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Como identificar um relacionamento tóxico e escapar do abuso psicológico

Como identificar um relacionamento tóxico e escapar do abuso psicológico

A baixa autoestima pode oferecer brechas para que o controle seja exercido pelo parceiro

Como identificar um relacionamento tóxico e escapar do abuso psicológico

A baixa autoestima pode oferecer brechas para que o controle seja exercido pelo parceiro

2 Setembro 2021

Uma relação abusiva ou tóxica ocorre de várias formas, não necessariamente por meio da violência física, mas sempre que ultrapassa o limite do respeito e gera um tormento. Esse tipo de relação pode acontecer com qualquer pessoa, seja em relacionamentos amorosos ou até mesmo nos familiares, diante de uma convivência cercada de competição, desrespeito, desgaste psicológico e abusos, muitas vezes até difíceis de identificar.

“De forma gradual e sutil, disfarçado de cuidado com o parceiro, preocupação excessiva e até amor, a relação tóxica se instala sorrateiramente no campo psicológico da vítima”, revela a psicóloga do Viver Bem Unimed Norma Nicotera. Permanecer em um relacionamento abusivo não afeta somente a mente da vítima, mas também o corpo, direta ou indiretamente.

Essa situação altamente estressante e traumática tem como consequência o desencadeamento de um alerta fisiológico que impacta no cérebro e em diversas outras áreas do corpo humano. Do ponto de vista psíquico, os sintomas podem se manifestar pela baixa autoestima, insegurança, medo, choro constante, ansiedade, insônia, sintomas depressivos e em casos mais graves, vontade de morrer.

A especialista afirma que, a princípio, a vítima sente que está protegida e quando surge alguma dúvida a esse respeito, habilmente é dissuadida com argumentos convincentes que a fazem duvidar do que sente e pensa. O isolamento da vítima pode ser uma das táticas usadas pelo abusador para manter o controle sobre a situação. Dessa forma, família e amigos são mantidos a distância, dificultando que ocorra troca de informações a respeito da situação.

“Quando há agressões físicas, a situação se torna mais clara, mas o abuso psicológico é mais difícil de ser detectado e a própria vítima apresenta dificuldade em reconhecê-lo devido à manipulação. Muitas vezes a pessoa que é vítima acredita ser a culpada pelo comportamento do parceiro”.

Norma alerta que, ao passar por uma situação de abuso, seja de qualquer espécie, é importante buscar acompanhamento psicológico, já que o equilíbrio emocional é altamente impactado, fazendo com que se perca a serenidade para ter uma vida plena. Além do psicólogo, a busca pelo psiquiatra pode ser necessária conforme os sintomas da vítima.

Os profissionais poderão ajudar a reavaliar as dinâmicas ligadas ao contexto abusivo e criar recursos internos para o enfrentamento de situações adversas. Dependendo da gravidade da situação, um advogado e um assistente social deverão entrar em campo para auxiliar na tomada de decisões práticas.

Fique de olho

A baixa autoestima pode facilitar que a pessoa seja uma vítima em um relacionamento abusivo. Pessoas com a autoestima elevada não suportariam se submeter às condições de cerceamento da liberdade impostas pelo abusador. A personalidade insegura oferece a brecha para que o controle seja exercido pelo parceiro. Nesse caso a baixa autoestima só é reforçada e não deriva do abuso propriamente dito. Sintomas ansiosos e depressivos podem ser consequências do relacionamento tóxico.

“Dar apoio, ajudar a reconhecer o abuso demonstrando que vê a vítima triste e afastada de todos, por exemplo, é uma forma de aproximação sem confronto. O medo e a vergonha permeiam a relação abusiva e o silêncio é um elemento central nesta dinâmica. Caso a vítima corra risco de morte a denúncia às autoridades é a atitude que deve ser tomada”, defende a especialista.