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Doação de órgãos: uma conversa pode salvar vidas

Doação de órgãos: uma conversa pode salvar vidas

Doação de órgãos: uma conversa pode salvar vidas

1º Outubro 2021

Conteúdo publicado originalmente em setembro 2021, no jornal A TRIBUNA. 

A pandemia teve efeitos maléficos em áreas tão diversas da saúde, que muitas vezes fica difícil mensurar. O impacto negativo no número de transplantes foi um desses efeitos colaterais. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram que, em 2020, houve uma redução de 39% no número de transplantes quando comparado ao ano anterior. Foram realizados 273 transplantes no ano passado contra 447 transplantes em 2019.

O Registro Brasileiro de Transplantes (RBT) também traz informações que mostram que a queda no número de transplantes se deve ao aumento de 44% na taxa de contraindicação, em parte pelo risco de transmissão de Covid-19 e pela dificuldade de realização do teste PCR para a detecção da doença.

Felizmente, neste ano, o Espírito Santo começa a demonstrar que ainda existe esperança para quem aguarda por um novo órgão. Durante o primeiro semestre de 2021 foram realizados 247 transplantes, um aumento de aproximadamente 83% quando observado o mesmo período de 2020.

Contudo, ainda há muito o que evoluir quando se fala em doação de órgãos. Nesta segunda (27), quando é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos uma reflexão vem à tona: quantas vidas deixam de ser salvas todos os dias por causa da desinformação ou ao medo de tocar no assunto com a família?

No Brasil, a legislação determina que a família seja a responsável pela decisão final, não tendo mais valor a informação de doador ou não doador de órgãos registrada no documento de identidade. Por essa razão, quem decide ser doador de órgãos deve comunicar essa decisão para os familiares.

Vale esclarecer que existe a possibilidade de o transplante ocorrer com órgão ou tecido de doador vivo ou morto. O doador vivo deve ser maior de idade e capaz, e pode doar órgãos a seus familiares. Para casos de doador vivo não aparentado é exigida autorização judicial. Podem ser doados em vida: um dos rins, parte do fígado ou parte da medula.

Já o doador com morte encefálica pode doar coração, pulmão, fígado, pâncreas, rim, córnea, ossos, músculos e pele. O diagnóstico da morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina e dois médicos de diferentes áreas devem examinar o paciente, e apresentar comprovação de exames complementares.

É preciso falar sobre o assunto e desmitificar certos temores e crenças. A doação deve ser bem compreendida pelas pessoas, tanto por aquelas que querem ser doadoras quanto para as famílias que aqui ficam para confirmar a decisão. O Instituto Unimed Vitória, por exemplo, tem sua campanha anual, #QueFiqueDito, que incentiva que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de ser doador.

As campanhas de conscientização são necessárias e bem-vindas. Elas cumprem papel imprescindível trazendo o tema para a discussão, esclarecendo tudo que envolve a doação de órgãos, e tirando o peso do assunto, que não deveria ser sobre morte, mas sim sobre vida. Ser doador é um ato generoso e nobre, que dá a outra pessoa uma oportunidade para que continue viva. Seja um doador, avise sua família.

Gustavo Peixoto é médico pioneiro em transplante hepático no Estado e diretor de mercado da Unimed Vitória.