imunidade após o contágio por Coronavírus. Na China, tem casos de pacientes que adquiriram mais de uma vez o Coronavírus, então esse é um ponto que a gente ainda tem que observar como vai ser a evidência nesses casos que estão ocorrendo no mundo.

• Se eu for ao Pronto Atendimento já devo ir de máscara?
Quando o paciente for procurar atendimento médico, se ele tiver sintoma respiratório, tiver com tosse, dor de garganta, febre, espirro, coriza, secreção nasal, a gente tem na porta do nosso Pronto Atendimento máscara disponível para esse paciente entrar. Se ele já quiser vir de casa de máscara, não tem problema, mas se precisar, ele já vai poder pegar antes de entrar em nosso Pronto Atendimento.

 Em caso de exame agendado, ele será mantido?
Depende de que exame o paciente tem. Se for um exame urgente, que vai depender para um diagnóstico precoce de uma doença que ele pode ter, vai ter que fazer o exame. Claro, se for um paciente que tiver sintomático, ele vai ter que portar máscara durante a realização do exame.

 Quais as medidas tomadas pela Unimed Vale do Sinos para evitar aglomeração de pessoas?
A gente está organizando nosso Pronto Atendimento para os pacientes que chegam com sintoma respiratório ou para os casos suspeitos por infecção pelo Coronavírus, que têm outro fluxo de atendimento, para que ele evite de ficar junto dos demais pacientes. Tem paciente com doença respiratória vindo consultar, tem o paciente que está com uma dor abdominal, tem o paciente que está ali porque teve uma torção de um pé, de um joelho, tem diversos outros motivos que levam a pessoa a procurar o Pronto Atendimento e a gente tem que proteger esses pacientes.

 Quem voltou de viagem ao exterior e tem algum exame agendado, é recomendado que ele desmarque? Ele pode vir fazer o exame? Qual a recomendação?
Depende de qual a urgência para a realização desse exame. Se for um paciente que pode remarcar por, pelo menos, sete dias após o retorno da viagem, seria mais prudente. Mas o setor de imagem da Unimed está organizado para entrevistar os pacientes e organizar a remarcação desses exames.

 Para quem está voltando de viagem deve voltar imediatamente ao trabalho ou tem algum período seguro para ficar em isolamento domiciliar?
Vai depender de cada empresa. As empresas têm estabelecido políticas. O próprio Ministério da Saúde sugeriu que, para quem voltasse de viagem do exterior, que ficasse sete dias em afastamento administrativo do seu emprego desde o retorno da viagem. Porque o tempo médio de desenvolvimento dos sintomas é de sete dias, por isso a Anvisa recomenda, ela não obrigou as empresas a fazerem isso. Ela apenas sugeriu para que o profissional que voltasse de viagem ao exterior ficasse sete dias em isolamento domiciliar para avaliar se vai desenvolver sintomas nesse período. Se não desenvolver ele retorna ao trabalho, mas isso vai depender da política de cada empresa.


Ainda ficou com dúvidas? Entre em contato pelas redes sociais da Unimed Vale do Sinos e envie sua pergunta.

 

Assista abaixo o bate-papo completo: