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Observar e agir podem ajudar a salvar uma vida

Observar e agir podem ajudar a salvar uma vida

Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma pessoa atenta contra a própria vida a cada três segundos

Observar e agir podem ajudar a salvar uma vida

Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma pessoa atenta contra a própria vida a cada três segundos

21 Setembro 2021


O mês de setembro traz a saúde mental para o foco da discussão. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) promove mais uma vez a campanha do Setembro Amarelo, com o tema “Agir salva vidas”. A iniciativa, que já acontece no Brasil desde 2014, tem como principal objetivo diminuir índices de suicídio. De acordo com a ABP, os casos passam de 13 mil por ano no país, número que pode ser bem maior devido às subnotificações.

“Essa pandemia desencadeou muitos quadros de depressão por vários fatores. O primeiro foi o aumento no consumo de álcool e outras drogas. O segundo fator ocorreu em famílias com pessoas que são abusadoras e que passaram a ficar mais em casa. Tivemos um aumento de casos de depressão entre crianças e adolescentes também”, revela o psiquiatra da Unimed Vitória Vicente Ramatis. O especialista, que costumava atender pacientes a partir dos 18 anos, recebeu até jovens de 14.

A partir de sua observação no consultório, Ramatis relata que o aumento da violência física e psicológica dentro dos lares nesse período teve como consequência casamentos desfeitos e o surgimento de mais casos de depressão. Para ele, a família e os amigos devem ficar atentos a certos sinais para ajudar os indivíduos em processo de depressão.

A abordagem à pessoa que está com depressão deve ser feita sempre conversando, nunca recriminando. “É preciso ter uma conversa clara, indo direto ao assunto, mas que não seja pesarosa”, orienta. E vale ficar atento aos discursos que mostram o perigo iminente: “Eu não consigo mais suportar”, “Não consigo mais enxergar uma saída” e “Eu não sei mais o que fazer”. Diante dessas frases, comece a conversar, não deixe a pessoa sozinha, e encaminhe para a ajuda profissional. Essas falas são grande indício de que a pessoa pode estar com a ideia de suicídio.

“Há muitas pessoas em falência emocional, seja porque estão passando por um momento econômico ruim, por problemas afetivos, porque são portadoras de doenças crônicas, pela dependência química, entre outras questões. Temos que dizer a elas que existe uma solução, que vamos procurar juntos, que um profissional pode ajudar, de forma que não tomem uma decisão de cabeça quente. No caso do adolescente, o perigo aumenta em mais de três vezes, porque eles são impulsivos. Esses casos merecem mais atenção ainda”, alerta o psiquiatra.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, estudos apontam que em mais de 98% dos casos, o suicídio foi causado por transtornos mentais não tratados corretamente ou não identificados/acompanhados. Cerca de 96,8% estão relacionados à depressão e ao transtorno bipolar.