Revista Ampla | Edição 53
trou que um em cada três usuários do Facebook se sen- tia mal e mais insatisfeito depois de visitar essa rede. Como explica a diretora da Febrapsi, as patologias relacionadas à saúde mental não podem ser correlacio- nadas de forma imediata às redes e, sim, a um fator adi- cional ao que já está ocorrendo. “O que as redes sociais “oferecem” é uma dispersão, uma espécie de ilusão na maneira de você lidar com uma crise existencial. Elas não preenchem vazios nem resolvem angústias; quem enfrenta uma crise existencial não possui parâmetros de comparação com outras pessoas. A comparação não cria a crise. Por outro lado, as redes incitam o sentimen- to de inveja que leva à frustração e ao ressentimento”, pontua Cláudia. Para Gisele, o meio estabelece padrões e existe a ne- cessidade de se cumprir aquela expectativa. “O nível de exigência das próprias redes sociais traz toda essa be- leza superficial demonstrada numa imagem do excessi- vamente belo. Isso gera angústia para que se mantenha essa imagem”, exemplifica e complementa que estamos sempre com a sensação de “olhar a grama do vizinho” e querer pertencer ao grupo daquela imagem. É possível ser feliz? Assim como o meio digital, as conclusões sobre o tema são bastante voláteis e vão exigir uma constante revisão dos usuários e especialistas sobre os riscos e benefícios. Literalmente, um aprendizado a bordo du- rante a busca de referências e conforto para se sentir parte do coletivo. “Não existe uma definição de feli- cidade que se enquadre em todos, indistintamente. Mas, certamente, o contato humano, não apenas vir- tual, mas a presença viva do outro em minha vida é fundamental para se alcançar o sentimento de felici- dade”, destaca Cláudia. De forma otimista, Gisele acredita que os sintomas de mal-estar causados são reflexos da instalação do novo. “A impressão que eu tenho é que, com o tempo isso vai ser vivido cada vez de uma forma mais har- mônica e equilibrada, até mesmo pela patologia que o excesso está criando”, disse. Em meio a esse cená- rio, cabe aos nativos e imigrantes digitais não apenas aguardar a próxima atualização, mas fazerem parte dessa construção coletiva para uma nova e equilibrada realidade social. CAPA ABRIL-JUNHO 2019 AMPLA 13
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy MjcxMg==