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Em tempos de tantas perdas, como falar sobre doença e morte com as crianças

Em tempos de tantas perdas, como falar sobre doença e morte com as crianças

Em tempos de tantas perdas, como falar sobre doença e morte com as crianças

26 Junho 2020

Não tem muito como fugir. O assunto está nos programas de TV, na internet, na conversa dentro de casa e até mesmo nas aulas on-line. A pandemia fez surgir a necessidade de ter um diálogo ainda mais aberto com as crianças e com temas que nem sempre são simples de explicar.

A psicóloga do programa Viver Bem da Unimed Vitória Naira Delboni conta que muitos pais têm dificuldade para falar sobre assuntos como doença e mortes com seus filhos pequenos. “É comum o receio de gerar medo ou ansiedade na criança. Mas o melhor caminho será sempre um diálogo mais aberto, usando formas lúdicas de explicar o que está acontecendo”, afirma.

A especialista explica que a situação de distanciamento social, por si só, já causa angústia e estresse nas crianças. “Então, as outras questões, como doença e morte, precisam ser tratadas de forma suave, mas não devemos fugir dessa conversa”.

A dica de Naira é primeiramente ouvir o que o filho tem a dizer, deixá-lo fazer suas próprias perguntas, e, a partir daí, iniciar o diálogo sempre dizendo a verdade, mesmo que de um jeito mais sutil.

Ela destaca que é fundamental que a criança se sinta ouvida e acolhida. Isso já garantirá mais segurança e conforto neste momento de tantas mudanças e dúvidas.

Em relação à morte, um tema que está todos os dias nos diversos meios de comunicação, a psicóloga assinala que as famílias devem evitar transformar esse assunto em um tabu. “A morte deve ser explicada desde bem cedo como algo que faz parte da vida. É preciso mostrar que, quando a pessoa querida se vai, ela continua conosco em nossas lembranças e a gente precisa seguir adiante”, pondera.

Naira diz que é indicado usar simbologias para falar com os pequenos. “Podemos, sim, dizer que a pessoa foi para o céu, virou estrelinha ou algo desse tipo. A criança pequena precisa imaginar, concretizar o fato para compreendê-lo. O lúdico é o melhor caminho”.

De modo geral, a especialista orienta a estar sempre disposto a ouvir os filhos e a explicar o que eles desejam saber. “Não devemos deixá-los sem resposta num momento tão singular como o que estamos vivendo. É importante exercitar a escuta e ter paciência com seus medos e angústias”, conclui.