Revista Ampla | Edição 53
SAÚDE DIGITAL ABRIL-JUNHO 2019 AMPLA 15 A tecnologia poderia ser tornar uma excelente ferra- menta para médicos da família. Por exemplo, pacientes poderiam tornar-se futuramente assistentes em saúde di- gital e chatbots médicos diante de questões mais simples sobre a sua saúde, remédios específicos ou gerenciamento de questões administrativas. Sensores de uso pessoal e dis- positivos poderiam transmitir dados para os smartphones dos médicos, notificando-os a qualquer momento se sinais vitais apresentarem problemas e fornecendo todos os da- dos necessários a eles para que realizem os cuidados. Isso permitirá, consequentemente, que médicos tratem apenas aqueles que realmente precisam de atendimento profissio- nal ao tornar possível recomendações de tratamentos sim- ples de forma remota. Em troca, médicos da família terão mais tempo para gerenciar e fazer recomendações a cada paciente, construindo uma relação de confiança e assegu- rando que pacientes façam as recomendações médicas. Além disso, algoritmos de inteligência artificial darão aos médicos de família a possibilidade de administrar recomen- dações de especialistas sobre doenças raras e servirem de “guardião” de outras especialidades. Saúde digital na atenção primária Por todas essas razões, The Medical Futurist Institute decidiu realizar uma pesquisa extensiva do tipo survey para compreender o conhecimento e atitude dos médicos de fa- mília diante da tecnologia. O estudo piloto transversal foi realizado de setembro de 2017 a dezembro do mesmo ano, por meio de um levantamento on-line . Os 43 itens no ques- tionário foram publicados em mídia social, em outros canais on-line do The Medical Futurist , bem como no canal do Eu- ropean General Practice Research Network (EGPRN). Para nós, é mais do que animador ver os resultados do es- tudo. Veja o infográfico que resume os principais destaques. A adoção da saúde digital deveria ser facilitada Nosso estudo possui várias limitações, uma delas e mais importante é que representa mundialmente uma subpopula- ção de médicos da família, receptivos às tecnologias. Como nosso levantamento estava disponível apenas on-line, os respondentes tinham certa receptividade com a tecnologia e foram capazes de, pelo menos, acessar o questionário. O que impressiona ainda mais é que mesmo esse grupo utiliza apenas uma parte do amplo espectro da saúde digital. Atualmente, mídias sociais e aplicativos de smartpho- nes são os mais populares entre os respondentes – o que não é novidade, considerando a ampla penetração de mídias sociais e o crescente número em vendas de smartphones . Entretanto, os médicos da família expressaram o seu desejo de utilizar no futuro (próximo) dispositivos portáteis de diag- nóstico, sensores em saúde e telemedicina. Notamos que as tecnologias sci-fi , tais como inteligência artificial, realidade virtual ou realidade aumentada, ainda não convenceram os médicos da atenção primária. Eles parecem estar mais dis- tantes e cautelosos em seu desejo de utilizar essas inova- ções, mesmo que no futuro. Quando questionados sobre o futuro, 70% dos respon- dentes disseram que a utilização das tecnologias digitais em saúde é inevitável. Entretanto, foi interessante ver que eles não associaram claramente a transformação do relaciona- mento médico-paciente com as tecnologias digitais. Apenas 41% dos médicos acreditam que a ligação paternal e hierár- quica entre pacientes e médicos se transformará em algo mais igualitário como resultado das tecnologias digitais. Em relação aos benefícios da saúde digital, os médicos da família parecem concordar que as inovações revolucio- nárias podem aumentar o comprometimento do paciente e tornar os tratamentos mais rápidos. Foi interessante verificar que eles não consideram a questão financeira uma pressão para adotar as tecnologias digitais em saúde. As principais razões pelas quais os médicos não utili- zam a tecnologia são a inacessibilidade, falta de casos reais e diretrizes úteis, bem como preocupação com a segurança de dados. Todas são preocupações válidas e nós, da equipe The Medical Futurist , acreditamos que os centros médicos, agências reguladoras da assistência médica ou responsáveis pela definição de políticas deveriam contribuir mais para fa- cilitar a aceitação. Isso é possível ao transformar tecnologias amplamente mais acessíveis, por meio do estabelecimento de organizações dedicadas a criação de diretrizes em grupos de discussão sobre a utilização da saúde digital e elaboração de mais garantias relacionadas à segurança de dados. Porém, há “milhões” de outros caminhos também. É possível encontrar grandes ideias no relatório Digital He- alth Best Practices for Policy Makers [As Melhores Práticas de Saúde Digital para Responsáveis pela Definição de Políticas]. *Fonte :https://medicalfuturist.com/digital-technology-make-an-impact-on-primary-care RESULTADOS DA PESQUISA DO PRIMEIRO ESTUDO THE MEDICAL FUTURIST INSTITUTE OS RESPONDENTES • 183 questionários em 37 países • 70% trabalham em cidades com menos de um milhão de habitantes • Volume médio de atendimento aproximadamente 2 mil pacientes • 42,6% dos respondentes do sexo feminino Idade varia de 24-77 anos, sendo a média de idade 47,5 ATITUDES DIANTE DA SAÚDE DIGITAL • 75,4% utilizam as tecnologias digitais em saúde com entusiasmo • 20,8% ainda não utilizaram O QUE DESEJAMUTILIZAR NO FUTURO (PRÓXIMO)? • Mídia social (10,53%) • Telemedicina (13,12%) • Aplicativos de smartphone (15,07%) • Sensores em saúde (16,38%) • Diagnósticos point-of-care (16,88%) • Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (RV) (8,44%) • Impressão 3D (9,08%)
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