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Terapias para reverter danos do AVC evoluíram, mas atendimento deve ser feito com rapidez

Terapias para reverter danos do AVC evoluíram, mas atendimento deve ser feito com rapidez

Terapias para reverter danos do AVC evoluíram, mas atendimento deve ser feito com rapidez

22 Outubro 2021

*Artigo publicado dia 24/10/2021 no jornal A Tribuna

As estatísticas para os pacientes acometidos por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) são bastante desfavoráveis: 70% deles não conseguem retornar ao trabalho. O AVC é a segunda principal causa de morte no Brasil e no mundo, e a principal causa de incapacidade no mundo. Proporcionar um atendimento rápido e eficaz aos pacientes com AVC é uma importante política de saúde pública.

Existe atualmente a possibilidade de reverter as consequências dos danos do AVC no cérebro. Esse tipo de terapia ficou consolidada a partir de 1995, e, a partir de então, foi possível evitar a progressão da doença viabilizando a chegada de sangue no tecido cerebral lesionado. O tratamento em questão chama-se trombólise venosa e consiste em utilizar um medicamento que dissolve o coágulo que antes impedia o fluxo adequado de sangue nas artérias do cérebro.

Desde então as terapias evoluíram de forma progressiva e, cada vez mais, tornou-se possível melhorar o desfecho final para os pacientes. Outra terapia revolucionária que também é realizada na fase aguda do AVC é a trombectomia. Por meio de um cateterismo cerebral é possível chegar no local exato da obstrução e retirar o coágulo de forma mecânica, puxando ou aspirando o trombo da artéria que impede a passagem de sangue para uma determinada área do cérebro.

Essas terapias modificam a evolução do paciente com AVC e dão a chance de tratar pacientes com até 24 horas do início dos sintomas, algo que até pouco tempo atrás não era possível. No entanto, é importante pontuar que, embora todas essas terapias sejam fundamentais e de fato modifiquem a evolução da doença, o centro do atendimento ao paciente com doença cerebrovascular é o direcionamento desses pacientes a uma unidade de AVC, que consiste em uma especializada dentro do hospital dedicada e preparada para atender esses grupos de pacientes.

O paciente deve ter acesso a uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e outro profissionais especializados no cuidado ao paciente com AVC. As rotinas desse cuidado são traçadas diariamente e, dessa forma, é possível proporcionar um atendimento integral e especializado as vítimas de doenças cerebrovasculares.

O Hospital Unimed Vitória é um exemplo de centro hospitalar que possui unidade de AVC e dispõe de toda tecnologia para tratamento de fase aguda para esse grupo de doentes. É importante que esse tipo de atendimento especializado esteja cada vez mais disponível para o tratamento de pacientes com essa emergência médica.

Todos os anos, no dia 29 de outubro, nos mobilizamos para promover a conscientização no Dia Mundial do AVC. Neste ano o tema da campanha é “Minutos podem salvar vidas”. Sabemos que para o paciente ter a chance de receber uma terapia que modifique a evolução da doença e ganhar tempo precioso em sua vida, é necessário que uma sequência de eventos sincronizados seja colocada em ação. Dessa forma, conscientizar sobre o assunto é imprescindível para que cada vez mais vidas sejam poupadas.

Daniel Escobar é médico e coordenador do serviço de Neurologia do Hospital Unimed Vitória.