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Telemedicina: tecnologia para facilitar o acesso à saúde

Telemedicina: tecnologia para facilitar o acesso à saúde

Tudo o que vier para contribuir com a melhoria do sistema será bem-vindo

Telemedicina: tecnologia para facilitar o acesso à saúde

Tudo o que vier para contribuir com a melhoria do sistema será bem-vindo

20 Abril 2021

Sabemos que tempos difíceis sempre podem gerar novas ideias e possibilidades. Até o início da pandemia da Covid-19, a consulta médica virtual ainda não era realidade no Brasil. Foi justamente a necessidade de reduzir o número de pessoas circulando pelas ruas, hospitais, clínicas e consultórios que acelerou esse processo. Desde então, o Ministério da Saúde liberou as teleconsultas durante este momento de combate ao coronavírus e o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu a possibilidade do atendimento a distância.

Ao bater a marca de um ano de pandemia, consultar-se de forma remota parece ter se tornado uma prática comum. Além de se sentir seguro ao fazer o atendimento no conforto do lar, o paciente ganha cada vez mais confiança no método. E é ao desvendar o desconhecido e se permitir uma nova experiência que se revela mais uma forma possível de cuidado: a distância e por meio da tecnologia.

Os grupos de operadoras que fazem parte da FenaSaúde, Federação Nacional de Saúde Suplementar, realizaram 1,6 milhão de teleconsultas desde março de 2020. Aqui mesmo no Espírito Santo, a prática é um sucesso. Somente na Unimed Vitória, neste um ano de telemedicina, foram cerca de 45 mil consultas.

O sistema a distância dá indicativos de que veio para ficar. O CFM iniciará debates sobre uma regulamentação para o novo formato de atendimento. Em entrevista a grandes órgãos de imprensa, o vice-presidente da entidade, Donizetti Giamberardino, adiantou que um dos pontos da regulação estabelece que as primeiras consultas deverão ser sempre presenciais. Ao criar regras, são desenvolvidos meios para garantir a privacidade do paciente, além de formas de evitar diagnósticos inadequados, por exemplo.

É preciso, sim, regulamentar o procedimento, especialmente para resguardar a segurança dos dados dos pacientes. Aos poucos, os profissionais também vão se familiarizar com as melhores plataformas digitais e, dessa forma, garantir que as informações sejam criptografadas e permaneçam protegidas.

Algumas pessoas ainda sentirão dificuldades em se adaptar ao atendimento remoto e vão preferir o presencial. No entanto, a teleconsulta não vem ocupar o lugar do “olho no olho”. O que se apresenta diante de nós é um novo modelo para o acesso à medicina, um híbrido entre presencial e a distância. O contato com o médico jamais deixará de existir.

Devemos estar certos de que a tecnologia não chega para substituir o que a prática médica tem de melhor, que é o lado humano e o acolhimento. Porém, o profissional que não utilizar os recursos da modernidade pode perder espaço para aquele que souber explorar as ferramentas tecnológicas em favor da melhoria do seu atendimento.

É inevitável enxergar que a medicina caminha em direção aos avanços da tecnologia. E elas podem estar lado a lado. O crescente surgimento de heathtechs – as startups da saúde - está aí para mostrar que é preciso inovar para atender melhor esse setor tão essencial que é a saúde. Tudo o que vier para contribuir com a melhoria do sistema será bem-vindo.

Fernando Ronchi é médico e diretor-presidente da Unimed Vitória.